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Lula, FHC, Collor e Governos Militares
Alamar Régis Carvalho
É muito bom a gente ser absolutamente independente, no que diz respeito a ideologia partidária, sem vínculo a rotulação nenhuma, sem rabo preso com ninguém, sem medo de dizer as coisas, sem pretensões políticas, portanto sem a preocupação de necessariamente ter que ser demagogo e hipócrita, vivendo preocupado se o que vai dizer agradará ou desagradará a maioria. Viva a independência de opinião e de expressão! No dia seguinte àquela entrevista que o ex-presidente Fernando Collor deu ao Fantástico, naquele quadro “Os segredos dos presidentes”, escutei a entrevista de um deputado federal, por São Paulo, na Rádio Bandeirantes, daqueles que arrotam uma prepotência sem tamanho. Eu já vinha percebendo a sua personalidade, pelas suas expressões, embora eu não seja psicólogo, até que vi-me indignado quando, ao ser feita referência à entrevista do ex-presidente, o cara simplesmente afirmou: - “Fernando Collor não é referência para nada. Deveria ter se suicidado”. O tal deputado foi de uma infelicidade sem tamanho, com tão absurda afirmativa. Acha-se o supra-sumo da moralidade, da decência e da integridade. Tenho acompanhado essas CPIs que tratam da realidade nua e crua da política brasileira, coisa que não é de hoje e já deveria ter vindo à tona há muito tempo, e tenho observado que, toda vez que se toca no nome do Fernando Collor, um desses “arautos da moralidade” e da “coerência”, afirma coisas do tipo: - “Não venham querer comparar o que está acontecendo agora com o que houve no tempo do Fernando Collor!”. - “O tempo do Collor registrou a maior corrupção de toda a história do País!”. O que dão de entender é o seguinte: Que no tempo do Collor roubaram milhões dos cofres públicos e que hoje, tudo isto que está sendo discutido aí, representa apenas roubos de centavos, fichinha e nada significativo. É esta imagem que vêm tentando passar para a cultura do brasileiro. Já que nem todo mundo é besta neste País, não custa nada questionar. Você, que está lendo isto aqui, tem idéia do montante que foi desviado no tempo do Collor? Já tem idéia de quanto foi desviado, até agora, neste escândalo atual? Fico observando alguns deputados do PT, bastante irritados, sempre afirmando e reafirmando que o que está acontecendo hoje não pode ser comparado ao tempo do Collor. Será mesmo? Eu, por exemplo, não tenho idéia de nenhum desses valores, portanto, não me é honesto querer comparar nada. Não sei dos valores reais do tempo do Collor e nem dos atuais. Lembro-me muito bem dos abusos do P.C. Farias, daquele jato apelidado de “morcego negro”, que era dele, lembro-me dos excessos na “casa da Dinda”, promovidos pela senhora Rosane, mulher do homem, (pelo que fui informado, e muito bem informado) e lembro-me também do caso de um Fiat Elba. Fora isto, não sei de muita coisa não, por isto questiono: Será que os senhores parlamentares daquela época, deputados e senadores, eram todos honestos, íntegros, corretos, probos, nunca praticaram corrupção nenhuma, nunca acumularam riquezas elevadíssimas em seus Estados, comprando emissoras de televisão, rádio, fazendas gigantescas, concessionárias de automóveis...? Eu tenho uma vontade enorme de saber como eram eles. Principalmente aqueles que, quando deram o seu voto na sessão do “impeachment”, votavam assim: - “Pela moralidade desta Nação! Pela minha família! pela dignidade! Pela honra do meu querido Brasil! Pelos meus filhos, pelo... pelo... pelo... o meu voto é siiiiiiiimmmmm!”. Eu gostaria de ter uma idéia do tamanho do patrimônio atual desses célebres “patriotas” nos seus respectivos estados. Na entrevista citada eu observei um detalhe que o repórter da Globo perguntou ao Collor, que foi mais ou menos assim: - “Se o senhor tivesse agradado ao Congresso, será que teria ocorrido o impeachment?”