São Paulo, 21 de agosto de 2005.

 

De: Alamar Régis Carvalho

Ao: Exmo. Dr. Antonio Palocci Filho

DD. Ministro da Fazenda

E-mail: gabinete.df.gmf@fazenda.gov.br  

 

 

 

            Senhor Ministro:

 

            Acompanhei atentamente, pela televisão, as duas horas e dez minutos de entrevista coletiva que V. Excia. deu à imprensa neste início de tarde de domingo, e tenho aqui uma pergunta a lhe fazer, bem como a todo o Governo Federal, Executivo, Legislativo e Judiciário; pergunta esta que não consigo entender porque nenhum jornalista formula.

            Não tenho formação acadêmica em Psicologia, senhor Ministro, mas sou estudioso de Freud, Jung e Adler, o que me dá uma experienciazinha que permitiu-me observar bem, pelas suas palavras, expressões, ritmo, conduta, educação e trato com os entrevistadores, que o senhor é um homem equilibrado, sensato e seguro no que diz, ao contrário do que dá para perceber em vários outros interrogados nas CPIs, que vem acontecendo ultimamente, onde se nota claramente muita mentira e muita teatralização. Sou Analista de Sistemas e, por força da profissão no exercício de programar computadores, procuro aplicar a lógica em todas as situações.

            Não sou adepto de partido político nenhum, porque não vejo a menor utilidade em nenhum deles. Voto em homens, sobretudo dignos, jamais em rótulos.

            Apesar desta impressão positiva que tive a seu respeito, permita-me fazer a pergunta que me está atravessada na garganta:

            Como o senhor, o governo federal e os elementos do congresso nacional pretendem convencer ao povo brasileiro de que não há mensalão, por parte dos bancos, das empresas de telefonia, das operadoras de cartões de crédito e outras poderosas, para “molhar a mão” dos senhores deputados, (quem fazem as leis), e de muitas autoridades, partindo do princípio que eles fazem o que querem, agridem escandalosamente a Constituição, promovendo as maiores desgraças neste país, sem que ninguém fale nada, inclusive a imprensa?

            Eu fico impressionado com a “ingenuidade” dos membros das comissões das CPIs, que se manifestam desejosos de saberem de onde vem o dinheiro que passa pelas mãos dos senhores Marcos Valério e Delúbio, para alimentarem os tais mensalões, e não passa pela cabeça deles aquilo que é óbvio. Não sei se eles são ingênuos mesmo ou se estão se fazendo de bobos, para passar atestado de idiota ao povo brasileiro.

            Analisemos bem, senhor Ministro Palocci:

            Tanto o senhor como o ex-ministro Malan, afirmam que os juros altos existem por interesse da Nação, para coibir a inflação.

            É claro que nenhum brasileiro sensato quer ver falar em inflação alta, já que dos males este é o pior.

            Todavia pergunto ao senhor e também ao ex-ministro Malan, pra deixar bem claro que este meu manifesto não visa apenas criticar este que se chama de “governo Lula”:

            Se a prática do juro alto é de interesse da Nação, porque o excesso desses juros cobrados vão para os bancos e não para os cofres públicos?

            Por que ninguém mexe nisto, neste País? Por que os senhores deputados e senadores não fazem nada em relação a isto? Por que a imprensa não enfoca este aspecto?

            Veja bem, senhor Ministro:

            Suponhamos que a prática do juro normal e sensato fosse praticada no Brasil, sem prejuízos ao processo inflacionário, e que as operações bancárias gerassem, por exemplo, juros de 3% (três por cento) ao mês, o que já seria bom demais para os bancos e operadoras de cartões de crédito.

            Mas não é assim e pratica-se 14% (quatorze por cento), 16% (dezesseis por cento) e até 18% (dezoito por cento) ao mês, praticando-se até o que se chama de “juro sobre juro”, sem que o governo fale nada.

            Se, de fato, esse exceto de juros fosse mesmo para o bem do País, para evitar a inflação alta, não seria mais sensato que de um índice de 14%, por exemplo, deixassem os 3% para os bancos, o que seria aceitável já que o negócio deles é vender dinheiro, e os outros 11% (onze por cento), de excesso, fossem recolhidos aos cofres públicos?

            Por que não é assim, senhor Ministro?

            Será que todos os brasileiros são idiotas, por ficarem em duvida sobre a origem do dinheiro do mensalão, ao saberem que no ano de 2004 tivemos os seguintes valores em LUCROS dos três principais bancos:

            Itaú – R$ 3.775.000.000,00 (três bilhões setecentos e setenta e cinco milhões de reais)

            Bradesco – R$ 3.060.000.000,00 (três bilhões e sessenta milhões de reais)

            B. Brasil – R$ 3.024.000.000,00 (três bilhões e vinte e quatro milhões de reais)

            E também que, só no primeiro semestre deste ano de 2005, os LUCROS destes bancos foram:

            Bradesco – Mais de dois bilhões e seiscentos milhões de reais.

