Lamentáveis obstáculos ao amor
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
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É justo que uma mulher separada seja patrulhada por familiares
e parentes para não mais namorar, com medo da língua da sociedade?
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É humano os filhos não deixarem que a mãe viúva ou o pai viúvo
tenha novo relacionamento, sob argumentação de respeito à memória do que se
foi?
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Tem sentido você se privar de um relacionamento ou namoro,
temendo a língua dos outros?
Na
verdade o título não deveria ser este. Optei por ele para ficar mais fácil às
pessoas entenderem que tipo de matéria poderia vir aqui. Defendo a idéia de
que paixão não tem nada a ver com amor e que relacionamento entre pessoas nem
sempre vem acompanhado de amor, embora quase todo mundo vincule uma coisa com
outra, daí a opção por este título.
Mas você já procurou observar o quanto as pessoas criam de dificuldades para
que dois seres humanos se relacionem intimamente uns com os outros?
Já
percebeu que sempre aparece alguém para se meter toda vez que você, seja homem
ou mulher, jovem ou não, inicia alguma relação com alguém ou pelo menos começa
a ensaiar os primeiros olhares e contatos?
É
isso mesmo que você está pensando. Estou falando em relacionamentos íntimos,
em namoros, em “ficadas”, (conforme está na moda), em encontros íntimos nas
suas mais diversas formas.
É
impressionante, mas as pessoas, que no fundo sempre adoram se
relacionar intimamente, ao mesmo tempo criam todo tipo de dificuldade nos
relacionamentos dos outros.
Conforme sabemos, o relacionamento íntimo é normal, faz parte
da natureza e faz parte da criação divina. Comprovamos isto em todas as
espécies animais, mas o homem (no sentido homem e mulher) cria um
problema enorme quando isto acontece. Parece que ele tem prazer em afastar da
sua espécie todas as coisas boas que lhe são acessíveis.
Vale lembrar que em várias áreas o bicho homem adora priorizar
as coisas ruins, não dando muita importância para as boas, como por exemplo:
O jornalismo, que é a arte de dar notícia às pessoas, só gosta
de mostrar o que não presta, com muita prioridade à desgraça. Ou será que
estou exagerando? Só existem serviços de informações que se prestam para falar
mal das pessoas, de coisas ruins a respeito delas, como SERASA, SPC, Cartórios
de Protestos e outras iniciativas, também inúteis como eles e não se registra
nunca uma espécie de “serasa” disposta a registrar as inúmeras e incontáveis
coisas boas que as pessoas fazem. Não é por falta de computador nem por falta
de software para isso, que á a coisa mais simples do mundo, é por preguiça
mesmo, por burrice, por crueldade humana e por descaso em priorizar o bem.
Mas não é isto que está em questionamento agora. Falaremos
sobre este tema em outra matéria. Quero falar agora é sobre a questão da
dificuldade que criam aos relacionamentos entre pessoas.
Vejamos os exemplos:
Nos colégios, quando uma jovem estudante, adolescente, começa a
gostar de um colega e inicia-se um namoro, o que acontece?
Os outros colegas, meninos e meninas, começam a se incomodar
com a relação. Algumas meninas se transformam em sua inimiga, alguns garotos
começam um processo de difamação e insinuações de coisas que ela não fez e nem
está ainda pensando em fazer. Os dois, principalmente ela, terminam
envolvendo-se em conflitos, sem terem feito nada que justifique.
A língua de alguém começa a coçar para que a informação chegue
logo à secretaria da escola, que por sua vez toma conhecimento. Funcionários e
seguranças entram em ação: “Não é permitido namorar”, e passam logo,
todo mundo, a exercer patrulhamentos em cima dos jovens. Você sabia que nos
colégios de hoje, principalmente os mais ricos, o rigor e a eficiência do
patrulhamento em cima dos jovens que namoram ou projetam namorar é muito maior
do que o aplicado em cima dos que fumam, que tomam bebidas alcoólicas e até
que cheiram?