. Quando o entrevistado respondeu que certamente não teria acontecido. E você, que está vendo tudo isto que está acontecendo hoje, o que acha disso tudo? Na entrevista que o mesmo Fantástico fez com o ex presidente Sarney, na semana anterior, ele contou o caso da Dona Yolanda Costa e Silva, ex-primeira dama do País, que viajara do Rio de Janeiro à Brasília, de ônibus, tentando uma entrevista com o Presidente, para fazer um pedido... até modesto, pelo que foi relatado pelo ex presidente... que seria a manutenção do emprego de uma pessoa, se não me engano no BNDES, este banco que na teoria existe para incentivar o desenvolvimento do País mas na prática só tem dinheiro para mega empresas, multi nacionais tipo telefônicas, concessionárias de energia elétrica etc. Uai. Se a Dona Yolanda, no tempo do Sarney presidente, entre os anos de 1985 e 1990, não tinha dinheiro nem para uma passagem de avião Rio/Brasília, pela lógica dá pra gente entender que nem ela nem os seus filhos enriqueceram-se aproveitando-se do tempo em que o General Costa e Silva fora presidente. Tenho a curiosidade de saber e até sugiro que a Globo, bem como a imprensa de um modo geral, informe ao Brasil hoje como vivem os parentes do Castelo Branco, do Geisel, do Figueiredo e de todas essas personagens da nossa história que foram passados, por alguns, para a cultura do País como verdadeiros monstros. Pelo que fui informado, o patrimônio da família do Juscelino Kubistchek também não é grande, a família do Jango também não é milionária. Como é o patrimônio das famílias dos ex-ministros daqueles tempos também? Do João Paulo dos Reis Veloso, do Andreazza, Shigeaki Ueki, Euclides Quandt de Oliveira, Cirne Lima, Jarbas Passarinho (este eu conheço de perto, sei que não é rico e sei da sua elevadíssima dignidade) e do próprio Delfim Neto que ainda está na ativa hoje. Uma informação que tenho, não sei se é verdadeira ou não, é que o Mário Andreazza, quando estava com o câncer, não teve dinheiro para pagar o seu tratamento no hospital Albert Einstein de São Paulo e enfrentou problemas muitos sérios de ordem financeira. Se aconteceram as obras consideradas faraônicas, tipo as de Itaipu, Tucuruí e Angra não poderiam ter havido também superfaturamentos? Imaginemos a quantidade de empreiteiras para realizarem aquelas gigantescas obras! Se ocorreram superfaturamentos, é óbvio que os poderosos da época tivessem sido os beneficiados, não é verdade? Se eles foram beneficiados, a lógica nos mostra que teriam que ter ficado milionários e, já que muitos já faleceram, a mesma lógica convida-nos crer que os seus herdeiros hoje vivem muito bem, em mansões, proprietários de emissoras de televisão e rádio, grandes propriedades etc., não é? Seria bom que a nossa imprensa, tão rica hoje em tecnologia, que investiga bem, que escuta bem e que coloca bem câmeras escondidas mostre à cultura do país qual é a verdade verdadeira, que eu por exemplo não sei, para que a nossa cultura seja formada o mais coerente possível com a realidade dos fatos. Vejamos o caso do Collor, que foi o motivo que inspirou escrever esta matéria: O complexo de comunicação que a sua família tem... televisão, rádio e jornal... foi conseguido com ele na presidência ou já existia antes? Que tal a Globo, a revista VEJA e as outras mostrarem ao Brasil o que houve mesmo de enriquecimento, já que, pelo que esses deputados e senadores atuais falam dele, passa-nos a impressão de que ele ficou bilionário depois que se tornou presidente, os seus filhos devem estar riquíssimos também. Veja bem, gente, não estou aqui fazendo aquele discurso ridículo dos inimigos do Lula, que se aproveitam deste momento para descarregarem todos os seus ódios contra ele, porque não sou inimigo do Lula, não sou inimigo do PT nem de partido nenhum. Não faço parte de nenhum partido, porque não vejo utilidade em nenhum deles, e já até escrevi sobre isto, várias vezes. Muito pelo contrário, não sou a favor de campanhas para derrubar o Lula, acredito, sinceramente, que ele tenha sido usado e enganado por um monte de pilantras, não o vejo como ingênuo, mas imagino o que significa governar uma Nação e não vejo a menor possibilidade de, por mais