ALGUNS DEPOIMENTOS SOBRE O LIVRO "MULHER, SÓ É BOBA QUEM QUER"

      Adorei o livro porque ele trata do machismo arraigado que as vezes de tão arraigado imperceptivelmente nós mulheres não nos damos conta que estamos sendo vitimas de atitudes machistas.
      Falo isto porque me considero uma pessoa despachada ao ponto de não ser passiva diante de atitudes machistas mas depois que li o seu livro e vi os exemplos que vc deu, percebi que involuntariamente ou sem perceber era sim passiva diante de algumas atitudes machistas.
      Ou seja percebi que este machismo de tão gravado na memoria, nos costumes e na cultura do individuo as vezes nós mulheres  não nos damos conta...como disse,  eu particularmente não pensava que sofresse algum prejuizo acerca do machismo.... mas me flagrei em algumas situações expostas no seu livro.
      E é por isso meu caro que foi de grande valia.

      Tenha uma ótima semana
 

    Vanessa Morais

Oi Alamar, tudo bem?

     Então, meu nome é Eliana de Souza Santos e sou a amiga da Vanessa que pediu para você incluí-la na sua "listinha" (abaixo está o e-mail que você enviou para ela). Somos de São José dos Campos-SP, trabalhamos juntas também.

      E quanto ao seu livro "Mulher só e boba quem quer", comprei de aniversário p/ mim mesma, li e gostei muito e tenho indicado p/ várias amigas e amigos também (os homens eu tento, mas sem sucesso).
 
     Atualmente esse livro está com uma ex-cunhada, que me disse que detesta ler. Ela foi na minha casa e o livro estava sobre a mesa, ela pegou, leu o título, deu uma foleada e pediu p/ levar, eu deixei. Agora veremos qual será a opinião dela.

     Eu adorei, embora, p/ mim, nada ali tenha sido novidade nem me surpreendeu, mas, devo confessar que vc conseguiu imprimir (literalmente...rss) em palavras oq eu sempre tentei dizer, transmitir, passar p/ os outros e arrumo muitas brigas por conta disso e não estou nem aí. Tenho uma personalidade p/lá de resolvida, sou independente em todos os sentidos (físico-material-emocional-mental-psicológico, e por aí vai), então já sei muito bem oq quero ou o que preciso.

    Minhas amigas A-D-O-R-A-R-A-M, principalmente a forma simples e eloqüente com a qual vc trata do assunto, mas, principalmente a maneira como vc aborda diretamente questões machistas muitas vezes imperceptíveis e outras inconscientes p/ tantas. Para algumas delas, chega a ser um tapa na cara.

     Bem, eu costumo repassar seus emails p/ algumas pessoas que considero mais acessíveis e flexíveis qto as questões gerais da vida,então pode ser que algumas lhe endereçarão emails pedindo mais artigos ou outras informações.

      E aproveitando a deixa, queria fazer um pedido: O livro "Visita de Extra-terrestre".

      Aguardo retorno, ok?

     Um grande abraço de sua fã ( fã sim, pq não??)

     Eliana Santos

Campinas, 07 de dezembro de 2003.

 

Alamar:

 

Adorei o seu livro, estou fazendo propaganda, já que sempre pensei como você.

Como fiquei feliz ao ler seu livro, na verdade apenas folheei o livro. Quem me conhece ao ler o seu livro poderia pedir para eu assinar junto com você. Antonio Carlos, meu marido e algumas pessoas do local onde trabalho (colégio de freiras) sabem que sempre foi e é como penso a respeito das mulheres.

Costumo dizer sempre esta frase: “sou mulher e tenho duas filhas e acho a mulher o bicho mais burro da face da Terra”.

Tem até sentido chamá-las de galinha. Quando criança ao jogar milho para as galinhas eu ficava brincando de ameaçar jogar de um lado para outro e as burrinhas corriam de um lado para outro... achava divertido... uma freira viu, deu-me uma bela bronca e tirou a cestinha da minha mão. (coloquei fogo no paiol.).

Vou escrever um pequenino livro para você ver como fui uma felizarda na vida. Até a maneira como me expresso é igual à você  (pego pesado mesmo...).

Minha pequena história: Fiquei órfã aos 2 anos e meio, cresci em um belo orfanato dirigido por freiras alemãs (que bom que não eram latinas...) não me passaram esta coisa de santo, as explicações eram de forma racional.