Quando a mãe da menina toma conhecimento do namoro, a sua
primeira atitude é de contrariedade, já julgando o “tal” rapaz como sendo um
vagabundo, mesmo sem conhecê-lo.
A mãe do rapaz, por sua vez, quando sabe, já passa a alertá-lo
para que ele tenha muito cuidado com essas vagabundas que existem por aí,
considerando sempre a garota como uma dessas, também sem conhecê-la.
Calma aí. Sei que nem todas as mães, de meninas ou de meninos,
fazem isto, mas posso garantir que a maioria age assim. Apenas uma
minoria consegue relacionar-se com os filhos como amigos, possuem equilíbrio
numa hora dessa, sabem dialogar e não impor, e dispõe-se a conhecer a pessoa
antes de estabelecer qualquer julgamento.
Vamos falar dos pais, homens:
O pai da menina, quando sabe, age com energia maior ainda,
proíbe, ameaça e se encoleriza, prometendo até, em muitos casos, tomar
satisfações e até ameaçar o menino.
Já o pai do garoto, por sua vez, no instinto animalesco e
machista de muitos homens ridículos, quando toma conhecimento, passa a
incentivá-lo a usar e abusar da garota, se possível chegar ao extremo com ela
(vocês entendem), para poder dizer a todo mundo que o seu filho é
“homem”. É muito engraçado, mas quando os filhos dos outros abusam das suas
filhas, aplicando essa mesma filosofia sem vergonha que ele adota, acha-se no
direito até de matar, em defesa da “honra”. Qual honra?
Os pais burros impõem respeito dos filhos pelo temor, os
inteligentes conquistam o respeito pela competência, sobretudo em
dialogar sem falso moralismo.
As dificuldades que o relacionamento a dois enfrenta, desde a
adolescência, já é algo complicado. Proibições, censuras, julgamentos
precipitados, ameaças, fofocas, difamações, patrulhamentos, medos, castigos...
Na cabeça das pessoas impuras e perturbadas espiritualmente
sexo é imoral! namorar é imoral! tudo é pecaminoso e perigoso! não se conversa
sobre isto e quem deseja escrever sobre o assunto prefere evitar, com medo das
censuras, das críticas, dos preconceitos e das más interpretações.
No ambiente religioso, principalmente, a relação com o assunto
sexo chega a ser ridícula, tamanho o falso moralismo e a hipocrisia.
Aí eu pergunto a você:
Como é que a gente vai querer que os nossos jovens adquiram
equilíbrio, experiência e capacidade de prevenção? Que tipo de futuro sexual
plantamos para ele?
Mas vamos em frente, nas nossas reflexões:
Analisemos, neste exemplo aqui, o caso de um rapaz novo, de 25
anos, mais ou menos, que começa a se relacionar com uma mulher que já tenha
passado dos 40 anos.
Como é que a sociedade reage diante de uma situação dessa?
A família dele fica indignada, acusa-o de cego e xinga a mulher
de vagabunda que está se aproveitando de um jovem “inexperiente”, lança contra
ela todo tipo de ofensa e humilhação que pode lançar: “Essa coroa não se
manca?”, “deveria estar preocupada em criar os seus netos!”, “deve estar com
os seios caídos, cheia de celulites”... e haja diminuir, menosprezar,
difamar e subestimar os valores da mulher. Se ela ainda tiver seios bonitos,
vão dizer que colocou silicone (principalmente se a julgadora possuir seios
cujos biquinhos já estão voltados para baixo).
Outros dirão, em relação ao rapaz, que ele está querendo
aplicar o golpe do baú, namorando com o que chamam de “coroa rica”, caso ela
tenha dinheiro.
Meninas mais novas, que estão afins dele, não perderão a chance
de ofendê-la também, jogar xavecos... (afinal de contas, xaveco se escreve
com “x” ou com “ch”? Ora, isso não interessa não).
É um inferno, gente! A vida dos dois.
