Lucidez e consciência política
Precisamos disto, neste momento

 Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net

            Prezado Amigo:

             Johnn Fitzgerald Kennedy deu um ensinamento para o povo americano que, neste momento, serve muito para nós brasileiros: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, veja o que você pode fazer pelo seu país”.

            Nós podemos fazer muita coisa pelo nosso país neste momento onde a corrupção avança a passos largos, onde a pouca vergonha impera, onde um cidadão assume a presidência da Câmara, legislando em causa própria, fala alto e arbitra aumento absurdo de salários para os deputados, e tudo fica por isto mesmo porque o país é constituído por um povo pacífico, que não costuma explodir prédios, por fogo em nada e muito menos disparar tiros contra ninguém em protestos violentos.

            A nossa arma tem que ser a inteligência. Não somos selvagens.

            Todos os vampiros da política estão, desde já, trabalhando as campanhas para as suas reeleições e é exatamente aí que nós temos que entrar. Precisamos trabalhar desde já para dar uma resposta histórica para este País, no próximo pleito.

            Mas, algumas observações e procedimentos temos que começar a tomar, desde agora, com muita atenção e sobretudo bom senso.

            Em princípio a nossa campanha não pode ser partidária, haja vista que os partidos políticos, pelas experiências que todos vivemos, ao longo da história, são todos a mesma coisa. Não consta, na história de nenhum país do mundo, que partido político tenha feito alguma coisa de útil para ninguém. Você conhece alguma coisa maravilhosa que ficou na história do Brasil graças à UDN, ao PSD, à ARENA, ao MDB, ao PTB ou a qualquer partido? Os manuais de intenções de todos eles são belíssimos, expressões do mais puro patriotismo, sem exceção, (eu os venho lendo desde os tempos da ARENA e do MDB), emocionam qualquer um e dá até vontade de apressarmo-nos para assinar a ficha de filiação. Mas na prática... bom, o Brasil está vendo aí.

            O cidadão lúcido, consciente e inteligente vota em grandes homens, (no sentido homem e mulher), que têm história de dignidade, amor ao próximo, competência, caráter, serviços prestados de reconhecida utilidade pública, valores éticos e morais em condições de lhe representar, independentemente da sua rotulação partidária.

Em todos os partidos têm homens de bem, mas também tem muitos canalhas. Temos que saber separar o joio do trigo, sem deixar que ninguém manipule a nossa consciência.

            Não podemos nos deixar levar por discursos de elementos identificados como, por exemplo, do PSDB, porque ele, no radicalismo da sua cegueira de uma política viciada, vai sempre dizer que nada que faz o PT presta, que o PT é a representação do diabo e que o PSDB só fez maravilhas quando esteve no governo, fazendo deste país um paraíso. O contrário também é verdadeiro: Não podemos nos deixar levar pelos discursos do pessoal do PT, porque com os mesmos viciados, dirão que o PSDB foi uma tragédia, que o Fernando Henrique é um bandido e que o Brasil hoje está um paraíso no governo do Lula. Esta linha de raciocínio vale para todas as demais rotulações partidárias.

            Perdoe-me, amigo ou amiga, mas eu quero colocar aqui uma opinião pessoal minha, no exercício do meu direito de expressão, que pode ser válida ou não. Caso você considere o que eu escrevo um festival de bobagens, por favor, mande este E-mail para o lixo, mas se considerar como manifestação lúcida e válida, por favor passe em frente.

            Em princípio só vamos conseguir mudar alguma coisa neste país se não nos deixarmos iludir, mais uma vez, por estes que estão aí com discursos inflamados contra tudo e contra todos, baixando o sarrafo no governo, querendo dar a entender ao povo brasileiro que se eles estivessem lá todos os problemas seriam resolvidos, o Brasil deixaria de ter, de uma hora para outra, traficantes de drogas, seqüestros, políticos safados e corruptos, desvios de verbas, impostos decentes ao mesmo tempo que também passaria a ter estradas bem conservadas, educação e saúde de primeira e todos os serviços públicos no nível dos impostos que são cobrados. Não é nada disso. Já ouvimos esses mesmos discursos antes, diversas vezes.