Uma vez a superiora que andava de preto chamou a atenção de uma noviça na frente de todas as crianças. Foi a primeira vez que eu senti ódio. Preparei para a freira, amarrei um barbante na escada de onde ela saía da clausura e... ela caiu! Ela falou para todo mundo que havia pisado na barra da roupa.

Nunca fui confidente de ninguém. Aí tinha a tal de confissão, resolvi contar para o padre e o porquê... Ele virou o rosto e riu, daí fiquei sem vergonha. Acho que você é a terceira pessoa que conto este fato.

Voltando ao seu livro. Aos 11 anos fui para uma família muito boa, gente estudada, correta, trabalhadora, todos voltados à educação. O meu pai de criação uma vez disse assim: “Uma mulher nunca deve descer até um homem”. Descer... ele usava muito de metáforas. Muito jovem ainda e sem namorado perguntei à minha irmã-mãe: “O que ele quer dizer com descer?”. Descer, se submeter aos caprichos e desmandos de um homem.

Um dia esta irmã disse que um filosofo disse que toda mulher é latrina de homem... Você sabe o nome deste filósofo? Aos 17 anos li uma enciclopédia de três volumes sobre educação sexual nos aspectos emocional, psicológico e biológico. Fiquei encantada com o corpo humano mas entendi que o homem era um animal. Por achar a mulher e a função de mãe belíssima não permitia intimidades com os homens. Aquela coisa de pega aqui, amassa alí, joga alí. Alguns chegaram a ouvir: “comece pela tua mãe e irmã”. O corpo é o mesmo é só colocar um capuz... A sensação será a mesma.

Quanto ao casamento até que a morte separe... que morte? a do amor? Para mim bebida, jogo e outra mulher... tudo acabado. A bebida o cara não sabe se está amando ou mijando na mulher, o jogo tudo a perder, outra mulher uma questão de amor próprio.

Antonio Carlos, meu marido concorda... casamos! Que homem humano, nunca me senti "violentada" quer fisicamente ou emocionalmente. Sempre foi um homem limpo, paciencioso, enfim um homem de verdade.

Chorei a vida inteira pela perda de mãe. Quanto sofrimento, buscas.

Uma manhã, chorando parei diante de um jardim e vi uma rosa cor de rosa belíssima, parecia um cálice voltado para o céu... Era dia das mães. Olhei para aquela rosa e falei assim: Deus eu não te perdoo por ter tirado a minha mãe. Continuei andando e vieram de encontro a mim uma jovem comum, a criança de uns 4 anos que trazia na mão uma rosa igual àquela do jardim. Estendeu a para mim... Não houve fala nenhuma, peguei a rosa, lembro-me que senti um arrepio muito forte, voltei para casa, fui para o meu quarto, lembro-me que dormi até tarde. Acordei leve.... Desde então, até hoje, oferto rosas paras as pessoas (entendi que este gesto acalma a dor que está dentro delas) nunca fico sabendo do problema... Costumam me dizer que sou especial, que capto o que vai no interior das pessoas... pouquíssimas sabem do porquê da oferta de rosas.

Costumo dizer às pessoas que a natureza e as flores me salvam. Sabe Alamar, para mim a mais bela criação de Deus não é o ser humano não, é a natureza! Tudo que a gente vê na natureza a gente diz que lindo! Isto não acontece com os seres humanos (não destituo o homem do seu valor não, mas...) Tornei-me mãe com grandes expectativas. Devido a minha orfandade achava que era algo sublime... Minha primeira filha, 2ª gestação, veio sob forte emoção. Havia perdido a 1º gestação, aí até o nascimento de Melissa, achava que ia perdê-la. Até o 4º mês nem água parava no estômago. Emocionei-me quando do nascimento, tinha plena consciência do dever, o contato dela em meu seio para amamentá-la me irritava... Tem alergia a leite, chega a ir parar em hospital quando abusa de queijos, chocolates, enfim, gordura.

Desde pequena, muito ciumenta de mim, deu-me muito trabalho em relação às pessoas.  Cresceu, estudou em colégio de freiras, sempre odiando (havia uma freira lá, que para me atingir ia pela Melissa. Mas eu sempre deixava bem claro isto, e ai de quem prejudicasse Melissa. Mantive muitas pessoas atentas, por isso nunca tirei Melissa de lá, pois este era o desejo...).

Melissa tem até hoje, após 5 anos, verdadeiro ódio de um professor de educação religiosa.  Enfrentou-o, levou-o cara a cara com a superiora. Ela dizia: “Este cara vai cair, vão descobrir quem é este cara dentro da sala de aula...”. Nunca tomei partido, afinal que estava na sala de aula era ela. Comigo a relação era normal. Nunca misturei as coisas, afinal conhecia bem a Melissa. Ela tinha razão sim, mas falhava em outras coisas.

