CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS DO ALAMAR
Suas particularidades, suas maluquices e seu estilo
A principal característica do Alamar, aquela que ele mais defende, é a de exigir de si mesmo AUTENTICIDADE. Isto quer dizer: ser ele mesmo e não o que os outros querem que ele seja, ouvir as músicas que ele gosta e não a que as rádios FMs e a mídia impõem como sucesso, vestir as roupas nas cores e no estilo que ele gosta e não o estilo e as cores que a hipocrisia impõe, enfim, autenticidade é a prática da pessoa não admitir-se como vaquinha de presépio, "maria-vai-com-as-outras" e muito menos ser fantoche ou marionete dos outros, do mesmismo e dos interesses formais de terceiros.
Não tem sido fácil, mas o Alamar tem conseguido ser isto.
Por causa desta sua autenticidade ele tem sofrido bastante, tem sido perseguido, boicotado, sabotado e até caluniado por pessoas que, acostumadas a manipularem as consciências de outras, não conseguiram manipular a sua.
Vamos citar, aqui, algumas demonstrações da personalidade, da perseverança e da firmeza como tem vivido o Alamar.
"Homem para ser homem, tem que fumar e tomar cachaça. Se não fizer isto, é viado" - O Alamar passou a sua infância e adolescência inteira ouvindo isto, na cidade de Vitória da Conquista, estado da Bahia, onde foi criado. Na casa onde morava existia uma venda, ou melhor, algo que seria um misto de boteco e mercearia, de propriedade dos seus avós, que vendia pão, café, açúcar, arroz, feijão (aquelas coisas de mercearia) e também vendia muita cachaça, com vários cardápios de temperos. As maiores lotações da venda era exatamente de homens bebendo cachaça. Dizia a sua avó, que a cachaça era o item que mais dava lucro na venda.Já no exercício da inteligência que Deus deu a todas as criaturas, desde criança ele percebeu que a sua deveria ser usada. Ao observar que os seus tios, que residiam em sua casa, eram alcoólatras, e que bêbados promoviam agressões e destruição dentro de casa, vendo-os ameaçar bater até mesmo na mãe deles, a sua avó, perguntou-se a si mesmo: "será que para ser homem, tem que fazer isso aí?". Esse tipo de homem eu não quero ser não.
Como músico, assim que recebeu o trompete (ou pistom), para tocar na banda, instrumento musical que era o seu grande sonho, possibilitando-o a poder tocar em orquestra, coisa que ele não poderia fazer tocando trompa, o seu instrumento anterior, a família o pressionou a devolver aquele instrumento, sob ameaça de surra, afirmando que tocando tompete ele iria aprender a beber, já que todo músico de orquestra na época era alcoólatra. De fato a família tinha uma certa razão.
Ao recusar devolver o trompete, mesmo sob ameaça de muita surra, afirmou para a sua avó, a Tia Nazinha e Zula (o seu primo/tio): "vou tocar trompete, mas nunca, em toda a minha vida, vou colocar um cigarro ou um copo de bebida alcoólica na minha boca, porque eu não sou burro".
E assim fez. Com todo respeito às pessoas que fumam e bebem, o Alamar não quer condenar ninguém que faça isto, porque não faz o seu estilo também apontar dedo para ninguém, muito menos condenar quem quer que seja. O que ele quer, ao fazer este relato, é apenas mostrar aos jovens e adolescentes de hoje, para que não se deixem influenciar pelas criminosas propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas muito menos pela influência de pessoas desequilibradas e irresponsáveis que afirmam coisas absurdas acerca da hombridade da pessoa.
2) "Nós vamos ser campeões brasileiros de Fanfarras" - Em 1967, estudando no Instituto de Educação Conselheiro Rodrigues Alves, na cidade de Guaratinguetá, São Paulo, ele tocava trompete na fanfarra do conceituado colégio, dirigido pelo velho Muriano, quando houve a oportunidade daquela banda participar de um concurso nacional de fanfarras, que seria realizado na capital de São Paulo, com a participação da fanfarras outras de todo o Pais. Era uma promoção do Lions Clube com a Secretaria de Educação do Estado.
Em um dos ensaios, o Alamar afirmou para o Marcelo, que também tocava trompete, o Carlinhos e outros companheiros: "Nós vamos ser campeões brasileiros", naquele concurso. Os colegas começaram a gozar com a sua cara:
- "O que é isto, baiano? tá sonhando?"
