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Por que só o Roberto Jefferson?
Alamar Régis Carvalho
Ouve-se falar que vários deputados serão cassados, mas apenas ouve-se falar. Empenho mesmo só estão tendo para caçar o Roberto Jefferson. Por que?
Não sou defensor do deputado Roberto Jefferson, não sou ligado a nenhum partido político, não sou de esquerda, de direita ou de centro, não sou amigo nem inimigo do Lula e nem do Fernando Henrique; apenas sou um brasileiro que não quer ser agraciado com mais um diploma de idiota, outorgado pela universidade dos espertalhões. Já se passam dois meses, após iniciadas as CPIs que tomam os dias inteiros, sem que providência nenhuma seja tomada, de forma que a Nação possa ter confiança de que a “semvergonhice política” vai ter fim. Conclamo as pessoas a observarem bem, com muito cuidado, usando toda a experiência psicológica que cada um de nós temos, por menor que seja, os semblantes, as expressões, os ritmos das falas e os cuidados especiais que muitos elementos dessas CPIs estão tendo. Basta que todos criemos o hábito de assistir as TVs do Senado e da Câmara, com muita paciência. Não sei se é apenas uma impressão pessoal minha, mas percebo que muita gente, mas muita gente mesmo, está danada da vida pelo fato do deputado Roberto Jefferson ter feito todas aquelas denúncias que fez, permitindo ao País inteiro tomar conhecimento das intimidades sem vergonha do meio político. Você já percebeu que, embora falem, de vez em quando, em cassação de outros deputados, há uma insistência enorme, um empenho fora do comum, em caçar o autor das denúncias? Ou seja, o próprio Roberto Jefferson? Tudo bem, ele não é santo, mas por que essa pressa para que ele saia logo? Não está muito estranho? Estão utilizando uma argumentação para justificarem a sua cassação: - “Ele fez acusações sem provas”. Todos devemos ter cuidado com acusações que são feitas contra pessoas, sabedores e experientes de vida que somos, já que a indústria do mau caratismo adora difamar e destruir imagens de pessoas dignas, geralmente criaturas que produzem, que fazem sucesso e que tem caráter. Não podemos, em hipótese alguma, nos deixar levar pelas estratégias dos mafiosos que utilizam-se de todos os meios para queimar a imagem de inocentes. Temos mesmo que exigir provas. Todavia, será que neste caso específico que está acontecendo no meio político brasileiro a necessidade é a mesma? Já que nem todo brasileiro é otário, perguntemos a esses rigorosos e apressados julgadores do Roberto Jefferson: Corrupção deixa provas, a partir de quando? Corrupção passa recibo? Emite nota fiscal? É feita na frente de todo mundo? Os corruptos fazem as suas safadezas diante de testemunhas? Serão eles tão ingênuos a ponto de se deixarem expostos? Gente! A coisa mais fácil do mundo é comprovar se um político é corrupto ou não! Só quem é muito trouxa não consegue perceber! Não é preciso o Roberto Jefferson mostrar documento nenhum, papel com assinatura do corrupto, com firma reconhecida e perícia grafotécnica não. Nada disso. Corrupto, por ser safado, não assina coisa nenhuma. Basta que observemos na cidade onde o político mora, onde mora a sua família, para verificarmos o que ele tem hoje, comparando com o que tinha antes de entrar na vida publica, e avaliarmos os valores. Calma! Não quero dizer que devamos sair por aí, como hipócritas religiosos, condenando a riqueza, generalizando todos os ricos como necessariamente safados, já que tem muita gente que enriqueceu de forma honesta, realizando grandes trabalhos, criando grandes produtos, comercializado bem, enfim, há ricos honestos. Mas vejamos a realidade de muitos políticos, aquele elemento conhecido na cidade inteira, por vizinhos, parentes, ex-colegas de trabalho, de colégio e de faculdade, polícia, gente da imprensa etc. que tinha um determinado padrão de vida, na média do brasileiro, e hoje é dono de emissora da televisão, rádio FM, concessionária de veículos, fazenda com milhares de cabeças de gado, mansão altamente luxuosa, esposa e filhos, cada um, com um carrão importado, férias em família na Europa ou Estados Unidos, etc... Perguntemos: Ele ganhou sozinho na mega sena acumulada? Não ganhou. É beneficiário de uma herança de algum pai milionário que toda a cidade conheceu? Também não. Foi descoberta alguma mina de ouro ou diamante no quintal da sua casa? Não. Como ficou milionário então??????? Será preciso o Roberto Jefferson apresentar provas? Pra que? Acompanhemos a linha de raciocínio. Quando o inconseqüente atual presidente da Câmara dos Deputados afrontou o país com toda a sua arrogância, aumentando os já elevados salários dos deputados aos valores atuais, ouvimos muitos deles dizerem em entrevistas nas televisões, rádios, revistas e jornais que a maior parte