A JU$TI$$A BRASILEIRA
Com “bom” advogado tudo se consegue,
Até proteger bandidos, ladrões e
assassinos
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
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Devemos seguir a
lei ou a moral autêntica?
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Nem tudo o que
legal é moral
Estamos assistindo, de forma explícita, clara e muito cristalina, episódios
dos mais vergonhosos da história do Brasil, cujo desfecho dar-se-á não
conforme a Justiça autêntica nem conforme os padrões de Moralidade
também autêntica, e sim conforme a habilidade de advogados.
As
transmissões ao vivo dos depoimentos dos envolvidos nos escândalos de desvios
de milhões e milhões de reais do País, nessa bandidagem sem vergonha que se
revelou, a partir das denúncias do senhor Roberto Jefferson, gostemos ou não
dele, vem prestar uma contribuição muito grande ao povo brasileiro, sobretudo
ao segmento inteligente da população, que está testemunhando tudo, vendo as
caras, as expressões, as características psíquicas que revelam caráter tanto
dos depoentes quanto dos interrogadores. Dá para perceber até as
teatralizações e as colocações ensaiadas.
Sem dúvida alguma é bem melhor assim do que termos que formar as nossas
conclusões apenas com base em reportagens de determinados órgãos da imprensa
de um modo geral, que ninguém sabe quem escreveu, quem editou e quais
interesses foram atendidos.
Agora ninguém vai poder argumentar que é coisa inventada pela Globo, pela
VEJA, IstoÉ, Época, jornal A, jornal B e por qualquer outro veículo de
imprensa. Está sendo escancarada a verdade.
Mas alguma coisa preocupa o brasileiro:
Qual será o final disso tudo? Vai haver, de fato, punição para culpados? Vai
haver devoluções de dinheiro ao erário? Ou vai tudo “acabar em pizza”, como se
costuma dizer?
Eu
tenho a minha opinião, mas não quero externar aqui não; apenas quero tecer
algumas considerações para que todos vejam a que estamos expostos:
Existem Leis no País? Existem sim.
Ótimo, então existe Justiça! Não, lei existe mais Justiça não; o que existe é
ju$ti$$a.
Por que isso?
Por que uma justiça que é conveniente apenas para quem tem dinheiro e
implacável para pobre, não é Justiça nunca, é ju$ti$$a.
Não é preciso você ser psicólogo para perceber a segurança psíquica que alguns
depoentes estão tendo, na certeza que de nada, ou muito pouco, acontecerá com
eles, no desfecho disso tudo, haja vista o batalhão de ADVOGADO$ que
certamente estão trabalhando dia e noite neste histórico e lamentável momento
do País.
Mas Alamar, a coisa está escancarada demais! Não é possível que ninguém vá
para a cadeia desta vez, a indignação nacional é grande demais!
Ir
para a cadeia, certamente, alguém irá. Só que há Cadeia e cadeia.
Será que alguém, neste país, acha que algum desses envolvidos vai parar numa
cela de cadeia semelhante àquelas do Carandiru, que todo o país conhece,
visíveis nos filmes e nos seriados que ora passam na TV?
Se
acha, está em equívoco. Escreva o que estou relatando aqui, guarde e confira
no futuro.
Para as câmeras de televisão, as páginas de jornais e revistas, vai aparecer
que um ou outro foi “condenado” a dez anos de cadeia. Você terá a impressão de
que ele irá para uma cela, categoria Carandiru e que cumprirá mesmo os dez
anos de cadeia. Mas não será assim.
Ele irá para uma prisão especial, por ter curso “superior”... calma, nem todos
cursaram anos de universidade, mas para ter diploma de curso superior no
Brasil, nem sempre é preciso cursar faculdade nenhuma. Eu mesmo poderia ter,
hoje, quatro cursos superiores, se quisesse, e estar aí assinando como
advogado, economista, administrador e bacharel em ciências contábeis. Tive
oportunidade e muita facilidade para isto. Mas não é o caso a analisar aqui.
O
“condenado” nesta CPI certamente ficará nessa “cadeia”, onde terá televisão,
visitas íntimas, comida boa trazida de casa diariamente, com pudim de
sobremesa, e, embora não seja legal, sairá nos finais de semanas, por ser
possuidor de muito dinheiro (na casa dos milhões), haja vista que os
carcereiros e os diretores de presídios são pessoas que ganham muito pouco,
são assalariados, e um agrado gordo muitas vezes vêm na hora certa. Afinal de
contas, sexta-feira a noite ninguém está vendo, domingo é dia morto, tá todo
mundo em casa cansado.
