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São Paulo, 25 de agosto de 2005.
De: Alamar Régis Carvalho Ao: Exmo. Sr. Senador Renam Calheiros - renan.calheiros@senador.gov.br Presidente do Senado. Exmo. Sr. Deputado Severino Cavalcanti - dep.severinocavalcanti@camara.gov.br Presidente da Câmara Federal Assunto: Falta de respeito no Parlamento Federal
Senhores Presidentes:
Já que não quero ser um brasileiro desinformado, há muito tempo tenho o hábito de assistir, de vez em quando, a TV Senado e a TV Câmara, onde temos oportunidade de ver alguns parlamentares notáveis (raros) proferindo discursos, ao mesmo tempo em que assistimos, também, a outros profundamente imbecis, utilizando as mesmas tribunas, o que requer de qualquer telespectador desses canais muita paciência e tolerância para agüentá-los. Há três anos atrás, mais ou menos, enviei carta aos presidentes dessas duas casas, protestando veementemente contra a falta de educação, de ética, de postura e de bom senso de muitos senadores e deputados federais, absolutamente indiferentes em relação aos seus próprios colegas, ao verificar que quando um estava utilizando a tribuna, naturalmente apresentando alguma proposta de interesse da Nação, haja vista que este é o papel dos senhores, os demais que ocupavam o plenário, quase sempre vazio, liam jornais, falavam ao telefone celular, mantinham conversas paralelas, davam gargalhadas e outros entravam e saíam... enfim, demonstrando claramente que estavam absolutamente desligados em relação ao que acontecia na casa. Na época as câmeras dessas televisões costumavam, também, focar os que estavam na platéia. Não recebi nenhuma resposta à correspondência enviada, obviamente por ter sido considerado apenas um, no universo de milhões de brasileiros. Mas enviei cópia da carta, por E-mail, para milhares de pessoas que fazem parte da minha agenda, como faço agora novamente, e muitas delas também passaram a enviar os seus E-mails para essas presidências e para os senhores parlamentares, endossando o meu protesto e cobrando posturas. Só sei que a partir de uns quinze dias depois, mais ou menos, nunca mais os câmeras da TV Senado e da TV Câmara focalizaram os parlamentares da assistência, para que o povo brasileiro não pudesse mais continuar vendo essa pouca vergonha, que é o comportamento dos homens que se dizem seus representantes, que deveriam dar um exemplo diferente. Surtiu efeito. Depois disto fui à Brasília, umas três ou quatro vezes e, toda vez que visito a Capital Federal tenho um hábito de dar um jeitinho para visitar o congresso, assistindo as plenárias, comprovando que a coisa continua exatamente do mesmo jeito, as mesmas indiferenças, as mesmas faltas de educação, o mesmo desrespeito dos senhores uns em relação aos outros. Ultimamente, assistindo a esses canais, embora não enfoquem mais as indiferentes e mal educadas platéias, para que o vergonhoso comportamento não seja mais visto pelo público telespectador, a gente consegue ouvir, quando um senador ou deputado está discursando, os telefones celulares tocarem, as conversas paralelas e as gargalhadas fora do contexto, haja vista que os microfones aí instalados são de alta sensibilidade e até mal regulados, uma vez que reproduzem até a respiração, muitas vezes ofegantes, dos oradores. Quando o ilustre Senador Pedro Simon fala, então, é um caso sério pra gente escutar, haja vista a sua respiração pesada, talvez por conseqüência do fumo, o que requer cuidados especiais na regulagem desse sistema de som pelos respeitáveis operadores da televisão. Diante deste quadro, senhores Presidentes, “pela ordem”, permitam-me dar algumas sugestões:
Prestar atenção aos discursos dos seus colegas é o mínimo de obrigação que cada parlamentar têm, já que nessas casas os senhores decidem o destino do povo brasileiro, daí os senhores podem decidir até por envolver o país em guerra, promovendo a morte de milhares de jovens brasileiros e levando muitas famílias ao desespero e ao sofrimento, como faz o maluco e insensato do George Bush nos Estados Unidos. Se os senhores não prestam atenção nos projetos e propostas que são apresentadas, em condições de questionar, tirar dúvidas, pedir maiores explicações e esclarecimentos ao seu autor, a fim de entenderem bem a idéia, como poderão ter condições de aprovarem ou reprovarem? Segundo as conveniências do partido? Quais são as cabeças do partido que estarão prestando atenção, quando o autor está apresentando a idéia? Será que dedicam alguma atenção também a essas tais “cabeças” do partido, quando a idéia é repassada aos senhores? Será que o “repassador” transmitirá com fidelidade e honestidade o pensamento do autor? Por isto peço que reflitam, senhores presidentes, quanto a responsabilidade que os senhores têm perante a Nação. Essa indiferença, essa falta de ética, de postura e de respeito que os parlamentares praticam em relação aos senhores mesmos, além de ser uma tremenda falta de educação, representa enormes prejuízos para o País e, em muitos casos, pode trazer conseqüências danosas à Nação, já que muita proposta boa pode ser recusada e muita proposta nociva ao povo pode ser aprovada. Neste momento de crise moral que a política brasileira enfrenta, é hora dos parlamentares sensatos, antes de apontarem os dedos e proferirem palavras enérgicas contra aqueles que estão enlameados, aproveitarem para momentos de reflexões nos seus próprios comportamentos, levando em consideração que: Nem todo brasileiro é trouxa! Nem todo brasileiro é idiota! Os senhores estão sendo observados, de Norte a Sul do País.
Patrioticamente.
Alamar Régis Carvalho Analista de Sistemas |