Lá estaria também, entre várias fanfarras sensacionais, a belíssima fanfarra do Instituto La Sale, de Aparecida do Norte, considerada a grande rival da nossa. Ninguém acreditava na mínima possibilidade de ganharmos o campeonato. Todos estavam conformados em apenas curtir a viagem a São Paulo capital.
Ao entrar na passarela, que era o asfalto do Viaduto do Chá, no centro de São Paulo, tendo no palanque o grande Prefeito da cidade Brigadeiro Faria Lima, o Alamar resolveu, por conta própria, entrar tocando a famosa música "Tema de Lara", acompanhado pela magnífica bateria da fanfarra, que recebeu calorosos aplausos da gigantesca multidão que naquela noite lotava o centro da capital. Fez derramar lágrimas no inesquecível prefeito Faria Lima que desceu do palanquer para abraçá-lo.
A fanfarra do Instituto Conselheiro Rodrigues Alves, para a surpresa de todos, foi proclamada campeã daquele concurso.
3) Fez curso na EMBRATEL, assim que ela foi implantada no Brasil. Detalhe: na cara de pau - Aluno da Escola de Sargentos Especialistas de Aeronáutica, Alamar foi designado à especialidade de comunicação, como Rádio Telegrafista de Terra.
Como era de praxe e ainda é até hoje, os alunos são dispensados nos finais de semanas, podendo sair ao final das tardes de sextas-feiras, com obrigação de voltarem, todos, sem exceção, à escola, no domingo até as 22 horas.
Em um desses finais de semana ele foi para o Rio de Janeiro mas não retornou à escola no domingo, o que representava um fato de alta gravidade, culminando com cadeia, na certa. Foi à EMBRATEL, cuja sede ficava na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, fardado, e anunciou na portaria que queria falar com o Presidente daquela empresa. É muita cara de pau, não é?
Mas ele foi atendido pelo Dr. Helvécio Gilson, o grande presidente da EMBRATEL, a quem relatou que era estudante de comunicação da aeronáutica, que queria saber tudo sobre a EMBRATEL, o que eram os satélites, como eles funcionavam, e tudo o que pudessem ensinar para ele.
Imediatamente o Dr. Helvécio colocou técnicos e engenheiros à sua disposição, com aulas em transparências, apostilas e tudo preparado exclusivamente para ele, durante todo o dia de segunda e terça-feira.
Ao retornar à escola de Aeronáutica, na quarta-feira de manhã, sabia que se fosse diretamente para o alojamento, com certeza o seu sargenteante o colocaria na cadeia, porque a punição já havia sido dada pelo comandante da companhia, Tenente Philot. Espertamente foi direto para a sala de aula, no Galpão, onde estavam os seus colegas recebendo as aulas habituais, cheio de papéis, apostilas e transparências embaixo do braço, ainda vestido com o uniforme de saída, que era o 5º A.
Foi repreendido pelo sargento De Souza, assim que chegou, mas ao abrir a boca, dizendo o que havia feito no Rio, foi-lhe concedida a palavra para que ministrasse ali a aula que havia recebido no Rio, a respeito da EMBRATEL, aquela coisa maravilhosa que surgira no Brasil. Encantou todo mundo e a punição não lhe foi dada. Recebeu um elogio por isto.
4) Entrou na Escola de Aeronáutica montado em um cavalo, de uniforme social - Certa vez namorava uma menina, em Guaratinguetá, que morava na Estrada (Via Dutra) e o seu pai mantinha alguns cavalos e vacas para extração de leite. Em um domingo pediu um cavalo emprestado e voltou à escola de aeronáutica a cavalo, o que não era normal. Foi chamado de babaca, de tudo quanto é canto, mas entrou.
5) Comeu uma penca de bananas, vestido de farda social, numa RODA GIGANTE, em Guaratinguetá - Havia uma frescura, uma formalidade e uma palhaçada ridícula no seu meio militar, acerca do que poderia e não poderia ser feito, principalmente quando estavam vestidos com o uniforme 5º A. Uma vez gozaram impiedosamente com a cara de um seu colega, cearense, porque ele foi visto comendo pipocas em frente a um cinema na praça principal de Guaratinguetá, num sábado a noite, de uniforme. O Alamar, ou melhor, o Régis, porque este era o seu "nome de guerra", partiu em defesa do rapaz, porque não via nada demais naquilo. Mas as formalidades e as frescuras imperavam. Veja o que ele aprontou.