O tempo passou, Melissa formou-se e dois anos depois outras Melissas se levantaram. Este professor teve que se afastar, até que aquela turma terminasse o 3º ano, para depois retornar com outra postura. Este professor é correto, culto, mas teve àquela educação muito rígida de seminário, ia ser padre, desistiu a tempo.

Há sete anos atrás vivi um grande momento interior: Melissa esgotou-me! agressiva, jogava tudo pelo chão, falava palavrões, uma loucura... Depois tudo se acalmava como se nada tivesse acontecido. Tinha muita dor de cabeça, um neurologista na época consultado detectou uma corrente elétrica no hemisfério esquerdo... e por aí afora as coisas iam acontecendo... um dia ela jogou tudo que era símbolo religioso no chão, pegou o crucifixo e jogando no chão dizia: “você não resolve nada!” Fiquei apavorada... Uma amiga disse que era o último desafio dela... pela minha fé. Moral da história... fui parar no hospital, vinha tendo um problema intestinal, por fim deu em cirurgia. Nesta época meu desejo era morrer, sério mesmo, morrer, desligar, ir embora. Queria paz. Alí no hospital estava sendo muito bem tratada, tudo calmo, limpo, silêncio, estava tudo muito bom, sentia-me super bem. Não sentia raiva de Melissa, apenas muita decepção. Cheguei a falar com uma freira, muito amiga. "chorei tanto por não ter tido uma mãe, se soubesse que era esta bosta não teria filho"... Ela ficou em silêncio... (é uma pessoa d e muita sabedoria).

Na porta do centro cirúrgico, conversei com meu amigo JC (Jesus Cristo) você tudo sabe, eu lhe digo uma coisa: não foi este meu sonho, veja que mão você quer porque eu não quero continuar assim, feche esta porta que não estou entendendo. Quando fui anestesiada senti um alivio, como se eu estivesse partindo (era o meu desejo).

Quando voltei à consciência, fiquei decepcionada por estar neste planetinha... Recebi muitas flores, 33 vasos, flores lindas, uma diferente da outra. Pensei assim: acho que meu amigo JC está querendo me agradar e dizer que tenho que ficar aqui. Voltando para casa, um dia Melissa disse: “Mãe, nunca mais vou te magoar”. Eu calmamente disse: “não vai mesmo, nunca mais, pois eu não gosto mais de você”.

Hoje não alimento nenhum tipo de sentimento por Melissa. As vezes sua presença me irrita. Acho que me desencantei. De vez em quando ela tem atitudes desequilibradas, fala um monte de besteiras, mistura tudo. Coisa que eu detesto é isso... infelicidade jogada em cima de outro. Quando fala em se matar eu digo: faça bem feito para não ficar no meio do caminho perdida.

Enfim adorei o seu livro. Filho, mãe, pai, marido, amigo... não temos que sofrer por ninguém, a não ser por nós mesmos. Se você tivesse escrito este livro há 24 anos atrás, eu teria acertado mais neste sentimento de mãe.

Sempre digo às mulheres que elas são burras. Nove já estão sabendo do seu livro, uma vai comprar para presentear uma mulher burra, empregada e deprimida... Cheguei a pensar que havia cometido um sacrilégio em dizer que não amava minhas filhas...

No seu livro ficou bem claro que o amor não tem nada a ver com os laços sanguíneos. Isto me deixou a certeza de uma coisa: não precisamos amar ninguém para respeitá-las enquanto seres humanos. As vezes parece que vou ficar triste devido a grande frustração quanto ao amor de mãe... Eu achava que era um sentimento natural... Para mim ainda não foi desta vez.

Às vezes chego a pensar que para mim seria indiferente a ausência delas (aliás já sinto isto) sei que pelo fato de não ter sido amada por uma mãe, não aprendi a amar. Talvez seja isto. Certa vez perguntei para minha mãe de criação: se eu tivesse nascido de tua barriga, você me amaria? Ela nunca respondeu. Tornei-me mãe e a resposta está aí: não! Até hoje não senti nada. Parece que fiquei com "a desilusão anestesiada".

Gostei muito das observações bíblicas sobre as mulheres. Comento em todas as reuniões para ver se estas idiotas acordam e mudam esta sociedade, educando com inteligência seus filhos e não lavando, passando, e algumas levando comida para os filhos presos que não souberam educar. Já que a mulher tem que educar, que seja inteligente...