dos seus proventos não lhes pertencem e sim são destinados para despesas do gabinete e com os seus correligionários. Tudo bem. Vamos fazer de conta que somos todos trouxas e acreditamos nisso. O próprio Severino disse que um deputado ganha pouco. Dar-lhe-emos credibilidade e façamos contas. Suponhamos que eles recebam, líquido, apenas R$ 8.000,00 (oito mil reais), que é um extraordinário salário no Brasil hoje. Possuindo três filhos na universidade, cada um custa uma média de R$ 1.000,00 só de faculdade. Fora alimentação, vestuário, transporte, etc. Já ser foram 3 mil reais, ficando apenas 5 mil. Se a família possui três carros, acrescente-se aí mais uma despesa mensal de 1 mil reais de combustível e outros itens de consumo. Ficaram 4 mil reais. Avaliemos a conta de telefone, dimensionando um número considerável de interurbanos que há, já que não é só ele que liga para a sua casa (de graça, de Brasília. obviamente), já que os seus parentes, com certeza, também ligam para ele. Fora um celular na mão de cada membro da família. Sejamos, então, muito otimistas e consideremos uma família altamente controlada, bem econômica, que consegue guardar 2 mil reais, todos os meses, deste salário. Agora vejamos: Você tem idéia de quanto custa a concessão de uma emissora de televisão? Vou lhe dar as dicas: Antigamente as concessões de rádio e TV, que é um bem público, eram dadas de graça, pelo governo, aos políticos simpáticos a ele, sem esforço nenhum da sua parte, além do puxa-saquismo e ter que dizer “amém” a tudo. Até aí tudo bem, porque “peixe” é “peixe”. Só que, alguns anos depois, vários desses concessionários vendem esses canais, ou seja, essas concessões, por cinco, seis, oito ou dez milhões de reais, ou de dólares... (isto mesmo, estou falando na casa dos MILHÕES), e ficam com o dinheiro para si, quando o correto e honesto seria devolver ao cofre público. O patrimônio que representa o prédio e os equipamentos da sua televisão ou rádio é seu, mas a concessão do canal, que vale muito mais, não lhe pertence, é do povo. Mas não é isto que está em análise agora. Vamos ver como funciona hoje a outorga, a concessão de rádio e TV. Não há mais a doação simples de canal, de forma gratuita, como acontecia antes. Agora existem apenas duas opções para alguém conseguir um canal de TV ou de rádio: A primeira é entrar no leilão da ANATEL, na base do “quem dá mais”, como todo leilão. O mercado de televisão e rádio foi altamente inflacionado, por conta dos senhores Edir Macedo, R. R. Soares e outras criaturas deste país que tem prestígio altamente elevado com Deus, que lhes dá sempre dinheiro em abundância, sem limitação alguma, em condições de comprarem dezenas e até centenas de canais, de Norte a Sul do País, até por 30 milhões de reais, um só canal. Os valores das concessões cresceram em todos os sentidos. Mas não podemos questionar isto, porque é o próprio Deus quem manda o dinheiro, e para o Criador não há limitações, não é verdade? Apenas pessoas muito poderosas, mas muito ricas mesmo, participam desses leilões da ANATEL, já que nenhum brasileiro comum, por mais que tenha afinidade com televisão e queira desenvolver um útil e interessante projeto de comunicação, consegue nem chegar perto. Suponhamos, então, que o leilão da ANATEL contemple alguém que tenha dado um lance de 2 milhões de reais, por exemplo. Fora esse leilão, tem a segunda opção, que é a compra de uma concessão que já existe, geralmente de propriedade, na maioria das vezes, de outro político que, por sua vez, só falará também em trinta milhões de reais, dez milhões, seis milhões ou apenas três milhões caso o canal esteja em uma cidade muito pequena, de poucos habitantes. E não tem barganha, porque o dono do canal dita logo a regra: “O preço é dez milhões de reais, se quiser bem, se não quiser eu vendo para o Edir Macedo, que dá”. Aí eu pergunto: Guardando apenas 2 mil reais por mês, ao final de um ano esse cidadão teria apenas 24 mil reais, ao final dos quatro anos de mandato teria economizado apenas 96 mil reais. Onde acharia dois, três ou dez milhões para comprar só a concessão do canal? É preciso o Roberto Jefferson provar alguma o quê? Mas não é só isto, para montar uma televisão. Tem também os custos do prédio e principalmente dos equipamentos. Tem outro detalhe que precisamos levar em consideração: A televisão, com programação no modelo convencional, enfrenta um problema sério, devido a restrição que está havendo nas verbas publicitárias no Brasil, já há muito tempo. Nem mesmo as emissoras que retransmitem a programação da Globo, que é a mais fácil de vender, estão enfrentando facilidade hoje, imagine as outras de audiência bem abaixo. Ele terá que ter dinheiro de sobra para bancar a emissora. Mas deixemos o assunto televisão pra lá. Falemos nos