Mas analisemos, agora, o contrário, quando uma garota mais nova
resolve relacionar-se com um homem de mais idade. É bem verdade que o homem
mais velho quando namora com uma mulher mais nova não sofre tanto quanto uma
mulher mais velha que resolve namorar com o rapaz mais novo. Infelizmente, por
causa do machismo (uma das culturas mais ridículas que existe na Terra),
a mulher sofre muito mais. Mas há problemas também, e muitos.
Incomodarão a muita gente.
“Ela é uma aproveitadora. Só está de olho no dinheiro dele!”,
“É uma vagabunda! ela não gosta dele coisa nenhuma, quando casar, pode ter
certeza, vai botar o maior chifre nele”.
“Ele é um aproveitador da ingenuidade da pobre coitada”,
“Imagina. Tem idade para ser pai dela, será que não se manca?”, “O que é que
um cara desse quer com uma menina nova? Ele não dá mais nada na cama”...
É impressionante a perseguição das pessoas em relação ao namoro
dos outros!
Tem também o caso da menina que chega mais tarde em casa e
muitas mães, daquelas que adoram viver brigando, de mau humor e criando casos,
só têm argumentos do tipo:
- “Com certeza só pode estar por aí com algum vagabundo, em
algum desses motéis...”.
Sempre a menina estaria com um vagabundo, nas mentes poluídas
de muita gente, nunca com um homem decente, honesto e bem intencionado.
E o caso da mulher separada? Você já percebeu a pressão que as
pessoas, principalmente parentes e a própria família, fazem em relação a ela?
É um verdadeiro inferno a vida de uma mulher numa situação
dessa!
Veja bem, gente: O curso da vida normalmente já é difícil, no
que diz respeito à mulher conseguir encontrar um novo homem que atenda às suas
preferências, que seja sintonizado com a sua cabeça, que tenha afinidade com
os seus valores, que dê a ela o carinho, a atenção e o afeto que o ex-marido
nunca deu, ex-maridos que muitas vezes foram verdadeiros animais irracionais.
De repente, depois de muita luta e muita busca, ela consegue. O que vai
enfrentar?
A praga da língua dos outros:
Os seus pais e os seus irmãos, no argumento absurdo de que
estão preocupados apenas em preservar a sua moral e o “nome da família”, fazem
o maior inferno em cima desse relacionamento, julgam o cidadão sem se darem ao
trabalho de conhecê-lo antes, tiram conclusões baseadas em “achismos” e em
disse-me-disse, vão facilmente na conversa de qualquer pessoa outra,
fofoqueira, que resolva falar mal dele, sem procurarem saber se é verdade ou
não... Enfim, terminam promovendo verdadeiros traumas na mulher, tamanha a
pressão e a tortura.
Eu conheço, e creio que você também conhece, muitas famílias
que patrulham tanto a vida da mulher separada, que toda vez que ela tem que
sair, ir a um shopping ou fazer qualquer coisa fora, sempre ter que ir
acompanhada de um irmão, uma irmã menor, uma tia ou alguém, para que não tenha
a menor chance de encontrar-se com um amigo ou um provável novo namorado. Está
certo isto????
No fundo, a preocupação é com a língua da tal sociedade, essa
porca e imunda sociedade sem vergonha e hipócrita que nunca faz absolutamente
nada pela gente, não paga as nossas contas, não paga o nosso plano de saúde,
não faz o supermercado da nossa casa e nunca estará presente nos momentos
difíceis que atravessarmos, principalmente se o problema for de ordem de
saúde.
Por quais razões devemos viver submissos a ela? Por que temos
que viver a dever satisfações a ela?