Havia uma festa católica, no centro da cidade, se não me engano festa de São Benedito, daquelas que montam quermesses, barraquinhas, parque com roda gigante e tudo, em praça pública, em frente a igreja. Os alunos da escola adoravam esses locais, porque eram os locais onde estavam as meninas. O Alamar comprou uma penca de bananas, daquelas bem grandes, doces (chamada banana nanica, em São Paulo; banana dágua, na Bahia ou banana chorona, no Pará) comprou um ingresso da roda gigante, subiu e começou a descascar e comer bananas, vestido com sua belíssima farda azul, de grava e quepe na cabeça.
6) Com o Brigadeiro Délio Jardim de Matos, dentro do avião - Durante as férias e feriados prolongados, como a Semana Santa, os alunos eram dispensados e poderiam viajar. O Alamar sempre que podia, aproveitava esses momentos e ia para Vitória da Conquista, na Bahia. A viagem normalmente era feita de ônibus de linha normal, mas, ele soube que teria um avião do CAN (antigo Correio Aéreo Nacional), que decolaria do Campo de Marte, em São Paulo, para Salvador, com escala em Ilhéus, e que ele poderia pegar uma carona naquele avião. Pegou o ônibus da Pássaro Marron em Guaratinguetá e foi para São Paulo tentar a carona.
Chegando no Campo de Marte, Parque de Aeronáutica, conseguiu vaga no avião e embarcou no velho C-47. Inicialmente houve um pouso no Rio de Janeiro. Algum tempo após a decolagem do Rio, sai da cabine do avião em direção à cabine dos passageiros o Comandante do Avião, o Brigadeiro Délio Jardim de Matos.
O Avião não tinha poltronas, tinha bois bancos compridos, de ambos os lados, porque era destinado a transporte de tropas ou de paraquedistas.
O brigadeiro, ao entrar na cabine, abriu os braços espreguiçando-se e resolveu sentar-se logo ao lado do Alamar, que quase morre de "cagaço". Não é fácil, para um aluno de escola de Aeronáutica, ver sentado ao seu lado um Brigadeiro. Dá um temelique em qualquer um.
De repente o Brigadeiro mete a mão no bolso da sua camisa e retira um masso de cigarro continental, obviamente iria fumar, mas estendeu o maço ao Alamar, pressionando um cigarro para fora, oferecendo a ele.
- "Muito obrigado, Brigadeiro, mas eu não fumo não."
Nessas alturas os sargentos e outros oficiais que estavam sentados no banco em frente, começaram a ficar nervosos e a fazerem gestos de mímica para o Alamar aceitar o cigarro.
- "Mas, você não fuma por que?" perguntou o Brigadeiro.
- "O senhor me desculpe, brigadeiro, com todo respeito, mas eu não fumo porque é burrice".
- "Então você está querendo dizer que eu sou burro?" - disse o Brigadeiro.
Diz Alamar: "Nestas alturas eu vi os corações dos demais militares, à frente, saírem pelas suas bocas, tamanho era a tensão nervosa que eles foram acometidos, talvez esperando que alguma reação muito séria do brigadeiro pudesse ser tomada em relação a mim". Mas ele disse:
- "Não é bem isto, Brigadeiro, eu estou dizendo em relação a mim, mas não condeno ninguém que fuma".
E o Brigadeiro Délio Jardim de Matos, que foi um homem da mais alta dignidade dentro da Força Aérea Brasileira, tomou uma atitude que surpreendeu a todos dentro daquele avião:
- "Você está correto, meu garoto! Eu não vou acender esta porra deste cigarro não. De fato todo fumante é burro, você tem razão. Só que este velho aqui vai morrer por causa desta merda aqui, que não tenho mais jeito de largar o vício. Continue assim, sendo quem você é, que você vai ser um dos mais brilhantes militares deste país".
E o Brigadeiro foi conversando com o Alamar um tempão. Ele não acertou quanto ao futuro militar, porque o Alamar saiu logo da Aeronáutica, por não agüentar exatamente o radicalismo e a mente estreita de muitos outros oficiais em Belém do Pará. A história completa está contada no relato da sua vida militar.
Estava previsto ao Alamar descer em Ilhéus, onde tomaria um ônibus para Vitória da Conquista, que ficava distante pouco mais de 200 quilômetros, mas a sua empolgação foi tão grande, que resolveu seguir viagem até Salvador, bem mais distante, onde tomaria o ônibus de lá, distando 508 quilômetros.