boa vontade e competência que possa ter um presidente, ter condições de controlar tudo em condições de evitar safadezas em inúmeros órgãos públicos, principalmente quando comandados por pessoas que julgava ser da sua confiança. Para mim o Lula sempre foi e continua sendo um homem simples. Mesmo diante das denúncias de envolvimento do seu filho, nesse escândalo com a TELEMAR, não creio que ele tenha responsabilidade sobre isto, porque os pais hoje não têm comando sobre filhos adolescentes quanto mais sobre filhos adultos. O grande problema é que as pessoas, nas suas visões estreitas, diante de escândalos públicos só conseguem enxergar responsabilidades nos titulares. Num escândalo de prefeitura, por exemplo, só a pessoa do prefeito aparece como o safado, o corrupto, o sem vergonha e o bandido que deve ser afastado, quando em muitos casos o prefeito é vítima de esposas, filhos, parentes, “amigos”, correligionários, elementos de partidos coligados e um montão de gente. Talvez eu esteja errado, mas na minha opinião pessoal vejo tanto o Collor como o Lula como vítimas de esquemas muito bem tramados, por gente muito sem vergonha. Você está complicando tudo, Alamar, então você quer dizer que ninguém é corrupto? Esta resposta quem tem que dar é você mesmo, meu caro leitor ou leitora, utilizando os seus próprios olhos, no seu Estado. Veja a história de cada político da sua região, o que representava o patrimônio de cada um, antes de entrar na política e o que é hoje. Se não ganhou sozinho na mega sena, não é herdeiro de uma mega fortuna, não tem outra explicação e qualquer um pode concluir sobre a verdade verdadeira, concorde ou não com a matéria do Alamar. É preciso que o Brasil saiba que os verdadeiros bandidos, que querem sempre proteções para os crimes mais hediondos que são praticados no País, que são os bancos, as operadoras de cartões de créditos, as companhias de telefones e todas as “megas” de um modo geral, que querem que as leis sejam criadas conforme os seus interesses, não agem diretamente na figura do Presidente da República não e sim em cima de outras pessoas que todos nós sabemos exatamente quem são. Façamos uma reflexão, recordando um certo tempo atrás, quando um maluco de um presidente resolveu liberar a entrada de produtos importados no país, obrigando, por conseqüência, aos nossos industriais produzirem produtos de melhor qualidade, principalmente a nossa indústria automobilística que sempre fazia carros horrorosos e frágeis. Não lhe passa nada pela cabeça não? Permite a entrada de cimento importado no País! Será que a quebra de monopólios e de mamatas tradicionais não trazem conseqüência nenhuma? Não defendo ninguém, mas também não ataco pessoas por fatos os quais eu não tenho certeza como realmente aconteceram. Não queiram entender, aqueles que também nutrem ódio eterno pelos militares, que eu esteja aqui também querendo colocar os governos deles como vítima e como bonzinhos. Sei das arbitrariedades dos animais truculentos que se aproveitaram do momento para torturar e matar, em atitudes absolutamente repugnáveis que não podem se repetir nunca mais no País. Mas daí a a generalizar todos os militares como monstros, há uma diferença muito grande. O que precisamos é que o povo brasileiro tome conhecimento da verdade verdadeira de todos os fatos, nos diversos momentos políticos deste país. O que não podemos permitir é que a nossa cultura política, acerca do Lula, por exemplo, seja formada por inimigos dele e nem por fanáticos por ele; sobre o Collor não nos interessam opiniões dos que o odeiam ou santificam; sobre o Fernando Henrique, também, não podemos deixar influenciar por petistas que o odeiam nem por tucanos que o endeusam; sobre os governos militares não podemos deixar influenciar por elementos que claramente odeiam todos os militares nem pelo contrário. Repito: o que queremos e precisamos é da VERDADE VERDADEIRA. Só sei dizer que há muito mais mistério entre o céu e a terra do que podemos prever. Para a sua apreciação.
Alamar Régis Carvalho |