Temos muitos outros exemplos a citar:
Se você está em algum lugar, acompanhado(a) de outras pessoas,
seja um shopping center, uma festa, uma reunião qualquer e de repente começa a
olhar para outra pessoa e cometer o “crime” de dar um sorriso para ela, aí os
que estão ao seu lado já começam a prestar atenção em você, pelo fato de você
estar olhando para alguém. Alguns, talvez inconformados com a possibilidade de
você iniciar ali um relacionamento de namoro, tomam a iniciativa de dizer logo
que perceberam que você está afim da pessoa, que está vendo você olhar muito e
até a “paquerar” a pessoa. Tem gente que está do outro lado da sala lhe
observando e faz questão de atravessar a sala só para dizer que percebeu que
você está a fim da outra pessoa.
Está certo isto? Por que as pessoas fazem isto?
Se você é mulher e está acompanhada de “amigas”, ainda aparecem
algumas para dizerem coisas do tipo:
“Eu não gostei dele não. Aquele bigode dele não me agrada”...
“Aquela forma dele se vestir não me agrada”... “é muito baixinho”... “é
careca. Eu não gosto de carecas”.... “não fui com a cara dele”.
Ora bolas, o cara tem que agradar a você ou às suas “amigas”?
Será que essas pessoas não se mancam?
E ainda tem o preconceito religioso. Esta é outra praga na vida
de muita gente, já que ainda existem segmentos religiosos altamente selvagens
e arcaicos do tipo que exigem que os seus adeptos só podem namorar e se
casarem com pessoas da mesma crença. Isto é de um primitivismo sem tamanho.
Tem outro caso que nos dá muita tristeza, que é quando a nossa
mãe fica viúva ou o nosso pai fica viúvo, quando nós já somos adultos. Você já
percebeu quanta dificuldade, piadas de mal gosto, gozação e patrulhamentos
exercem em cima deles, caso comecem a receber telefonemas, encontrar ou
visitar uma outra pessoa do sexo oposto? É um negócio sério. Raras são as
pessoas que incentivam e colaboram para um novo relacionamento dos seus pais
quando viúvos. Começam a rir, fazer “gracinhas”, fingirem que estão achando
uma boa, mas no fundo estão intimidando a pessoa, fazendo-a ter vergonha
daquilo. Imagine a situação de uma senhora, já madura, num possível ensaio de
novo relacionamento, diante dos olhares debochados e dos sorrisos sarcásticos
da “parentaiada” toda. É constrangedor! Termina acabando tudo, diante das
pressões.
Em nome do “preservar” a memória do papai ou da mamãe que já se
foi, muitos fazem chantagens e exercem verdadeiras pressões em cima do que
ficou encarnado (ou vivo, na linguagem comum) para que não consiga se
relacionar com mais ninguém.
O “amor” por esse ser, pai ou mãe que ficou, é “tão grande”,
que fazem de tudo para que termine os seus dias absolutamente sós, sem afeto
de ninguém.
O “engraçado” de tudo é o egoísmo desses filhos que só sabem
ver o lado deles, continuam a se divertir, a irem para festas, a namorarem e a
fazerem de tudo o quanto têm direito pensando somente neles, mas o pai ou a
mãe tem que ficar a vida inteira em casa, num quarto, talvez rezando a vida
inteira pelo que se foi, esperando o seu dia chegar. Está certo isto? É humano
um procedimento deste?
Os nossos pais não têm mais direito ao carinho e ao afeto? Não
têm o direito de ter mais desejos sexuais? São obrigados a se castrarem e
aposentarem os seus órgãos sexuais?
Que amor de filhos é esse, a ponto de os tratarem de forma tão
cruel? Eles são de pedra? A felicidade deles não interessa a ninguém! Quanta
frieza em relação a quem tanto nos deu durante uma vida inteira!!!
Nós humanos precisamos repensar essa questão das relações
íntimas das pessoas.
Observe a quantidade de revistas que existem nas bancas, se
envolvendo com a vida dos outros, principalmente das pessoas famosas. Da mesma
forma os programas de fofocas de muitas emissoras de televisões.
Do que eles mais tratam?
Dos relacionamentos íntimos das pessoas. É uma perseguição
terrível e implacável que fazem aos seres humanos, sem o menor respeito à
intimidade alheia. O ator tal está namorando com fulana, a cantora tal foi
vista saindo com ciclano, a atriz se separou...
