São Paulo, 24 de setembro de 2005.

De: Alamar Régis Carvalho
Ao: Exmo. Sr. Carlos Velloso
DD Ministro do Tribunal Superior Eleitoral

Email: presidencia@tse.gov.br

 

            Cópia: Toda imprensa do Brasil
                    Mais de 30.000 pessoas da minha agenda pessoal
    

           

            Senhor Ministro:

            Sou Alamar Régis Carvalho, analista de sistemas, possuidor de considerável experiência, ao longo de alguns anos no processamento de dados de várias eleições, além do desenvolvimento de sistemas de informatização no serviço público: Secretaria de Segurança Pública, Polícia, Tribunal de Contas, Prefeituras... etc...

            No Estado do Pará, por mais de uma década, fui o responsável pelo processo de automatização de diversas eleições, para a TV Liberal, canal 7, atendendo aquele projeto extraordinário que a Rede Globo realizava em todo o País, durante alguns anos, quando a eleição oficial ainda era feita no antigo método das cédulas de papel depositadas nas urnas, quando apresentávamos para o Brasil os números totais em 4 a 5 dias, enquanto o processamento oficial concluía apenas quase um mês depois. Chegamos, certa ocasião, a ser considerados pelos amigos da Central Globo de Informatização como o segundo estado em eficiência no país. 

            Através deste documento, enviado à V. Excia. com cópia para a imprensa nacional e para mais ou menos umas 30.000 pessoas da minha agenda pessoal, venho formalizar este documento não como objetivo de denunciar, mas com objetivos de alertar a esse egrégio Tribunal acerca da probalidade de falhas, inclusive fraudes, nas apurações das eleições deste país.

            Reconheço que o atual processo eletrônico das eleições no Brasil representa um avanço, um marco de eficiência e uma tecnologia admirada até por países de primeiro mundo, como o próprio Estados Unidos que, por incrível que pareça, ainda não tem um eficiente sistema de apuração, semelhante ao nosso.

            Não resta a menor dúvida de que o nosso TSE hoje é merecedor de aplausos.

            Todavia, permita-me senhor Ministro, com todo respeito que são merecedores os profissionais de informática, colegas, desse Tribunal: O sistema está sujeito a falhas e até a FRAUDES.

            A minha preocupação talvez pudesse ser desnecessária, fosse este um país sério. Todavia, diante da pouca vergonha e do descaramento que a Nação vem presenciando, pela irresponsabilidade de homens do mais alto escalão da classe política, homens que decidem os destinos do País, envolvidos em escândalos altamente divulgados ultimamente, não tenha a menor dúvida de que algo muito bem montado, dentro da mesma política do mau caratismo, possa ocorrer no processamento de dados das nossas eleições, sem que mesmo o senhor saiba.

            Desculpe-me, mas não duvido que já tenha ocorrido.

            Não quero com este alerta acusar todos os profissionais de informática do TSE como corruptos, safados ou imorais, nem mesmo o Analista de Sistemas que provavelmente deve ser o Diretor do Centro de Processamento de dados desse Tribunal. Nem precisaria que todos fossem safados, bastaria que apenas um dos programadores, com acesso aos programas fontes do sistema, se deixasse contaminar pelas ações dos “Valérios”, dos “Delúbios” e de outros podero$o$ do cenário nacional, para que o sistema de apuração, de forma muito sutil, apresentasse resultados fraudados.

            Conforme o senhor deve saber, as técnicas de programação de computadores podem ser utilizadas de todas as formas, tanto para o bem quanto para o mal, haja vista aí os conhecidos vírus que o mundo inteiro conhece, que promovem prejuízos de bilhões de dólares; a invasões de computadores dos bancos e até mesmo do pentágono dos Estados Unidos, sem que isto tenha um controle definitivo.

            Permita-me uma ilustração.

            O senhor já deve ter ouvido falar na estratégia sem vergonha que foi muito utilizada dentro de bancos, creio que ainda deva ser utilizada (não posso afirmar com certeza), podendo assegurar apenas que é absolutamente possível, quando alguém faz um “programinha” que retira, por exemplo, R$ 0,80 (oitenta centavos) da conta de todos os correntistas, sob um título qualquer no extrato, para creditar na conta de um sem vergonha qualquer, certo de que 99,9% dos clientes não reclamam nunca da subtração de “apenas oitenta centavos”, por ser uma quantia que na avaliação natural é muito irrisória e não vale a pena se deslocar a uma agência bancária, enfrentando perda de tempo, trânsito, às vezes pagando estacionamento e espera para atendimento do gerente para reclamar por um valor tão insignificante, o que poderia ser resolvido com um simples pedido de desculpas do gerente e o estorno do valor à conta.