Parabéns, você pega pesado sim, mas eu entendo, a gente se irrita não é Alamar? diante de tanta burrice.

 

Raimunda Navarro (Ray) – Campinas, SP.

(Esta mensagem nos chegou por E-mail e guardamos conosco o original. No E-mail a leitora deu o telefone, mas, por uma questão de ética, não divulgamos aqui.)

Olá, Alamar Régis.

 

Gostaria de comentar sobre seu livro sobre a mulher e sua condição de feminino. Posso?

Então lá vou eu.

Tenho permissão do meu marido, tá bom? É só uma piadinha!...

Gosto muito de você, acho que é pouco compreendido porque a maioria ainda não está pronta para encarar a verdade em si mesmo. Sobre a mulher, o mesmo se dá; sob forte domínio patriarcal ao longo dos séculos, ela precisa reaprender a caminhar e o resgate de sua dignidade é fundamental, porém com sabedoria! Ética, Moral e Responsabilidade, é o primeiro dos básicos.

É importante também que haja uma conscientização sobre o que é feminino e masculino. Isso vai longe!!! Bem, o homem e a mulher são um o apoio do outro. São forças opostas, mas complementares. Negativo e Positivo, polaridade que gera o equílibrio da Criação. É claro que envolve o Amor, fonte primordial de tudo ...

Quando houver essa compreensão por parte de ambos, vem o respeito e até a admiração pelo Sagrado de cada um. É muito vasto o tema. E delicado também. Se não tiver jogo de cintura essa diferença acaba por separar ao invés de unir, gerando violência às vezes, por parte de quase sempre do homem...

Mas valeu; pelo menos um ser humano admirável teve a sensibilidade de escrever sobre o assunto de uma forma bem aberta. Meu esposo assiste o seu programa de TV desde que surgiu eu acho...

Eu escolhí a linha de pensamento Celta, como filosofia de vida. E como celta, nada devo me apegar, nada rejeitar. Examino crenças, extraindo a verdade de todas elas. Sou uma Wiccan por amor, opção e coração. Para mim ela é uma porta para o mundo dos Druídas.

Com certeza você sabe que a espiritualidade e o Sagrado fazem parte do cotidiano dessa filosofia, não é? Não é algo que se procura uma ou duas vezes por semana, mas é vivido 24hs por dia.

Despeço-me de você com muito Amor e Carinho! Que você consiga sua meta com êxito em tudo que desejar... 

Um abração bem forte e; em homenagem ao seu livro, deixo um texto para você que me foi passado por uma pessoa especial:

        "Uma mulher chamada Ana foi renovar a sua carteira de motorista.

Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber como se classificar.

"O que a todas eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário.

"Claro que tenho um trabalho", exclamou Ana. "Sou mãe. "Nós não consideramos mãe um trabalho", insistiu o funcionário.Vou colocar "Dona de casa", disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.

"Qual é sua ocupação?" perguntou.

Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca:"

Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas".

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem.

Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.

Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial. "Posso perguntar?", disse-me ela com novo interesse, "o que faz exatamente?"

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder: 

-"Desenvolvo um programa a longo prazo [qualquer mãe faz isto], em laboratório e no campo experimental. Sou responsável por uma equipe [minha família], e já recebi quatro novos projetos [todas meninas]. Trabalho em regime de dedicação exclusiva [alguma mulher discorda???], o grau de exigência é a nível de 14hrs por dia [para não dizer 24...].

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta. Quando cheguei em casa, com o título da minha carteira erguido, fui recebida pela minha equipe -- uma com treze anos, outra com sete e outra com três. Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento [um bebê de seis meses], testando uma nova tonalidade de voz.

Senti-me triunfante! MATERNIDADE... que carreira gloriosa!!! Assim, as avós deviam ser chamadas: "Doutoras- Sénior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas", as bisavós: "Doutora-Executiva-Sênior" e as tias "Doutora-Assistente".

Mande isto a todas as mães, avós, bisavós e tias que conheças, e alguns homens que você ache que mereça!!! Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras e namoradas, Doutoras na Arte de fazer a Vida melhor!!!!!!! 

    Meu esposo chama-se Silas Gomes, assinante da Rede-Visão, mesmo com muitas arbitrariedades inerentes ao ser humano; também é o meu "doutor" em fazer a minha vida valer a pena...

 

Um beijo no seu coração!!!

            

Aparecida Oliveira Gomes
         merikinha2003@yahoo.com.br