Existem muitos casos de artistas que, preocupados em
“preservarem” as suas imagens, terminam por ficarem sozinhos e a não
freqüentarem lugar nenhum, com medo da língua dos chamados “paparazzos” da
imprensa da fofoca. Pra nós aqui, meu amigo leitor ou leitora, mas um
fotógrafo que se submete a especializar-se nesse estilo chamado paparazzo não
tem a menor dignidade, a menor sensibilidade e respeito pelo direito alheio e
constitui-se em um imbecil e ridículo.
E muitas pessoas adoram acompanhar e apoiar esse tipo de
imprensa. As revistas de fofocas vendem muito.
De uma coisa todos temos que estar alertas sempre: Tudo o que
plantamos colheremos, mais cedo ou mais tarde. Envolvamo-nos com a vida dos
outros a vontade, mas não reclamemos amanhã quando começarmos a sofrer
terríveis conseqüências por envolvimento dos outros com a nossa.
Pensemos duas vezes antes criticarmos e dar divulgação ao
“problema” enfrentado pelo nosso vizinho ou parente quando descobre que a
filha adolescente, menor, não é mais virgem... Aliás, aproveito este espaço
aqui para afirmar que eu, pessoalmente, nunca dei o menor valor a virgindade,
porque não consigo admitir que uma pelezinha boba, incômoda e insignificante,
chamada hímen, tenha alguma coisa a ver com honra e moral. Muito pelo
contrário, afirmo o seguinte: a mulher burra sempre diz que PERDEU a
virgindade, já a mulher inteligente diz que SE LIVROU da virgindade. A
gente só perde o que é útil.
Para concluir, apelo às pessoas para que parem de perseguir os
relacionamentos dos outros. Paremos de patrulhar a vida íntima alheia.
Deixemos as pessoas namorarem e se relacionarem à vontade, a
hora que quiserem e com quem quiserem.
Por outro lado, se somos nós vítimas desses patrulhamentos e
dessas censuras, não deixemos que ninguém se intrometa na nossa intimidade!
Não deixemos que fofoqueiro nenhum venha dizer com quem devemos ou não devemos
nos relacionar.
Se você, mulher, quer namorar um homem careca, preto, jogador
de futebol, escritor, motorista de caminhão, cego, médico, louro, açougueiro,
baixinho, gordo, umbandista, maçom, gago... com o dobro da sua idade, idade de
ser seu pai ou que tenha idade de ser seu filho... que se dane a língua dos
outros!!! Não se deixe controlar por controle remoto de fofoqueiros,
conservadores, arcaicos, falsos moralistas e hipócritas.
Não seja escreva de ter que namorar apenas condicionando essa
relação a futuro casamento, porque isso também é burrice, não é vida. Se
chegar a casamento, deve chegar como conseqüência natural de um bom
entrosamento, não como objetivo.
Se você, homem, está afinizado com alguma mulher, também não se
submeta a avaliação muito menos ao patrulhamento de ninguém, seja ela loura,
negra, magra, alta, baixa, católica, esotérica, formada ou que tenha apenas o
primário, que tenha o dobro da sua idade ou idade de ser sua filha, pobre,
rica, surda, gorda... não dê ouvidos a língua de ninguém.
Exijamos que os outros nos respeitem, principalmente
parentes!!!!
Quem tem que gerenciar o nosso procedimento, principalmente o
moral, somos nós mesmos, de preferência que não sejamos ingênuos e bobos para
ficarmos atrelados a esse tipo de moral frágil que é a moral de época, moral
de conveniência, moral de aparência para outros vêem, moral de região, moral
de moda, moral de formalidade e outras que nada têm a ver com a moral
autêntica, que é aquela moral que nos recomenda a fazer às pessoas apenas
o que gostamos que façam com a gente, que não nos permite julgar ninguém, que
não nos permite ferir e jamais prejudicarmos os outros, evitando sempre
praticar qualquer tipo de maldade ao nosso próximo.