            Quem se lembra dos tempos dos governos militares, quando o MDB, depois PMDB, fazia o mesmo tipo de discurso, prometendo maravilhas para o país. O Sarney assumiu, queiram ou não, era o PMDB quem governava, quase todos os Estados foram governados por aquele partido, e o que você viu de novo no País?

Depois veio a era PSDB. O que você viu melhorar no Brasil?

Durante muito tempo convivemos em ver o Lula, com o seu PT, com discursos belíssimos durante muitos anos até que o povo resolveu dar-lhe a oportunidade. O que mudou?

O país de solo mais rico do mundo, que não tem terremotos, furacões, guerras, tsunamis, onde tudo o que se planta dá em abundância, que tem a Serra dos Carajás, que tem a Amazônia cheia de ouro e riquezas, continua na mesma situação.

Os mais adultos devem se lembrar dos comícios dos anos setenta, quando elementos de oposição eram radicalmente contra a construção da hidrelétrica de Itaipu, fazendo verdadeiros escândalos, rotulando-a como obra faraônica. Em São Paulo e no Rio de Janeiro ouvimos muitos até ameaçarem embargar as obras dos metrôs, sob a argumentação de gastos exagerados.

Você já imaginou o Brasil, hoje, sem Itaipu? Imaginou o Rio de Janeiro e, principalmente, São Paulo sem os metrôs?

Oposição irresponsável é uma desgraça. Geralmente as oposições conduzidas por interesses partidários são sempre irresponsáveis e inconseqüentes. A proposta ou o projeto do governo pode ser o melhor possível para o povo, mas a oposição irresponsável não aprovará nunca se ele não atender aos seus interesses. 

Em razão de tudo isto, sugiro às pessoas o seguinte:

Baixar o sarrafo no Lula, xingar o Lula, ficar passando mensagens pela internet dizendo quanto custou o boeing do Lula, (que não é do Lula e sim da Presidência da República), não é o que vai resolver, porque temos que estar conscientes de que o problema não está no presidente atual e sim em uma seqüência de vícios que vem se repetindo ao longo de vários governos, de partidos diferentes, com cabeças diferentes.

Todo mundo está vendo aí a Senadora Heloísa Helena, o Babá e todo esse pessoal que resolveu romper com o Lula se rebelando em discursos já manjados, como salvadores da Pátria e não podemos crer que se o povo os colocarem no Planalto, tudo vai se modificar. Não é que eles não sejam bem intencionados, não nos compete julga-los, é que não vão deixar!

Tem hora que a gente vê alguns ex-governadores aí na televisão, querendo voltar a governar, com as caras mais cínicas do mundo, falando em moralidade, criticando os governos atuais, como se eles soubessem qual a maneira perfeita de governar, como se no tempo que eles estiveram nos governos os seus estados fossem maravilhas e não se falavam em corrupção.

Iludamo-nos mais uma vez e coloquemos os rebeldes da moda, que veremos o que vai acontecer.

Vai ficar tudo a mesma coisa. Eles vão arrumar um outro Pallocci, para dizer que a política econômica do governo anterior estava correta, que tem que seguir as mesmas cabeças do Pallocci e do Mallan, e os juros altos continuarão porque, queiram ou não queiram, quem manda neste país são os bancos, o palácio presidencial da república hoje é o prédio da FEBRABAN.

Os juros altos existem para satisfazer aos bancos e não para conter inflação coisa nenhuma. Se a sua manutenção fosse de interesse do País, o volume gigantesco de dinheiro advindo dos altos juros iriam para a Nação e não para enriquecer e tornar cada vez mais poderosos os bancos, as financeiras e administradoras de cartões de crédito. Deve ter muito mais gente ganhando, há muito tempo, com a manutenção disso, às custas do sacrifício e do sofrimento da Nação, é o que nos mostra a lógica.