Ao chegar na Base Aérea de Salvador, o Brigadeiro pediu ao Oficial de Dia que providenciasse uma viatura para levar o jovem aluno até a Rodoviária, a fim dele tomar o primeiro ônibus para Vitória da Conquista. A Base Aérea de Salvador é muito distante da Rodoviária, principalmente naquele tempo que não exista a larga via expressa que há hoje.
ANOS MAIS TARDE
O Brigadeiro Délio Jardim de Matos chega ao cargo de Ministro da Aeronáutica.
Numa das suas idas à Brasília, já fora da Aeronáutica há alguns anos, como diretor de televisão o Alamar resolveu visitar o Ministro, na tentativa de ser recebido por ele, perguntando a si mesmo: "será que ele ainda se lembra de mim?"
Pediu ao Major, seu ajudante de ordens, que o anunciasse como aquele jovem aluno da Escola de Especialistas de Aeronáutica que o brigadeiro havia conhecido dentro de um avião C-47, que dissera a ele que não fumava porque não é burro.
Depois que o Major anunciou, o Brigadeiro saiu-se do seu gabinete em direção à sala de espera, como se fosse ao encontro de alguém muito querido por ele.
Olhou para todas as pessoas que estavam a espera, principalmente os fardados, porque imaginava que o Alamar estivesse ali ainda como militar, obviamente fardado, e perguntou:
- "Cadê o garoto que disse que eu sou burro?"
O Alamar, que estava de paletó e gravata, levantou-se e disse:
- "Não foi bem isto que eu quis dizer, Brigadeiro, eu disse em relação a mim"
Foi em sua direção, deu-lhe um forte abraço e disse bem alto:
- "Eu continuo burro, meu garoto, até hoje não consegui largar o cigarro, vou morrer disto".
Perguntou pela farda, soube que o Alamar não estava mais na vida militar, ficou triste, o convidou a almoçar com ele no restaurante do Ministério e ficou em longos papos, sobretudo a respeito do comportamental humano.
7) Revólver do lado esquerdo, com o cabo para a frente - Como sargento, em alguns momentos chegou a tirar serviço de sargento de dia, no Serviço de Proteção ao Vôo em Belém do Pará. Todo militar usa o revólver, ou pistola, na cintura, do lado direito, com o cabo para trás. Ele resolveu usar o revólver do lado esquerdo, com o cabo para frente, naquele estilo de alguns cow boys. Muita gente irritou-se com ele, por causa daquele seu gesto. Pessoas que nada tinham a ver com o fato, ficavam com raiva dele, só porque ele não fazia exatamente como os outros fazem. Observem bem: O Regulamento dos Uniformes da Aeronáutica (RUMAER) determinava que o revólver ou a pistola deveria ficar na cintura, mas não determinava em que lado. Portanto, ele não estava errado, colocou do lado que melhor lhe conviesse.
8) Ensinar mais Matemática, para a Física ficar menor - Como professor, o Alamar questionava e criava muito caso com o diretor do curso, onde dava aula, João Milício Fidélis e os demais professores, pelo programa que eles faziam na distribuição do tempo para cada matéria a ser ministrada aos alunos. Por exemplo: Suponhamos que eles determinassem 100 horas para Matemática e 100 horas para Física. O Alamar foi contra, radicalmente contra, porque alegava o seguinte: "Gente, os professores de Física perdem um tempo enorme, nas aulas de Física, ensinando Matemática, para que os alunos tenham condições de resolver os problemas, repetindo as mesmas aulas, todas as vezes que determinado teorema ou equação fossem necessários. Reforcemos o ensino da Matemática e teremos mais facilidade para ensinar a Física".
É óbvio. Ninguém aprende Física se não tiver uma boa base de Matemática. Como alguém pode aprender Cinemática, Estática e Dinâmica, por exemplo, se não conhecer bem o Teorema de Pitágoras, as equações, a Trigonometria etc?
Todo mundo foi contra ele, ninguém entendeu, ou fingiram que não entenderam, as suas argumentações, e continuaram a ministrar os cursos conforme o habitual. Ele, insistindo nas suas teses, mudou o procedimento nas suas turmas. Do tempo previsto no exemplo acima, dedicou (ainda como exemplo) 130 horas para Matemática e 70 horas para a Física.
"Você está louco, Régis, não vai dar tempo para dar conta da programação de Física e vamos ter problemas com os alunos no concurso", dizia o João Fidélis.