Sei que é difícil, para muita gente, livrar-se do domínio dos
outros, mas temos que exercitar isto, dando um basta nessa submissão, como
prioridade em nossas vidas.
Muitas pessoas são solitárias porque foram bobas e se deixaram
dominar pelo patrulhamento dos outros. Muitas mulheres ficaram para “titias”,
ou “encalhadas”, porque se deixaram levar pela chatice de familiares e
parentes, achando que estavam agindo dentro da moral; muitas viúvas sofrem as
angústias, as depressões e adquiriram sérios problemas psíquicos pela
crueldade dos próprios filhos que não lhes deram chances de ter novas
companhias. Muitas pessoas tiveram problemas seríssimos de ordem sexual
porque, depois de terem uma vida sexualmente ativa e intensa, de repente se
viram interrompidas e foram absolutamente algemadas pelo impedimento imposto
pela frieza e ignorância afetiva de familiares e parentes.
Quase metade das mulheres não chega ao prazer sexual (ao
orgasmo) e quase três quartos só chegam com muita dificuldade, exatamente por
causa de traumas causados por essas coisas.
Não querendo aproveitar-me da matéria para fazer auto
propaganda, sugiro às mulheres que têm conflitos desta natureza a lerem o meu
livro “Mulher, só é boba quem quer” que tem conseguido ajudar muita
gente, o que me tem proporcionado muita alegria.
É preciso que todos tenham consciência de que pênis e vagina
nunca foram imorais! Relação sexual nunca foi relação criminosa! Beijos e
carícias nunca foram desrespeitosos! Namorar nunca foi pecaminoso!
O que é imoral é a atitude de pessoas que são infelizes no
amor, na sua relação íntima e sobretudo que carregam terríveis desajustes e
conflitos sexuais (embora não aparentem) e querem descarregar os seus
complexos nos outros, não querendo ver ninguém ser feliz nessa área.
Vivamos as nossas relações da forma o mais saudável e feliz
possível, de preferência tendo o cuidado para não nos envolvermos com pessoas
doentes do ciúme, do tipo que faz da gente objetos delas, já que essa
enfermidade invariavelmente transforma qualquer relação em paixão, que nada
tem a ver com amor, ao contrário do que muita gente pensa, já que proporciona
desconfianças, insegurança, chantagens, brigas, cobranças, agressões,
sentimento de posse, ameaças, inconveniência, mal estar nos ambientes,
vergonha em público, descontrole emocional e até tragédias. Repudiar um
relacionamento com uma pessoa ciumenta, o mais depressa possível, é um sinal
de inteligência e prevenção. A não ser que você seja uma pessoa de instintos
masoquistas.
Relacionemos-nos com afeto dando tudo de bom que nós temos. Se
perceber o pai viúvo em busca de uma nova relação, não deboche, dê apoio e
ajude. Se possível, caso seja necessário, compre o viagra, o levitra ou o
cialis para ele. Se for a sua mãe viúva, leve-a também ao salão, para fazer as
unhas, o cabelo e levantar a sua auto estima, embora a máscara não deva ser o
fator mais importante nas relações humanas. Trate-a com o máximo carinho que
lhe for possível.
Diga não aos fofoqueiros! Não nos permitamos chafurdar na lama
emocional onde estão os recalcados, maldosos, frustrados e possuidores de
mentes e línguas venenosas.
No mais é namorar, viver, relacionar-se bem, cultivar o bom
humor, o respeito à liberdade e ao direito do próximo, consciente de que
“ninguém é de ninguém”, como diz a dona Zíbia Gasparetto, relembrando
aquele maravilhoso ser que, ao ensinarmos que “devemos amar ao nosso
próximo” deixou bem claro o “COMO A SI MESMO”, implicando em dizer
que quem não é capaz de amar a si mesmo não tem condição nenhuma de amar ao
seu próximo e dificilmente de ter o amor de alguém.
Carinhosamente.
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net