Por que o país se sacrifica com os altos juros e os bancos que levam vantagem?

É preciso que nós brasileiros sejamos muito acéfalos para continuarmos a concordar com a manutenção disso.

Repito que os problemas maiores do País não foram criados pelo Lula, e sim pela falta de autoridade de todos os governos das últimas décadas, inclusive o dele, é claro, que mantém os mesmos absurdos. Tente o Lula dá uma de doido, de uma hora para outra, e tentar acabar com esses vícios. Vão fazer campanhas para que os jovens pintem as suas caras de verde e amarelo e vão arrumar um impeachment imediatamente para ele, se não o colocarem pra fora logo em baixo de cacete.    

A revolução tem que partir do povo. Não precisamos de outro Castelo Branco, embora gostaríamos muito de ter um presidente com a autoridade que ele teve. Nada de revolução ditatorial, que impõe censuras, que cerceia o direito de expressão, que tortura artistas e intelectuais, que pratica arbitrariedades violentas, que cassa e prende pessoas com base no “ouvi dizer que é comunista” porque isto é barbárie e representa uma estupidez que ninguém suporta mais.

É época da revolução da internet, revolução que utiliza os comunicadores do rádio, da televisão, dos jornais, das revistas, do meio artístico e do meio esportivo, que hoje aparecem muito mais para o grande público do que na década de sessenta, devido a quantidade gigantesca de emissoras de rádios e televisões além dos jornais e revistas de grande circulações.

Estão aí a Globo, a VEJA, a ISTOÉ, ÉPOCA e outros veículos abrindo a boca, denunciando as cachorradas, deixando sem saída os canalhas, como aqueles que acabamos de ver no episódio em Rondônia, denunciado pelo Fantástico. Só que não é somente em Rondônia que aquilo acontece. Temos que mostrar tudo.

Mas tem outro detalhe que muita gente não atenta e precisamos fazer a nossa parte bem feita.

Não podemos esperar que a Rede Globo, isoladamente, faça sozinha o papel de denunciar, principalmente a gravíssima questão do domínio dos bancos. Se ela sozinha fizer isto, os bancos unir-se-ão com o segmento político canalha, que é muito maior que o segmento honesto, e de uma hora para outra podem também acabar com ela. Não podemos esquecer que o poder econômico é quem manda, assim como os Estados Unidos fazem o que querem com o mundo, por causa dos seus cifrões.

Temos que estar juntos com a Globo, a VEJA, o SBT, a Bandeirantes, a IstoÉ, a Época, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, Jornal do Brasil, Rádios Globo, Bandeirantes, Tupi e todos os veículos de comunicação, em todos os Estados, numa ação devastadora.

Temos que estar vacinados contra todos os processos de difamações de pessoas de bem, que certamente vão acontecer. Os interesses mafiosos não vão nunca abrir mão da calúnia, da difamação e das estratégias de destruírem imagens de pessoas de bem.

Por exemplo: No caso atual do Roberto Jefferson, não é questão de nos deixarmos levar apenas pela onda de corrupções que estão sendo expostas que vamos condenar o homem, sem que saibamos como é a sua vida. Ele pode ser de fato um desses bandidos, mas também pode ser uma vítima de bombardeio. É fácil saber disso:

Basta que aprendamos a procurar saber em seu estado o que era ele, economicamente falando, antes de entrar na política e o que é o seu patrimônio agora.

Não existe milagre, gente! Não chove tempestades de dinheiro no quintal de pessoas especiais escolhidas por Deus. Os únicos lugares onde Deus costuma ser generoso demais, e mandar chuvas torrenciais de dinheiro, em abundância, é nos quintais de algumas opções religiosas que nunca enfrentam crise financeira nenhuma e compram tudo o que querem, custe quanto custar.

