Carta aberta ao Tenente Brigadeiro do
Ar Ivan Frota
Sobre a sua manifestação “O Ponto
Limite”
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
Senhor
Brigadeiro:
Neste 27 de junho de 2005, recebi o seu manifesto, “O Ponto Limite”,
enviado por um amigo, expressando o seu desapontamento com a pouca vergonha
que estamos presenciando no cenário político nacional, amplamente divulgado
pela imprensa, que graças a Deus é livre, nos dias atuais, embora se
registrem também alguns comprometimentos isolados em parte dela.
Solidarizo-me, sem dúvida alguma, com as dificuldades enfrentadas pela família
militar, brigadeiro, todavia não podemos deixar de reconhecer que as danosas
conseqüências da sem vergonhice política brasileira atinge todo o povo
brasileiro, independente da sua condição de militar ou civil.
Desculpe-me o meu linguajar, que certamente não está dentro das formalidades
militares, as quais conheço muito bem. É que opto por escrever de uma forma
que possa ser entendida por cem por cento dos brasileiros e não apenas por
pequeno percentual constituído por intelectuais, primeiro porque não sou
intelectual, segundo porque optei por um ideal de vida o mais distante
possível da máscara, da cultura de aparência, da hipocrisia e da demagogia,
com todo respeito aos que optam por escrever de forma erudita.
Mas pode ter certeza de que o respeito não faltará, no que tenho a lhe dizer,
porque respeito ao seu próximo é o mínimo que um homem verdadeiramente digno
deve ter.
Não tenho nem certeza se este manifesto, abaixo, foi escrito mesmo pelo senhor
ou se foi reproduzido “ipsis liters” conforme o senhor escreveu, se é que
escreveu, mas, já que o que tenho a dizer são palavras com objetivos
patrióticos e com responsabilidade, tenho certeza de que o senhor há de
concordar.
De
fato é muito triste o que está acontecendo no Brasil, é vergonhoso e até
ridículo. A forma como subestimam a inteligência do brasileiro é algo
extremamente repugnante. Não podemos aceitar que procedimentos como os que vêm
sendo denunciados e mostrados na imprensa para todo o Brasil permaneçam e
alguma coisa tem que ser feita, já, para que essa cachorrada pare
imediatamente.
É
como diz o Presidente: “nem que tenha que cortar a própria carne”. Esperamos
que ele tome para si a autoridade que o regime presidencialista lhe outorga,
tome consciência de que o povo brasileiro colocou no planalto foi a sua pessoa
e não o seu partido, graças ao “excepcional carisma que ele tem”,
reconhecido e referenciado pelo senhor mesmo no seu manifesto abaixo, e não
permita que assessorias desequilibradas e mal intencionadas o manipulem com
controle remoto.
Mas tem uma coisa que me preocupou bastante, em seu manifesto, Brigadeiro
Frota. A possibilidade de uma revolução que volte a cometer excessos como
ocorreram após 31 de março de 1964.
No
momento o Brasil está mesmo precisando de uma revolução, não resta dúvida, mas
não daquele jeito. Tem que ser uma revolução partida do próprio povo,
independente de ser civil ou militar, porém com muito equilíbrio, sensatez e
inteligência.
Nada de torturas ou derramamento de sangue!
Sei que os excessos pós 64 não foram cometidos pela filosofia do Exército, da
Marinha e da Aeronáutica porque sei dos seus objetivos, da sua preocupação com
a ordem e a Justiça, uma vez que acompanhei de perto muitas obras de
relevadíssima importância social na Amazônia, já que ali vivi durante muitos
anos e cheguei até a participar de alguma coisa. Só mesmo os brasileiros de
inteligência atrofiada, extremamente radicais, são capazes de generalizar
todos os militares como torturadores e arbitrários.
Os
excessos foram cometidos por elementos perturbados, desequilibrados,
recalcados e doentes espiritualmente contidos no meio militar, desde recrutas
até oficiais generais, uma vez que o segmento militar faz parte também do
universo humano, onde se verifica esse tipo de enfermos em todos os lugares.
Eu
mesmo, como militar subalterno da sua Força Aérea Brasileira, fui altamente
perseguido e torturado, no Primeiro Comando Aéreo Regional, por um coronel
desequilibrado, que não conseguia controlar alguma coisa que deveria estar
nascendo na sua cabeça, por conta dos seus desajustes com a sua esposa, sendo
salvo graças a amizades que cultivei, mesmo sendo sargento, com vários outros
oficiais superiores, entre eles o meu dileto amigo Brigadeiro Rodopiano
Barbalho, que veementemente o repreendeu tamanha a sua intolerância e ódio
contra mim e outros seus subordinados. Fui amigo pessoal, também, do ilustre
Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Délio Jardim de Matos, um homem do mais
elevado nível espiritual. Sei separar o joio do trigo.ncia
e endeu tamanha a sua intolertivei, mesmo sendo sargento, com outros oficiais
superiores, entre eles o meu dileto amigo Br
São os desequilibrados que nos preocupam, Brigadeiro!
