São Paulo, 13 de maio de 2005.
De: Alamar Régis Carvalho
Para: Rede Globo de Televisão
Produção do JORNAL NACIONAL
Senhores redatores:
Na noite de ontem, 12 de maio, vocês apresentaram uma reportagem para o Brasil, a respeito da lentidão da “justiça” forense do nosso país, mostrando aquela pilha de processos acumulados, alguns durando anos, sem que os senhores juízes tenham tempo para apreciá-los, já que, conforme vocês disseram, cada juiz recebe uma média anual de 8.621 casos.
Eu gostaria que os senhores fizessem uma retificação nessa notícia, de preferência na edição de hoje, sexta-feira, do mesmo jornal.
Tenho certeza absoluta de que a Rede Globo, pela sua credibilidade, pela coragem que tem tido em denunciar tanta cachorrada e “sem vergonhice” neste País, vai atender ao meu pedido, que neste momento está sendo dado conhecimento a alguns milhares de outros brasileiros, por esta outra mídia chamada internet.
A retificação é a seguinte:
A justiça brasileira é lenta para o cidadão comum, para as pequenas e micro empresas, mas para os bancos, as telefônicas e as mega empresas ela é agilí$$ima, eficientí$$ima, $uper dinâmica e não tem acúmulo nenhum de processo.
Duvido que nesse universo de 8.621 processos, que vocês dizem caber a cada juiz, tem, pelo menos um, de autoria e interesse de um banco, uma administradora de cartão de crédito, uma telefônica ou uma financeira que tenha ao menos seis meses no fórum. Duvido!!!!!!!!!
Retifiquem, senhores redatores do Jornal Nacional, que quando a necessidade de sentença é de interesse de um banco, o juiz despacha de onde ele estiver: do sítio, da rede, da mesa da praça de alimentação de um shopping center, da praia, à beira da piscina, nas sociais do estádio de futebol, enfim, para os interesses dos bancos não há lentidão nenhuma. Sempre há um MERETÍ$$IMO ou uma MERETÍ$$IMA a disposição.
Retifiquem, amigos do Jornal Nacional, que sempre têm disponíveis tantos quantos oficiais de “justiça” se fizerem necessários, para atender com a máxima urgência, qualquer ação de interesse dos bancos, e que esses oficiais de “justiça” não criam o menor caso quando têm que trabalhar de noite, em feriados, em finais de semanas, com chuva ou com sol, em deslocamentos para outras cidades, por mais distantes que sejam. Ele$ e$tão $empre pronto$ para o cumprimento do $seu dever.
Retifiquem, prezados amigos, e acrescentem que os mais influentes e caros advogados, das diversas cidades do País, contratados pelos bancos, têm influências nos cartórios, exercem esses podere$, sem problema algum, e não têm a menor dificuldade em ver qualquer processo de intere$$e de banco pa$$ar na frente de qualquer outro que deveria estar na vez para ser apreciado pelos juízes.
É importante, também, que seja alertado ao ilustre Dr. Aristóteles Atheniense, vice-presidente da OAB, que quem retarda o andamento dos processos não é bem o poder público não, é a falta de recur$o$ do pobre coitado do brasileiro, que não é banco, que não é telefônica, que não é companhia de energia elétrica, que não é administradora de cartão de crédito para para ter direito$ respeitados e e$timular o nosso probo e irretorquível sistema forense.
Para concluir, é bom lembrar a eles que nem todo brasileiro é besta, acéfalo e incapacitado de perceber o óbvio e cristalino.
Com muito carinho e respeito.
Alamar Régis Carvalho – Analista de Sistemas