Gerundismo ridículo
Uma mania que contamina o Brasil


Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net

             Este material que encaminho a você não é de minha autoria. Foi-me enviado pela amiga Fátima Lacerda, por esta internet, que também trafega muito E-mail interessante, e achei por bem retransmitir para os meus amigos, tamanha a dimensão que esta praga está se propagando pelo país inteiro, já que, lamentavelmente, o pessoal de treinamento de recursos humanos das grandes empresas, das lojas, dos bancos e das telefônicas no Brasil parecem carentes de personalidade e identidade própria, obrigando-se sempre a imitarem o que “os outros estão fazendo”, sem se darem conta do ridículo.

            Para a sua apreciação:

"Manifesto antigerundista"


Lembremo-nos da seguinte regra gramatical: o gerúndio NUNCA vem depois de um verbo no infinitivo.

          Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando (recortar), estar imprimindo (imprimir) e estar fazendo (fazer) diversas cópias, para estar deixando (deixar) discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando (falar) sem estar espalhando (espalhar) essa praga terrível que parece estar se disseminando (disseminar-se) na comunicação moderna, o gerundismo.

         Você pode também estar passando (passar) por fax, estar mandando (mandar) pelo correio ou estar enviando (enviar) pela Internet. O importante é estar garantindo (garantir) que a pessoa em questão vá estar recebendo (receba) esta mensagem, de modo que ela possa estar (esteja) lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta (se dar conta) da maneira como tudo o que ela costuma estar falando (falar) deve estar soando (soar) nos ouvidos de quem precisa estar ouvindo (ouvir). Sinta-se livre para estar fazendo (fazer) tantas cópias quantas você vá estar achando (ache) necessárias, de modo a estar atingindo (atingir) o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.

         Mais do que estar repreendendo (repreender) ou estar caçoando (caçoar), o objetivo deste movimento é estar fazendo (fazer) com que esteja caindo (caia) a ficha nas pessoas que costumam estar falando (falar) desse jeito sem estar percebendo (perceber). Nós temos que estar nos unindo (nos unir) para estar mostrando (mostrar) a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo (existir) uma maneira de estar aprendendo (aprender) a estar parando (parar) de estar falando (falar) desse jeito.

         Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo (seremos) obrigados a estar emigrando (emigrar) para algum lugar onde não vão estar nos obrigando (nos obriguem) a estar ouvindo (ouvir) frases assim o dia inteirinho.

         Sinceramente: nossa paciência tem estado (está) a ponto de estar estourando (estourar).

         Um "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo (ouça) pode chegar a estar provocando (provocar) alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando (me responsabilizarei) pelos meus atos. As pessoas precisam estar entendendo (entender)  a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando (entrar) na linguagem do dia-a-dia do brasileiro.".


            Eu, particularmente, quando me vejo diante de uma telefonista, um atendente de qualquer serviço que fale desta maneira, não abro mão de provocar, tratando a pessoa da mesma forma, para que ela veja o quanto é insuportável uma linguagem desse jeito.

            No momento que ela diz: “um momentinho, meu senhor, vou estar verificando o que está acontecendo com o seu telefone”, eu aproveito e digo também:

            Pois não minha amiga, enquanto você vai estar verificando, eu vou estar aqui esperando, neste momento que você vai estar precisando de um tempo, para estar consultando em seu computador, o que pode estar acontecendo com o meu telefone, ao mesmo tempo que eu vou estar desejando que você tenha sucesso, já que daqui há pouco certamente você vai estar me dando uma resposta. Vou estar aguardando.

            Gente! Os problemas deste País, tanto os grandes quanto os pequenos, como este, só poderão ser resolvidos se o povo começar a agir pra valer. Não adianta esperar por governo, por justiça, por educação por bom senso por coisa nenhuma, temos que fazer a nossa parte já.

            Sugiro que as pessoas comecem também a mostrar a esse pessoal, da forma com eu estou mostrando, o quanto isto é algo inconcebível e ridículo. Fico imaginando como os nossos irmãos, lá em Portugal, deve ver isto que estamos fazendo com o idioma que é deles. Depois dizem que os portugueses é que são burros. Garanto que quando os ouvidos dos atendentes e telefonistas começarem a se saturar com isto, por parte do povo, muita coisa pode mudar. 

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Alamar Régis Carvalho - alamar@redevisao.net  - estou no Orkut e no Gazzag como "alamarregis". Abraços a todos.

 
 

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