Resultado: No concurso, a aprovação dos alunos do Alamar, principalmente em Física, foi maior que a de todos os outros professores juntos.
9) Como empresário, nunca protestou ninguém - O Alamar se tornou empresário desde o momento em que teve o seu primeiro cursinho preparatório à Escola de Especialistas de Aeronáutica, aos 21 anos de idade. Depois chegou a ter a escola e empresa de informática, chegou a montar uma pequena indústria que fabricava móveis e caixas de som. Como todo empresário, sempre se viu diante de clientes que atrasavam prestações e mensalidades e que não podiam pagar. Nestes casos, é comum os empresários mandarem para cartório os títulos atrasados, protestando mesmo os clientes, utilizando sempre a argumentação de que não pagaram porque não quiseram pagar, jamais conseguindo entender que tem gente que não paga, em muitas vezes, porque não podem pagar, o que é uma diferença muito grande, haja vista as dificuldades naturais de todas as pessoas, o que é totalmente diferente de não poder pagar.
Alamar chegou à conclusão de que o ato de alguém protestar um título não beneficia ninguém, principalmente ao empresário que protestou, além de prejudicar ainda mais o protestado. A única beneficiada é a indústria dos cartórios, que ganha dinheiro sem esforço algum, as custas da tortura e do sofrimento dos que enfrentam dificuldades.
Por outro lado ele se questionava: "Que moral eu tenho para querer ser tão duro e contundente com as falhas dos outros, ao ponto de mandar as pessoas para a fogueira ou a guilhotina dos cartórios, se eu também já falhei várias vezes, continuo falhando e provavelmente falharei outras vezes, não porque quis falhar, mas por também ter dificuldades, exatamente como os meus clientes falharam?"
10) Criou um colégio de segundo grau, para ser diferente do comum - Em Belém resolveu transformar o seu curso de informática em uma escola de 2º grau, com especialização na área da informática, de forma que os concluintes do segundo grau já saíam sabendo digitar, operar e sobretudo programar computadores. Mas estabeleceu uns parâmetros que fugiam do convencional.
a) As questões das provas de todas as matérias, de cada turma, não poderiam ser boladas pelos professores daquelas turmas. Teriam que ser boladas por professores externos, de preferência de outras cidades. Há uma tendência do professor bolar questões em cima dos assuntos que ele ensinou, no estilo que ele ensinou. Não é assim que o mundo vai testar os futuros profissionais.
b) Não ensinar Física no primeiro ano. Dedicar todo o tempo que seria destinado à Física a criar uma boa base de Matemática.
c) Se temos que ensinar Inglês, temos que criar ou adotar uma metodologia que permita ao aluno, ao final dos 3 anos, sair falando Inglês, ao contrário de estudante brasileiro que é obrigado a estudar a matéria Inglês em todo o seu currículo escolar, do primeiro a segundo grau, e termina sem saber falar nada naquele idioma.
d) As provas mensais não deveriam ser restritas apenas aos assuntos das matérias ministradas naquele mês ou trimestre, e sim em relação a tudo o que fora dado dali para trás.
O Alamar sempre sonhou em uma educação cujo objetivo era fazer os alunos aprenderem e não apenas a passarem de ano. Sempre foi contra a apostila, sob a argumentação de que apostila é resumo e quem aprende as coisas de forma resumida nunca sabe nada. Sempre foi contra, também, aos professores que adotam testes com "questões caídas em outros vestibulares", por considerar isso uma enganação.
Foi boicotado pelo Conselho Estadual de Educação do Pará, que exigiu que ele fosse exatamente com eram os outros colégios. Teria que ser maria-vai-con-as-outras.
11) Como profissional de informática, optou por criar sistemas diferentes do processamento de dados que era comum - Toda vez que se via diante de um Programador de Computadores ou Analista de Sistemas, perguntava a eles: "Quais os sistemas que você tem desenvolvido?".
E se via diante das mesmas respostas, que era uma ladainha:
- "Eu tenho sistemas de contabilidade, controle de estoque, folha de pagamento, contas a pagar e a receber".
Ficava danado, questionando a si mesmo: Mas será que o pessoal só tem competência para fazer isto? diante de tantas necessidades de informatização em várias aplicações da vida humana, só existe isto?