Aprendamos a fazer cálculos:

Uma concessão de emissora de televisão comercial não custa nunca abaixo de milhões de reais, em nenhuma cidade brasileira. Concessão de rádio também custa altíssimo, nas mesmas bases. Se você percebe que o cidadão, que antes era um cidadão comum, de repente é dono de emissoras de televisão (alguns têm vários canais em todo o seu estado), nunca ganhou sozinho prêmios acumulados na mega sena, não tem caso de benefício com gigantescas heranças, nunca foi empresário de mega empresa que tem faturamentos também na casa dos milhões mensais. Agora é possuidor de belas mansões, dono da mais chique concessionária de automóveis da cidade, dono de rede de supermercados, dono de mega fazendas e dono de tudo no estado, é preciso alguém dizer na televisão que ele está inserido no universo dos que mamaram às custas do erário? O que você acha? Quem tem que perceber isto é você, antes mesmo que a Rede Globo denuncie. 

Que todos nós mudemos a nossa forma de avaliar os candidatos nas próximas eleições: Não nos deixemos iludir pelos belos “out doors” coloridos, que são expostos nas cidades e muito menos para as super-produções que farão nos horários do TRE, porque os que terão muito dinheiro, sempre contratarão grandes agências de publicidades, que os maquiarão de todas as formas, passarão as suas fotografias pelos “Photoshops” da vida, os filmará nas favelas, chorando com crianças pobres no colo e toda aquela palhaçada que estamos acostumados a ver.

Comecemos agora a trabalhar diferente para as próximas eleições. Não deixemos que os partidos indiquem os candidatos, e sim as próprias comunidades, depois de fazerem averiguações em todas as cidades, em busca de “gente que faz”, homens e mulheres maravilhosos que, de fato, existem em todas as localidades, que tem histórico de vida na Caridade, no servir por servir, no amor espontâneo aos mais necessitados, na humildade autêntica, na competência na direção de uma empresa, uma grande instituição, um colégio ou mesmo uma instituição pública digna.

Convençamos essas pessoas a aceitarem a indicação dos seus nomes, embora a prática demonstre que muitos homens dignos normalmente recusam participar da política, por razões óbvias.

Tenhamos cuidados especiais em relação a pessoas que se oferecem para se candidatarem. A maioria não quer servir ao povo, quer se servir do erário. O problema é sério demais.

Um Congresso Nacional, composto por elementos desequilibrados moralmente, é capaz de levar um país a uma guerra, de uma hora para outra, para morrer os seus filhos e os meus, nunca os dos parlamentares, como o George Bush faz com os Estados Unidos hoje. Milhares de jovens americanos mortos, e as famílias que se conformem com as medalhas e pronto. O Brasil não tem histórico belicoso, mas políticos inconseqüentes podem mudar isto a qualquer momento. A nossa responsabilidade é grande demais!

Vamos acreditar no poder que temos, amigo, use a sua internet, imprima folhas de papel na sua impressora e passe para quem não tem computador e nem internet tomar conhecimento.

Só para você ter uma idéia, eu tenho mais de 20 mil endereços de Emails, e não são aqueles endereços comprados de SPAMERs, que são oferecidos aí por Email, para entupirmos as caixas postais das pessoas com propagandas não, são pessoas amigas, que me conhecem, por causa da televisão, ao longo de vários anos falando para todo o Brasil. Depois que venho mandando estas últimas mensagens, como a “Carta para o Lula” e os Emails alertando contra a atual safadeza dos “Empréstimos dos aposentados”, já devo ter aqui mais uns 10 mil novos endereços que não coloquei ainda em meu banco de dados, porque os amigos multiplicam as mensagens, retransmitindo-as, e novos amigos surgem. Faça a mesma coisa, aumente a sua agenda e use-a a vontade, em benefício da nossa Nação.

“O Brasil é feito por nós”, é um velho slogan dos anos 70 e temos que fazer valer agora.

Estejamos de mãos dadas com a nossa grande imprensa, saibamos identificar os políticos decentes, que existem, não restam dúvidas, e formemos uma grande massa nacional para modificar este País.

O momento é este, a hora é esta! Acorda, Brasil!

 

Alamar Régis Carvalho
        Analista de Sistemas – São Paulo.

        alamar@redevisao.net

               

 
 

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