Não podemos desejar para o nosso país um novo período de censuras na imprensa,
no teatro, no cinema, na arte em geral e na cultura. Não queremos mais ver
nenhum capítulo de novela da Globo e de nenhuma outra televisão cortado para
atender a conveniências de puritanos hipócritas ou castradores do direito de
expressão.
Não queremos mais ver homens de bem, artistas, escritores, jornalistas,
comunicadores e intelectuais serem confundidos com agitadores, perturbadores
da ordem e terroristas, só porque não pensam exatamente como a cabeça de
determinado general ou coronel que ainda vive no tempo da barbárie, defensor
da cultura do “cale a boca”. O senhor sabe muito bem, brigadeiro, pela
experiência de vida adquirida, que ainda existem homens semelhantes ao Tomás
de Torquemada que são capazes de torturar, mandar para a fogueira, guilhotina
ou o paredão, submetendo às mais perversas crueldades até a morte terrível os
seus semelhantes que não pensam como eles, não apenas no meio militar, mas em
todos os segmentos da sociedade, principalmente nos meios religiosos.
É
desse tipo de gente que o Brasil tem medo e não quer ver nunca mais!
Não quero ser confundido, por estas minhas argumentações, como um brasileiro
contrário à ordem, à disciplina e a decência porque não é possível alguém
racional acreditar que a grande maioria do povo brasileiro não concorde com o
senhor e com qualquer outro brasileiro quando se preocupa com a obediência à
Lei e a Ordem.
Todavia não nos custa nada a troca de idéias, para que as transformações
morais deste país ocorram sem torturas, sem censuras, sem arbitrariedades, sem
abuso da força e sem derramamento de sangue. Elas são possíveis sem nada
disso, desde que os homens exercitem as suas inteligências e criatividades,
principalmente nesta época de tecnologia avançada, de micro câmeras, de “disk
denúncia” e de internet.
Eu, por exemplo, disponibilizo os meus conhecimentos profissionais para
desenvolver, gratuitamente, softwares de computador para que os órgãos
públicos prestem contas de toda a movimentação financeira ao público através
da internet, na certeza de que centenas e até milhares de outros Analistas de
Sistemas, imbuídos do mesmo espírito de moralização do país, estarão ao meu
lado para dentro de seis meses, no máximo, este recurso já ser uma realidade
no País inteiro.
Sem precisar utilizar nenhum agente da Polícia Federal nem do antigo SNI, o
próprio povo vai identificar quem serão os prefeitos, governadores,
secretários de estados e municipais, titulares de órgãos públicos, deputados e
senadores e políticos em geral que criarão dificuldades para que isto seja
posto em prática no Brasil, o que os caracterizarão explicitamente como os
verdadeiros bandidos corruptos, já que quem quer servir à Nação e não se
servir da Nação, jamais discordará de uma proposta desta.
O
maior monstro destruidor do País hoje, brigadeiro, muito mais perverso e
terrível que as ameaças comunistas temidas em 1964, é o vampirismo dos bancos
que destrói o nosso povo, que inviabiliza as empresas, por conseqüência
restringindo os empregos, impedindo o progresso, já que são eles quem de fato
mandam no Brasil, há um certo tempo, haja vista a manutenção das altas taxas
de juros, que não surgiu neste governo, cuja justificativa das nossas
autoridades econômicas, desde o Maílson, o Malan até o atual Palocci acontecem
para impedir o crescimento da inflação, o que é uma verdadeira balela, já que
os bilhões arrecadados por conta desses juros altos vão para eles, os bancos,
e não para a Nação.
É
por isto que nunca tem dinheiro para reajustar dignamente os salários dos
nossos irmãos militares, do mesmo jeito que não tem também para reajustar com
a mesma dignidade os salários dos nossos irmãos professores, policiais,
enfermeiros, médicos que dão plantões nos hospitais públicos assim como não
tem dinheiro para recuperar as estradas, manter funcionando os serviços
básicos de saúde, (vide o próprio Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, onde o
senhor está) e todas as necessidades básicas do povo brasileiro
como um todo.