O pior de tudo é que comprovava que aqueles sistemas citados não eram de autoria dos caras, ou seja, não foram eles quem os desenvolveram desde o início. Eram cópias que eles pegavam, já desenvolvidos por outros, mudavam um cabeçalho, um detalhezinho em uns relatórios, botavam os nomes deles e saíam por aí a ganhar dinheiro, dizendo que era deles. Naquele tempo existiam um sistemas de contabilidade, folha de pagamento, estoque e contas a pagar e receber de propriedade da Prológica, que era um fabricante de computadores no Brasil que faliu, (fabricava o antigo CP-500), feito em COBOL, cujos programas fontes eram copiados por todo mundo.
Então o Alamar resolveu, como Analista de Sistemas, criar sistemas diferentes daquilo, criando do zero: Automatização Policial, era a primeira, já que não existia nada neste campo, no País inteiro. Controle de consumo de materiais de serviço público e um montão de coisas, já relatadas na outra página onde ele fala sobre a sua história como profissional de computador. Criou um sistema que pudesse ser útil à economia, que foi o TELECONOMIA e um outro que fosse útil ao relacionamento das pessoas, que foi o NAMORO POR COMPUTADOR.
Terminou sendo notícia nacional com os três sistemas.
12) Calça meias de cores diferentes nos seus pés - Certo dia do ano de 1987, ao abrir a gaveta para retirar um par de meias para calçar, teve o fio de uma delas puxada, por uma lasquinha de madeira da gaveta, que inutilizou a meia, abrindo um buraco enorme.
O que teria que fazer? jogar fora tanto aquele pé de meia rasgado quanto ou outro que não teve rasgo algum. Foi quando começou a lhe questionar:
Por que eu tenho que jogar fora o outro pé de meia, que não tem rasgo algum?
Peraí! quem é que me obriga a ter que calçar meias necessariamente de cores iguais nos pés?
Achou um desaforo ter que ser submisso a essa exigência, a qual considerou ridícula, e a partir daí começou a usar uma meia de uma cor em um pé e uma de outra cor no outro pé.
Foi chamado de maluco, por causa disto, acusado de querer aparecer, qualificado como não sendo uma pessoa séria, no meio espírita foi altamente repudiado, entre profissionais de informática era motivo de chacota.
Vários casos até engraçados aconteceram por causa disto:
Uma ocasião, na loja MESBLA, de Belém, um senhor de idade ao alertar-lhe, muito nervoso e quase tendo um infarto, que ele estava com meias de cores diferentes, quis esmurrá-lo que ele lhe disse: Não se preocupe não, meu senhor, eu calcei assim de propósito. Eu gosto de calçar meias assim.
Em outra ocasião, depois do sucesso na imprensa dos seus sistemas de informatização de utilidade pública, foi convidado por um deputado amigo, Hermínio Calvinho, Presidente da Assembléia, a falar sobre os sistemas na Assembléia Legislativa do Estado, perante aos demais Deputados, terminou por provocar uma discussão que durou a tarde inteira, inclusive com deputados se ofendendo mutuamente.
É que um deles, em estado de elevada imbecilidade, ao perceber que o homem que iria ocupar a tribuna, estaria calçando meias de cores diferentes, alegou que ele não poderia falar naquela instituição, por falta de decoro parlamentar. Foi um discussão enorme, que tomou o expediente inteiro, para decidirem se o Alamar poderia ou não falar, que terminou não dando mais tempo para nada, naquele dia, e o Alamar decidiu não voltar mais lá.
13) Não colocou nome nos seus filhos, assim que nasceram - Você já viu alguém ver uma criança em algum lugar, achar bonitinha, e perguntar para a mãe ou o pai, qual o nome da criança, e ouvir como resposta: "Esta criança não tem nome".
Isto acontecia com o Alamar, em relação às suas filhas e ao seu filho.
A sua filha Janine Rosely só foi receber nome seis meses depois de nascida. Ficou muito tempo sem nome. Ao ser consultada pelo pediatra, ele teria que colocar pontos de interrogação nas receitas (????????) onde deveria estar o nome da criança.
O seu filho Albert Allan, só veio a ter nome com quase 3 anos de vida.
As pessoas se irritavam, por causa disto, ficavam morrendo de raiva do Alamar. Agora perguntemos: O que é que as pessoas têm a ver com isto? Por que temos que ser obrigados a ser iguais aos outros, praticando as suas mesmas formalidades?