            Na somatória de milhares de contas, o beneficiário se dá muito bem, engorda o seu patrimônio à custa de incautos, e ninguém reclama por causa da sutileza como a coisa é feita.

            Por que algo semelhante não poderia ocorrer nos programas do TSE?

            Bastaria que eu, como programador, enviasse ao computador uma linha de comando no programa para que pegasse um voto, apenas, aleatoriamente, de cada urna, independentemente de quem seria o eleitor, e somasse para um determinado candidato.

            Ninguém iria desconfiar de nada, ninguém iria reclamar de nada e tudo aconteceria às “mil maravilhas”.

            O dia que isso fosse descoberto, sabe quem iria ser responsabilizado e acusado de corrupto e safado pela imprensa e pelo País? O senhor, seu Ministro!

            É sempre assim. Esposas roubam em prefeituras, filhos roubam, assessores roubam, secretários roubam... mas para o público, sem capacidade de proceder análises profundas das coisas, o corrupto e safado é somente o prefeito, ninguém mais que o prefeito, que muitas vezes nem sempre é desonesto. Já vi este filme várias vezes.

            Afinal, qual a minha proposta?

            Sugiro ao senhor que determine alterações imediatas no sistema de apuração de eleições no Brasil, de forma que possa permitir a qualquer eleitor, em caráter opcional, verificar se o voto que consta gravado no banco de dados do TSE está computado exatamente para o candidato o qual ele votou.

            Não há complicação nenhuma para fazer isto, não é necessário anos e nem meses de estudos para que esta alteração seja feita, não implica em custos extras elevados, não há fator de dificuldade absolutamente nenhuma para que isto seja feito. Só mesmo muita má vontade e interesses outros para ser contrário a esta proposta. Do ponto de vista técnico, repito, não tem dificuldades.

            Bastaria que se divulgasse no País, nessas inúmeras propagandas gratuitas que o TSE faz em rede nacional, convidando os eleitores que desejarem conferir os seus votos nas eleições, que vão ao TRE a fim de manifestar esse interesse. Não seria obrigatório, porque muita gente pode querer continuar tendo o seu voto do jeito que está.

            Eu, por exemplo, não tenho dificuldade nenhuma em divulgar para quem eu votei, jamais estarei comprometido com qualquer candidato ou partido e não faço qualquer sigilo sobre esta informação. Eu seria um desses eleitores que desejaria confirmar os meus votos.

            Durante o cadastramento, seria criada uma senha, como nos bancos, para que o eleitor pudesse entrar no banco de dados do TSE, pela internet, da sua própria casa, entrar com os dados do seu título de eleitor e confirmar se o seu voto foi mesmo pra quem ele votou.

            Se podemos entrar no banco de dados da Receita Federal para ver o nosso CPF, por que não poderíamos entrar no do TSE?

            Sei que o senhor, dentro do bom senso, vai querer consultar os seus homens e assessores especializados para opinarem sobre esta proposta, que talvez possa ser recebida com desdém ou indiferença, como coisa de um brasileiro maluco qualquer, que não saiba o que está dizendo.

            Quero adiantar logo:

            Não é preciso qualquer investimento em novos equipamentos!

            Um disco de computador, capaz de armazenar todos os dados de dez anos de eleições no Brasil, sempre “on line” para consulta do povo, custa hoje menos de mil reais. É sempre bom colocar mais de um, para efeitos de “backup”.

            Que custasse 10 mil reais; o que representaria isto para o TSE?

            E tem outra coisa, senhor Ministro, que informo ao senhor, para conhecimento publico,  de todos os jornalistas e homens de imprensa que tiverem oportunidade de ler este meu documento:

            Caso alguém diga que é impossível fazer isto, eu me proponho a ir aí em Brasília e fazer, DE GRAÇA, para o TSE, pelo nosso País, com as seguintes exigências:

1)      Pagamento apenas de passagens, estadia para Brasília, além de alimentação.

2)      Acompanhamento do meu trabalho, pelas câmeras de televisão e por jornalistas, a fim de evitar qualquer sabotagem nos bancos de dados, nos computadores onde eu trabalharei, nos sistemas de energia elétrica e em tudo aquilo onde as estratégias mafiosas possam atuar para que a coisa não dê certo.

 

Aproveito a oportunidade para sugerir a todas as pessoas, da minha agenda e de outros E-mails para onde esta mensagem certamente será retransmitida, que são da área da informática, Analistas de Sistemas e Programadores experientes, que também se manifestem ao senhor Ministro, (presidencia@tse.gov.br) caso também estejam dispostos a colaborar com a Nação. 

Certo de que o senhor apreciará este meu documento, com a melhor consideração,  agradeço pela atenção e fico na expectativa do seu parecer,

Patrioticamente.

 

            Alamar Régis Carvalho
            Analista de Sistemas
           
alamar@redevisao.net
            www.alamar.biz