Só
tem dinheiro para fazer com que o Itaú, o Bradesco, o Banco do Brasil e outros
lucrem, cada um, mais de três bilhões de reais por ano, e ainda
afrontem o povo brasileiro com a divulgação dessas cifras.
Creio que é contra esse vampirismo descarado, esta pouca vergonha imposta pelo
poderio dos cifrões que todos temos que lutar. Será que Fidel Castro e o
comunismo que, graças a Deus nem existe mais, “já era”, é coisa morta e
sepultada, são mais perigosos do que isso?
Para consertar o Brasil não precisamos mais de baionetas. Com ajuda da nossa
poderosa imprensa, com as imagens da Globo, da Bandeirantes, da Record, do SBT
chegando instantaneamente, via satélite, em todo o território nacional,
recursos que não dispúnhamos em 64, assim como a revista VEJA, Isto É, Época e
os nossos maiores jornais chegando às bancas rapidamente, todo o povo
brasileiro estará prevenido contra todos os males e, bem orientado, saberá
agir como deve ser.
A
mídia livre e independente que o senhor citou, que é a internet, já dispõe de
recursos bem inteligentes para identificar os seus bandidos e piratas que
infernizam o tráfego de informações, perturbando muita gente. Estamos vendo aí
muita gente ser presa por prática de pedofilia, tráfego de drogas, desvios de
dinheiro de caixas eletrônicos, calúnias e difamação atrás dos modens. O DEIC
de São Paulo, por exemplo, está equipadíssimo para isto e trabalhando com uma
eficiência extraordinária. Não será preciso restringir a liberdade da internet
não.
De
fato está chegando no Ponto Limite e o povo está percebendo isto.
Lutemos juntos, brigadeiro Frota, eu, o senhor, os diversos
políticos honestos que existem no Congresso Nacional (graças a Deus ainda
existem muitos), a imprensa e, sobretudo, o povo brasileiro para uma revolução
inteligente, sem armas que torturam e matam inocentes, que é tudo o que
a nossa gente quer.
Com votos de paz e harmonia sempre.
Respeitosa e lucidamente.
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
O PONTO LIMITE
Ten.-Brig.-do-Ar
Ivan Frota *
A Nação assiste,
estupefata, a um calamitoso processo de desmoralização do Executivo e do
Legislativo que, por certo, se agravará com a instalação de diversas CPI para
investigar casos de corrupção explícita intestina em tais componentes dos
poderes da República. Essas investigações irão ressuscitar alguns e levantarão
outros escabrosos acontecimentos que foram
jogados para baixo
do tapete,
a duras penas.
Nesse triste
contexto, a insatisfação das Forças Armadas atinge um elevado patamar de
intolerância, com a expectativa frustrada de providências governamentais
objetivas no sentido do atendimento de seus direitos, uma vez que todos os
caminhos regulares já foram percorridos na tentativa de sensibilizar as
autoridades.
A dimensão dessa
indignação pode ser aferida, não só, pelos vários posicionamentos da cúpula
militar – Ministro da Defesa e Comandantes Militares, – em defesa dos pleitos
de suas corporações, como pelos fatos inusitados que surgiram no decorrer do
tempo: humilhantes movimentos,
historicamente inéditos,
que continuam até hoje, de esposas de militares que têm de se expor em vigília
pública permanente; a
mídia livre e
independente
da Internet, que abarrota as caixas postais dos assinantes
militares e simpatizantes com freqüentes, variadas e violentas manifestações,
inclusive de oficiais generais inativos; e movimentos de militares menos
graduados, alguns em plena atividade, que já começam a surgir, remetendo-nos a
lamentáveis episódios de outras épocas – todos inconformados com o desrespeito
traduzido pela explícita desatenção do Governo com a Instituição Castrense.
As
características do contencioso, em que a
autoridade federal
faltou com a palavra empenhada,
denotaram um ato de leviandade irresponsável ou uma flagrante
desconsideração ao destinatário do compromisso firmado. Ambas as hipóteses,
gravemente comprometedoras para os dirigentes nacionais.
Revoltados com
esse estado de coisas, surgiram também pronunciamentos contundentes de
personalidades isentas e não ligadas aos militares – intelectuais, formadores
de opinião e, mesmo, antigos militantes extremados, que hoje repudiam o
radicalismo que esposaram no passado e demonstram inconformidade com o injusto
tratamento que tem sido dado à Família Militar.