14) Ira de parentes, por recusar a batizar seus filhos - Enfrentou, também, a ira de parentes, por recusar a batizar os seus filhos, já que este é um ritual admitido por algumas religiões. Por ser espírita, por ter outra consciência, por saber que isto é apenas um ritual, embora o próprio Jesus tenha se submetido a esse ritual (claro, em sua época a cultura impunha a todos se submeter a isso, que não faz mal a ninguém), não viu razões em submeter os seus filhos a isto, já que sempre achou que o espírita deve ter a sua identidade, a sua autenticidade. A maioria dos espíritas batizam os seus filhos, submetendo-se a pressões de parentes.
15) Cantar "Parabéns a você" - Alamar fica indignado ao perceber que as pessoas não têm o mínimo de criatividade ao homenagearem alguém quando faz aniversário. Sempre fazem a mesma coisa: colocam aquele bolo, em cima da mesa, com uma vela acesa; cantam o chato parabéns a você, batendo com uma mão na outra, depois vem um idiota qualquer puxar aquela outra chata musiquinha do "nique nique, nique nique, é hora, é hora, é hora, é hora, Rá ti bum, fulano, fulano, fulano", para depois o aniversariante ficar com aquela cara de babaca, tendo que soprar a vela.
Sempre questionou: Por que os amigos não procuram identificar uma música que toque fundo no coração do aniversariante, que o faz ter boas recordações, que o emocione? Por que não ensaiam rapidamente uma música dessa e cantam, na hora do seu aniversário? Por que não declamam alguma coisa, de preferência escrita por algum dos presentes?
Se você gosta do Alamar e quer homenageá-lo, no seu aniversário, não cante o tal parabéns a você e muito menos o horrível "nique nique".
16) Usa pinico para servir comida na mesa, aos visitantes da sua casa - Em Belém do Pará o Alamar e sua família adoravam realizar almoços e jantares para receber os seus amigos, em serestas, principalmente aos sábados. Acontece que ele resolveu comprar pinicos... sim, exatamente, aquele pinico que as pessoas utilizam para urinar... novos, obviamente, e utilizá-los para servir a feijoada, o arroz, o vatapá e as outras opções de comida na mesa.
O Josino Alves dos Santos, um espírita conhecido do Pará, que visitava muito a sua casa, ficava horrorizado com aquilo. Repreendeu veementemente ao Alamar, de todas as formas, exigindo que ele parasse de fazer aquilo, porque não ficaria bem sobretudo para um espírita.
Esta "mania" dele se espalhou pelo chamado "movimento espírita organizado" do Pará, e foi uma das razões para ele não ser considerado uma pessoa séria.
Infelizmente quem se recusa a ser marionete e fantoche do mesmismo, recebe a qualificação de bandido, por parte da hipócrita sociedade.
17) Chupeta para os filhos - Quem é que determina que os bebês têm que chupar alguma coisa? Quem determina a chupeta? Por quais motivos? Para a criança não chorar? O Alamar não permitiu dar chupeta para a sua filha Janine nem para o seu filhinho Albert Allan. Ambos foram super calminhos, quando bebês, são carinhosos e nunca tiveram problema algum por causa disto. A Janine teve que usar aparelho, normalmente, como usam vários jovens, mas o filhinho tem dentes maravihosos, sem problema algum, nunca fez escândalos para dormir, que necessitasse de chupeta. Mas os parentes insistiam que fosse dado chupeta, só porque todo mundo dá chupeta para os bebês. "Ora, veja! será que temos sempre que fazer o que todo mundo faz?" é o que sempre questiona o Alamar.
18) Torcedor do Vasco, mas comemorou o campeonato mundial do Flamengo - Neste campo do futebol, o Alamar tem características que não são comuns. Nâo admite, de forma algum, que o vascaíno tenha que odiar o Flamengo, e vice-versa. Não admite que o Palmeirense tenha que odiar o Corinthians e assim sucessivamente em relação a todas as torcidas de futebol consideradas rivais nas diversas regiões. Vê comportamentos como estes com atos de elevada selvageria, mesquinhez e atraso espiritual.
Por duas vezes, morando em Belém do Pará, o Alamar fez atitudes que levantou aplausos por parte de alguns e ódio por parte de outros.
Quando o Flamengo se sagrou campeão mundial em Tóquio, em 1981, com aquele timaço com Zico, Andrade, Adílio, Leandro e cia. na comemoração do título do campeonato na Praça da República, em Belém, ele vestiu-se com a sua camisa do Vasco, autografada pelo Roberto Dinamite, empunhou uma bandeira do Flamengo e foi também comemorar o título.