            Itaú – Mais de dois bilhões e quatrocentos milhões de reais.

            Brasil – Mais de um bilhão e novecentos milhões de reais.

            Isto dá um demonstrativo de que, ao final de 2005, eles terão lucros não apenas na casa dos 3 bilhões, como foi em 2004, mas na casa dos 5 bilhões de reais, crescendo cada vez mais à custa da desgraça do povo e das pequenas empresas brasileiras.

            Por que ninguém fala nada sobre isto, senhor Ministro? Por que não se vê um deputado, sequer, levantar a voz contra isto? Por que nem a própria imprensa denuncia este abuso?

            E ainda querem fazer crer ao povo brasileiro que não sabem de onde vem o dinheiro do mensalão?????

            Analisemos agora as concessionárias de telefonia, fixa e móvel.

            Quem conhece a tecnologia que elas utilizam, sabe muito bem que ela não gera custos tão elevados assim para justificar tanto aumento de tarifa. A sua mão-de-obra não recebe qualquer aumento de salário, que seja superior aos índices normais que recebem as demais classes de trabalhadores, a sua matéria prima não é cara, o consumo de energia elétrica, graças à tecnologia digital, é cada vez menor; a necessidade de mão-de-obra humana é cada vez menor, graças à automação dos serviços.

            Só para o brasileiro comum ter uma idéia do custo dessas operadoras, devo dizer que é semelhante aquele custo que a gente tem para engordar os peixes que estão nos mares e nos rios, custos de vacinação periódica para eles (você já viu peixe ser vacinado?), custo de rações e de veterinários, custo de funcionários para tratar deles, desde o nascimento até o crescimento em condições de serem pescados, para o seu quilo custar tão caro quanto um quilo de carne.

            A tal “assinatura mensal” que as concessionárias de telefonia fixa cobram de milhões de brasileiros, geram para elas mais de 2 bilhões de reais, DE LUCRO, por mês. Há anos que eu ouço essa conversa de que o Ministério das Comunicações vai acabar com essa cobrança absurda e inconstitucional e não consegue nunca acabar. Tem sempre algum desembargador para entrar com uma liminar que garante a continuidade da cobrança e deputado nenhuma fala absolutamente nada, autoridade nenhuma tomar qualquer providência, ficando tudo do mesmo jeito.

            Agora surgiu um novo papo de que, mais uma vez, o governo determinou o fim desse roubo. Até quando? Não apareceu a liminar ainda? Vamos acompanhar.           

            Por que as operadoras de telefonia impõem os aumentos que querem, e ninguém fala nada, senhor Ministro?

            E ainda querem fazer crer ao povo brasileiro que não sabem de onde vem o dinheiro do mensalão??????

            Falemos agora sobre os pedágios das estradas.

            O senhor é de Ribeirão Preto, Ministro, e sabe que de lá até a capital, São Paulo, existem uns dez pedágios. Provavelmente já deve ter andado várias vezes pela Anhangüera, Castelo Branco, Bandeirantes etc..., de carro, e prestado atenção no tipo de custo que a manutenção de uma rodovia dessa deve ter, já que o senhor é um homem inteligente.

            Pelo amor de Deus, senhor Palocci, qual a justificativa para tanto aumento de tarifa de pedágios, neste país?

            Existem mais exemplos e eu não quero tornar esta correspondência grande demais, para não tomar o seu tempo nem dos milhares de amigos que tenho pela internet que, certamente, lerão a cópia desta carta que estou enviando ao Ministro da Fazenda.

            Só peço que o senhor responda, em complemento a entrevista coletiva que deu hoje à imprensa do País, se o amigo ainda tem dúvidas de onde vem o dinheiro do tal mensalão. 

            Leve em frente, Ministro Palocci, a idéia que o senhor disse hoje, na grande entrevista, que tem o maior interesse em que tudo seja investigado, que tudo seja apurado e esclarecido, porque tem muita lama a ser limpa e o Brasil está esperando, meu irmão.

            Agradeço pela atenção, se é que vão deixar este Email chegar ao seu conhecimento... pelo menos vai chegar ao conhecimento de alguns milhares de brasileiros... e fico na expectativa de alguma resposta.

 

                        Patrioticamente.

 

 

                        Alamar Régis Carvalho

                        Analista de Sistemas

                        alamar@redevisao.net

                        Santos - SP