Passarão seis meses ou um ano, no máximo, os advogado$ conseguirão médico$,
(no plural mesmo), que emitirão atestados diagnosticando que ele está com
sérios problemas de saúde, necessitando “urgentemente” de internamento e,
certamente, sairá da prisão para uma “clínica”, onde terá um conforto bem
maior. O tratamento naquela clínica durará meses, porque não haverá interesse
nenhum na alta do “paciente”. Os exames mostrarão arritmia no coração,
distonias neuro vegetativas, colesterol e triglicerídios altos, albumina, PSA,
TGP e TGO alterados... enfim, necessita de tratamento sério.
Nessas alturas o povo brasileiro começa a esquecer tudo, a impressa
certamente se ocupará de novos assuntos jornalísticos que estarão na moda,
porque é sempre assim.
Aí
os advogado$ entrarão com pedido de prisão domiciliar, alegarão o tal “bom
comportamento”, o tal “réu primário” e certamente serão atendidos por alguns
juíze$ e de$embargadore$ prontamente.
Questionemos: Prisão domiciliar é punição para alguém que conseguiu aumentar o
seu patrimônio e o dos seus familiares e parentes em montantes tão elevados,
na casa dos mihões, que lhes podem dar segurança até vitalícia?
Só
idiota para acreditar que seja.
Talvez algum dos meus amigos, que são advogados, promotores, juízes,
desembargadores ou qualquer outro profissional da área forense, questione-me
dizendo que a coisa não é bem assim!!!
Aí
eu pergunto: Os milhões que foram desviados das obras magistral edifício do
Tribunal do Trabalho de São Paulo, foram devolvidos aos cofres públicos? Onde
estão os responsáveis pelos desvios, principalmente o responsável maior?
O
país inteiro sabe a resposta. Não vou dar outros exemplos para a matéria não
ficar grande demais, além do que já está. Tenho certeza de que o próprio
leitor fará a mesma pergunta em relação a inúmeros outros casos e
naturalmente encontrará as respostas.
A
grande realidade, meu amigo e minha amiga, é que quem tem dinheiro não tem
nada a temer no Brasil. Esses desvios só aconteceram agora porque os seus
autores vêm observando, há muito tempo, o que tem acontecido com outros que
desviaram milhões no País, e têm a certeza do seguinte:
Roubar milhões é um EXCELENTE NEGÓCIO no Brasil!!!
Tendo milhões, você faz o que quer.
Quem não se lembra do empenho do advogado que recentemente
estava no tribunal do Rio de Janeiro defendendo os traficantes que
assassinaram o jornalista Tim Lopes, tentando convencer a todos que eles são
homens de bem, honestos, bonzinhos e íntegros?
Tem advogado para defender aquela garota que assassinou os
próprios pais, de forma fria, covarde, estúpida e extremamente cruel. Ela está
em liberdade, gente!!! Que país é este???
Mas leve-se em consideração que ela é muito rica, a herança é
toda dela, esse advogado não terá a menor dificuldade para “legalizar” tudo
isso que, vendido, resultará em um bom dinheiro (sempre o dinheiro).
Tem advogado para conseguir a liberdade do jornalista do
Estadão que assassinou, também de forma covarde e cruel, a sua namorada,
convencendo aos juízes que ele é quem é a vítima.
Tem advogados para conseguir a liberdade dos filhos dos ricos
paulistas que assassinaram aquele jovem nissei que foi morto na piscina,
naquele ridículo trote de universitários. Lembra?
Tem advogados para conseguir liberdade para os monstros que
assassinaram, queimando, o índio em Brasília.
Tendo dinheiro, toda ju$ti$$a será sempre feita.
Há uns três meses atrás o Jornal Nacional mostrou ao Brasil uma
matéria enfocando a lentidão da “justiça” brasileira, falou na
quantidade excessiva de processos para cada juiz e mostrou uma série de razões
para esta lentidão.
Inconformado, eu mandei imediatamente uma carta para a Globo,
dirigida à editoria do mesmo Jornal Nacional, como também para os editores do
Fantástico e do Globo Repórter, (que não são os mesmos jornalistas),
aproveitando a oportunidade também para mandar para toda a imprensa brasileira
(VEJA, IstoÉ, Época, O Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Jornal do Brasil,
Jornal de Brasília, Correio Brasiliense,...) e inúmeros radialistas, os mais
famosos e abrangentes do Brasil, informando o seguinte:
“A notícia que deve ser dada não é bem assim. De fato a justiça
brasileira é lenta, mas para quem não tem dinheiro. Quando o
processo é de interesse de um banco, de uma operadora de cartão de crédito,
concessionária de telefones ou qualquer mega empresa ela é SUPER VELOZ.
Quem quiser que confira em qualquer fórum, de qualquer cidade brasileira, se
há algum processo, movido por algum banco, que tenha mais de seis meses sem o
desfecho final, ou melhor, para ser mais específico, sem condenação do réu.”.
Falaram alguma coisa? Não. Ninguém disse nada, faz de conta que
ninguém recebeu o E-mail.
Isto é fato, gente!