outros patrimônios. Dê uma olhada numa concessionária de automóvel da sua cidade (deve ter várias), procure conversar com um construtor e, se possível, também com algum engenheiro mecânico que eles dirão quanto custa de investimento para montar uma estrutura daquela. Comece a avaliar o preço da montagem de uma fazenda, com milhares de cabeça de gado... E por aí vamos fazendo contas, vamos dimensionando e perguntemos: É preciso o deputado Roberto Jefferson apresentar alguma prova? Alíás, é bom que o pessoal que mora na cidade dele, também, observe a sua situação, em relação a isto. Quem é trouxa neste País, para não conseguir ver quem é e quem não é corrupto? Repito: Não podemos apoiar nenhum tipo de denúncia irresponsável, que visa atacar pessoas inocentes, criaturas decentes que nada devem, só para alimentar o ódio de determinados “inimigos” que existem no campo político. É claro que todos os cuidados devem ser tomados para que não se tornem vítimas quem não tem culpa no cartório. Mas até isto dá para a população perceber. Existem pessoas que entraram na política, a praticaram com dignidade, e saíram dela nas mesmas condições econômicas que entraram. Conheço um cidadão, um dos mais influentes políticos deste país, que foi governador de estado, foi Ministro por três vezes, em vários governos, foi senador durante vários mandados, presidente do Senado, era um dos mais focados pela mídia, na sua época, hoje já não tem mais mandato, vive apenas da sua aposentadoria, não ficou rico, nenhum dos seus filhos é rico, nunca se envolveu com nenhuma prática ilícita. Por isto o cuidado de não generalizar. Existe, sim, gente honesta na política. Querem convencer o país de que não há o tal mensalão ou qualquer outra forma de comprar consciências parlamentares, tenha o nome de mensalão ou outro qualquer. Só trouxa para acreditar que não há. Estão aí os bancos, as operadoras de cartões de crédito, as financeiras, as companhias de telefones fazendo o querem no País, vampirizando o povo brasileiro. Ninguém pode contra eles, ninguém fala nada, nem a imprensa. O Procon, esta enganação federal, só existe para micro empresários. Procure saber quem são as empresas campeãs de reclamações no PROCON e veja se ele tem força para fazer alguma coisa contra elas. Os abusos continuam. Há tempo que há campanha para acabar com o roubo da taxa de assinatura mensal nas contas de telefone. Disseram, recentemente, que o Ministério das Comunicações finalmente determinou o fim. Você acredita? Eu duvido!!!!! Em São Paulo a Telefônica já anda com uma publicidade, nas manhãs da Rádio Bandeirante, dizendo que a taxa de assinatura não acabará nunca. É preciso o Roberto Jefferson provar alguma coisa??? Outra questão, para a sua apreciação: Assistindo a TV Senado, vi três senadores pelo Rio Grande do Norte, falando na tribuna do Senado, que o custo do barril do petróleo produzido naquele estado, não chega a 5 dólares. Se no RN não chega a 5 dólares, obviamente o petróleo produzido na Bahia, na bacia Fluminense e em outras localidades do País deve ficar por aí próximo. Raciocinemos: O Brasil produz mais de 80% (oitenta por cento) do petróleo consumido aqui. Além disso, há os veículos movidos a álcool, que vem de uma cana também produzida aqui. Como justificar o povo brasileiro pagar o litro da gasolina, do álcool e principalmente do diesel com base no barril custando absurdos 70 dólares, praticados lá fora? Gente! É uma diferença de cinco para setenta!!!! É óbvio que tem muito mais coisas a serem verificadas aí. Ainda precisa o deputado Roberto Jefferson apresentar provas??? Que provas?!!! Será que esse pessoal não tem o mínimo de vergonha na cara? Até quando vão subestimar a inteligência do brasileiro? Que o povo, também conivente nesta historia, porque fomos nós quem elegemos esses políticos que aí estão, não cometamos o mesmo erro nas próximas eleições, já que eles já estão se preparando para permanecerem na mamata. Procuremos analisar, desde já, quem é decente e quem é safado. Nada de nos deixar levar pelas produções das grandes agências de publicidade, que coloca pilantra maquiado e chorando em bairros pobres com crianças desdentadas no colo, nos horários do T R E. Que saibamos repugnar alguns políticos viciados que hoje vêm a televisão, no horário político, cheios de moralidades de fachada, se demonstrarem “horrorizados” com o que está acontecendo nos dias de hoje, como se eles tivessem feito alguma coisa de útil na época em que estavam por cima e como se o seu segmento político fosse o supra sumo da moralidade. Nem todo mundo é trouxa, estamos de olhos bem abertos. É por tudo isto que fiz a pergunta no título da matéria: Por que só o Roberto Jefferson? Para a reflexão de todos.
Patrioticamente.
Alamar Régis Carvalho orkut: “alamarregis” |