O pretexto dos
Ministérios da Fazenda e do Planejamento de inexistência de recursos
orçamentários para garantir a complementação do modesto socorro salarial aos
militares, nunca foi novidade, nem surpresa para ninguém, porque a LDO/2005
foi aprovada com essa omissão, sem que tivesse havido qualquer esforço público
conhecido, do Executivo, para instituir tal provisão. É óbvio que este foi um
"jogo de cartas marcadas" que só poderia ter motivação política revanchista.
O que está em
foco, portanto, não são somente seus
direitos salariais
não atendidos, embora seja esta uma questão crucial para a
Família Militar, mas, sim, a
dignidade
das
próprias Forças Armadas de TAMANDARÉ, CAXIAS e EDUARDO GOMES que, devido à
publicidade já dada ao tema, suscita sérias dúvidas na Sociedade, quanto ao
respeito que se dão a si mesmas, ao aceitarem ser tratadas como grupo social
de segunda classe.
Nesse ambiente
governamental confuso e sem controle, onde prolifera o odor nauseante dos
desmandos e dos conchavos de corrupção, a Nação já está dando mostras de que
não confia mais nos quadros que detêm o Poder, sendo que a surpresa inicial já
se transformou em triste desengano, onde nem o excepcional carisma pessoal de
Luiz Ignácio Lula da Silva poderá resistir a esse fantástico desastre
político.
Assim, o País
haverá de estar alerta para adotar um comportamento preventivo, a fim de
evitar que setores desesperados com a perda do Poder possam lançar mão de
alianças espúrias com entidades nacionais radicais, numa tentativa de
conquistar apoio das massas populares menos informadas e, assim, conseguir
recuperar força política para aplicação em eventuais ações sociais extremadas,
sob o "guarda chuva" político da liderança e do carisma do Presidente.
Tudo isso soa de
forma muito estranha. Quais seriam os verdadeiros objetivos de todos esses
acontecimentos? O que pretenderiam determinados grupos de pessoas encasteladas
no Governo? Levar o País ao caos, novamente? Poderia estar em marcha um
maquiavélico plano de desestabilização institucional com vistas à implantação
de uma ditadura
neocomunista,
com o apoio de movimentos sociais radicais?
E a recente
nomeação de uma ex-guerrilheira para a chefia da Casa Civil, chamada pelo
ministro que sai de –
"minha camarada de
armas"
–
que significado teria? Esperemos que seja somente figura de retórica, apesar
do histórico extremado e revolucionário da personalidade que ocupa agora esse
vital cargo.
Saibam,
entretanto, os eventuais aventureiros, de hoje e de outras épocas, que as
Forças Armadas, estarão vigilantes,
do lado da lei e
da ordem,
como historicamente sempre o fizeram, para, se necessário, mais uma vez,
impedir que se instale o definitivo descontrole das instituições nacionais –
estratégia, possivelmente, perseguida por irresponsáveis
inocentes úteis
domésticos, bem como por alguns interesses internacionais.
Esteja tranqüilo
o Povo brasileiro. Não serão míseros 23% de salário que desviarão os militares
de sua nobre destinação, apesar de se sentirem, neste momento, abandonados e
desconsiderados pelo Governo Federal e por seu Comandante Supremo.
A verdade, porém,
é que estamos chegando muito próximo do PONTO LIMITE e, este alcançado, tudo
poderá acontecer. As insanidades de alguns atingiram um perigoso nível de
ebulição, comprometendo gravemente a estabilidade nacional.
Não dá mais para
protelar a adoção, pelo Presidente, de um posicionamento enérgico e decidido
para demonstrar à Sociedade que, finalmente, reassumiu as rédeas do Estado
Brasileiro. Ele precisa reconhecer que aconteceram sérios deslizes em setores
públicos federais, abandonando a dúbia posição de tentar justificá-los. Se
houver fraqueza nessa atitude, aí, sim, a pessoa do Presidente poderá se ver,
perigosamente, envolvida nesses lamentáveis acontecimentos.
* - Presidente do
Clube de Aeronáutica
Rio de Janeiro, 23 de junho de 2005.
Em seguida
a Resposta do Brigadeiro à minha carta
Presidente CAER disse:
Caro
companheiro.
Ao escrever o artigo - O ponto Limite - em nenhum momento
pensei em provocar revoluções armadas e, sim, em preveni-las e evitá-las,
antes que seja tarde demais. Os incendiários são alguns membros do atual
governo que, ao invés de trabalhar pelo País, somente pensaram em se
locupletar com o dinheiro do povo.
Estamos alertando a Sociedade nacional. Cuidado com eles! Não
se conformarão com a perda do Poder e poderão partir para aventuras
desesperadas.
Este é o nosso brado de alerta!
Cordialmente
Ivan
Frota.