Toda cidade tem os seus advogados “medalhões”, aqueles que
estão sempre nas colunas sociais dos jornais locais, nos grandes jantares,
íntimos de todo mundo, do prefeito, do bispo, do delegado geral e conhecido de
todos os funcionários do fórum, muitas vezes até temido, inclusive por juízes,
por incrível que pareça. Ele telefona para a casa de um desembargador e de um
juiz a hora que quer.
São exatamente estes os contratados pelos bancos, companhias
telefônicas, mega empresas e por todos os que têm dinheiro.
Pergunto a você e a qualquer pessoa que não gosta de fazer os
outros de bestas, muito menos passar atestado de imbecil para si mesmo: Qual é
o funcionário de cartório que não atende, muito “gentilmente”, um pedido de
uma “fera” dessa, muitos por gentileza a uma pessoa “ilustre” na cidade e
outros por intere$$$, para que passe um processo de seu interesse na frente
dos outros e o coloque na mesa do juiz imediatamente?
Agora, vá um advogadozinho pobre, recém formado, inexpressivo e
desconhecido conseguir isto. Não consegue mesmo. É aí que existe a tal
lentidão da “justiça” reportada pelo Jornal Nacional.
Para advogado que tem dinheiro, porque advoga sempre para mega
empresas onde dinheiro nunca é problema, tem sempre oficial de ju$ti$$a pronto
a trabalhar de madrugada, com chuva, tempestade, terremoto, furacão e o diabo.
A coisa é tão séria que esses super advogado$ geralmente têm em seus
escritórios outros advogados novatos, iniciantes de carreira, trabalhando, que
estão também sempre dispostos a acompanharem os oficiais de ju$ti$$a, faça
chuva ou tempestade, nas suas diligências, para que o ato se consuma mesmo e
não dê a ele a menor chance de ser subornado, o que também acontece. E ainda
utilizam as suas influências, ligando para o comandante local da polícia, para
que disponha de policiais imediatamente, para também entrarem em ação. O
oficial de dia, do quartel, coloca a tropa em alerta, pronta a agir com toda
eficiência, como se ocorrência da pior gravidade estivesse acontecendo na
cidade.
Estou exagerando?
É assim a ju$ti$$a no Brasil!
O PROCON, esse órgão público sem vergonha, só consegue ser
enérgico e agir, quando recebe alguma denúncia contra um boteco, uma lojinha
inexpressiva que vendeu algum produto com problema, um cursinho, um
açougueiro, uma mercearia, padaria, lanchonete e pequena empresa. Não tem
força nenhuma diante de nenhum poderoso.
Se você duvidar disto, procure saber quais são os campeões de
reclamações nesse órgão, no País inteiro, por abuso excessivo ao público
consumidor, e veja se ele consegue fazer alguma coisa contra esses vilões. Ou
será que alguém conhece algum caso do PROCON ter aplicado alguma punição
pesada... mas eu falo em pesada e não em mincharia... em alguma operadora de
telefonia, banco ou coisa de mesmo porte?
Advogado influente, de gente que tem muito dinheiro, consegue
“hábeas corpus” para qualquer bandido, a hora que quiser, seja feriado,
domingo, madrugada, chovendo ou em baixo de tempestade, esteja onde estiver o
juiz, seja no sítio, na piscina, no supermercado e até na cama com a sua
mulher.
Estou inventando?
Quando o advogado é desses poderosos, mas tem um instinto do
tipo Tomás de Torquemada, ou seja, perverso, insensível e espírito ruim ele
geralmente cria em si aquilo que é comum nos pistoleiros (matadores de
aluguel), que, tradicionalmente, antes de matar, criam em si um ódio da
vítima, (como se tivesse que beber uma cachaça antes, entende?) para
poder consumar o ato. É igualzinho. Aí ele já chega na casa ou empresa do
cidadão arrebentando tudo, ameaçando, humilhando, torturando e acabando com
tudo, levando até mesmo bens que a lei não permite que sejam levados, porque
sabe que a vítima não terá nem forças para recorrer, muito menos para
denunciar os seus abusos. Sempre fica por isso mesmo e a família arruinada.
Estou relatando tudo isto para você saber em que país nós
vivemos, que tipo de justiça nós temos, para que não esperemos muita coisa ao
final destas CPIs que estão aí.
A cachorrada no Brasil, infelizmente, vai continuar. O problema
não é de exclusividade do governo Lula. A subserviência do poder público aos
interesses dos bancos é coisa que já dura muitos anos. Os advogados dos bancos
conseguem o que querem.
Tenhamos muito cuidado nas próximas eleições, mais do que
nunca, para que as coisas mudem neste país, e que essa ju$ti$$a sem vergonha
deixe de existir e prevaleça a JUSTIÇA dos grandes juízes, dos grandes
desembargadores e da magistratura ética, sensata, justa, moralizada,
descompromissada, decente, íntegra, coerente e possuidora de vergonha na cara.
Patrioticamente.
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net