Veja bem, gente, vestido com a camisa do Vasco e conduzindo uma bandeira do Flamengo! pode?
Muita gente ficou com ódio dele, tamanha a sua personalidade.
Repetiu o gesto no estádio do Mangueirão, em Belém. Lá ele torcia para o Paissandú, mas foi a um jogo onde o Clube do Remo disputava uma classificação para uma segunda fase, em um jogo muito tenso. O detalhe é que foi vestido com a camisa do Paissandu, empunhando a bandeira do Remo.
19) Gritou e fez calar uma juíza do Trabalho, em plena sala de audiência em Belém - Quem conhece o Alamar sabe do seu estilo de beijar as mãos das mulheres, desde jovem, mantendo um dos bons costumes antigos dos homens cavalheiros e educados, costume esse que ele sempre apreciou.
Certa ocasião, ao entrar na sala de audiências da Justiça do Trabalho, juntamente com seu advogado, para defender a sua empresa contra uma reclamação de um ex-funcionário ladrão que trabalhou com ele, cumprimentou os dois vogais, apertando-lhes as mãos e, quando viu que a juíza era uma juíza e não um juíz, como é do seu hábito, pegou a mão da juíza e beijou.
Após o beijo, a juíza, arrogantemente, puxou a mão e deu-lhe a maior esculhambação, repreendendo-o violentamente, por causa daquele seu gesto, como se ele tivesse cometido um ato de agressão ou do mais alto desrespeito naquele ambiente, humilhando-o perante os advogados e as partes da audiência anterior, que havia acabado de terminar, mas ainda estavam na sala, e um montão de gente que estava por lá.
Veja a sua reação:
- "Doutora,
Data Vênia, mas se a senhora quiser, que mande me colocar algemas agora mesmo
e me conduzir ao presídio São José, porque a senhora vai ouvir o que tenho a
lhe dizer:
Não se esqueça de que antes da senhora ser uma magistrada a
senhora é um ser humano e uma mulher. O meu gesto foi de respeito, de
consideração e de cordialidade a um ser humano, sobretudo a uma mulher que,
quando equilibrada não reage com tanta arrogância e sim manifesta-se diante de
gestos como o meu como gesto de cavalheirismo. Não é motivo nenhum para um
repreensão tão violenta como a sua..."
O Alamar falava isto, com os dois punhos levantados, juntos um do outro, na posição de receber uma algema, e o seu advogado, tremendo de nervoso, o puxava pela calça, para se sentar e alertando sobre o perigo de prisão que ele estava se expondo ali. O ambiente entrou numa tensão enorme, os funcionários da secretaria da junta vieram para a sala de audiência, também, para verem o que estava acontecendo e foi um Deus nos acuda terrível. E continuando:
- "Jamais vou me traumatizar e deixar de tratar as mulheres desta forma porque se esta é uma das qualidades de um homem, esta eu pretendo continuar tendo e não abandonando nunca, mesmo diante de uma reação tão insensata, desumana e sobretudo injusta, por parte de uma profissional que tem a obrigação de praticar JUSTIÇA. Agora, se a senhora quiser, pode chamar os seguranças e me conduzir ao presídio, que estou pronto para isto."
A Juíza ficou muda, estática, olhando o tempo todo para ele e, depois que ele acabou a fala, ela ficou ainda alguns segundos sem fala, até que retirou os óculos e colocou novamente, olhando para os vogais e os advogados, simplesmente dizendo:
- "Vamos dar início a audiência. Alguma proposta de acordo?."
Não prendeu o Alamar não. Anos mais tarde, encontrou o Alamar no Supermercados Líder, em Belém, foi ao seu encontro e perguntou: "Lembra-se de mim?". E o Alamar, no cinismo que lhe é peculiar, deu-lhe um abraço e um beijo na cara, e disse:
- "Claro, doutora!!! Que prazer encontrar a senhora. Quero aproveitar para lhe agradecer por aquela ação que a senhora deu ganho de causa ao CEPD, porque de fato aquele ex-funcionário que reclamou contra mim era de fato um ladrão o seu advogado tão pilantra quanto ele".
Ela disse: - "Você é de morte, você não tem jeito não, só matando" e caiu na gargalhada.
Estes são alguns casos da vida do Alamar, que recomenda a todas as pessoas, sempre: Não permita que ninguém manipule a sua consciência ou lhe faça de fantoche. Seja você mesmo, assuma a sua identidade e mande a sociedade para onde você tiver vontade de mandar.