VEJA AQUI COMO FOI A INFÂNCIA DO ALAMAR
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Alamar Régis Carvalho, brasileiro,
nascido na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana, Av. Nossa Senhora de Copacabana, no prédio do Cinema Roxy,
4º andar. |
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Com um ano e meio Alamar foi para a cidade de Vitória da Conquista,
no sudoeste da Bahia, onde foi criado e educado pela sua avó materna, dona Nelita Régis Pereira, em regime muito rigoroso.
Sempre gostou de inventar coisas, mas, no meio desses inventos, fazia coisas que nã
o eram do agrado da sua avó que reclamava muito. Tomou muita surra, chegando a apanhar até de pinico,
numa ocasião em que a velha Nelita não encontrou outra coisa para lhe bater.
A velha avó era muito católica e exigia a sua companhia para ir à
Igreja, quase todas as noites e aos domingos, para a missa. Por ir demais à igreja, afinizou-se demais com os rituais
católicos.
Gostava demais de ver os coroinhas ajudarem missa e queria um dia servir-se para isto, até
que foi convidado pelo Padre Eugênio para ajudar uma missa.
Quando tocava a campainha, tocava mais do que o necessário. Em casa, brincando,
adorava construir altares e celebrar missas, com todos os paramentos, incenso e tudo o que tinha direito.
Ele adorava dar a comunhão para suas primas Ritinha, Lourdinha, Lúcia, Toezinho e as meninas vizinhas que sempre participavam
das missas, celebradas por ele, com véu na cabeça e tudo. A velha Nelita adorava aquilo porque a igreja era a vida dela.
O seu sonho era ver o Alamar se ordenar padre.
Uma ocasião, sabendo que a sua tia Nazinha foi violentada a socos pelo seu marido, o tio Hormindo,
o que provocou a separação do casal, revoltado com o fato de um homem bater numa mulher, considerou aquilo um ato de
alta covardia e prometeu a si mesmo que no futuro defenderia o direito das mulheres, a igualdade dos sexos e
combateria a covardia machista.
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Aos 13 anos de idade, começou a aprender música na Filarmônica Maestro Vasconcelos, daquela cidade e aos 14 anos já tocava sax shorn, ou trompa, na banda. Aos 15 anos foi promovido para tocar piston, ou tompete, destacando-se como músico. |
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Ainda aos 15 anos foi levado para tocar em cabaré, pelos músicos mais velhos, porque a sua presença nas tocatas dava "ibope". Foi levado a tocar na Rua do Magassapo, antiga rua do meretrício em Vitória da Conquista, onde fez sucesso juntamente com outros colegas da banda, Manezinho, Edson de Duninha, Tõe Bracinho, etc. Juracy, também pistonista, violonista e compositor, era o seu maior incentivador. |
Como músico, já que nessa profissão era costume os homens beberem
muita cachaça e fumarem, foi forçado várias vezes por alguns colegas a também
fumar e tomar bebida alcoólica, o que nunca aceitou, apesar das inúmeras
pressões, inclusive as psicológicas por que passa qualquer adolescente. Nunca
tomou um gole de bebida alcoólica nem colocou qualquer cigarro na boca, em toda
a sua vida. Pagou caro por isto, mas resistiu.
Certa vez, ao se dirigir para casa
ao final do ensaio da banda, sempre à noite, foi seguido por um bandido que
tentou lhe roubar o instrumento musical.
Saiu em disparada e chegou em casa todo borrado (havia defecado nas calças), às 10 horas da noite, sem ter como tomar banho, por causa do frio que fazia na noite e da dificuldade de ter acesso à água.
Comprou uma faca, semelhante a que o Tarzan (Jonny Weismüller) usava nos filmes, para enfrentar o bandido, caso ele aparecesse novamente.
E o bandido apareceu alguns dias depois, mas não se intimidou com a faca e tentou assaltá-lo com faca e tudo. O "valentão" jogou a faca no chão, saiu em disparada e chegou em casa, mais uma vez, todo borrado. Outra noite de sofrimento. A única vantagem foi não ter perdido o trompete. Nunca teve coragem de contar isto para ninguém porque certamente seria alvo de muita gozação,
já que a turma em Vitória da Conquista não dava sopa.
Já que tocava no cabaré e ganhava dinheiro, resolveu comprar
na mão de João Couto um revólver, marca Rossi, calibre 22, para enfrentar o bandido, que veio aparecer um mês depois.
Atirou três vezes (não acertou nenhuma) mas desta vez foi o bandido quem saiu correndo e provavelmente deve também ter chegado em casa todo borrado.
Adotou o lema: "Agora o revólver é minha Lei".
Todo dinheiro que ganhava com as tocatas no cabaré era para comprar balas. Treinava muito e passou a ser um exímio atirador, acertando até órgãos genitais de mosquitos voando. O cuidado em esconder esse revólver era grande demais, mas um dia vacilou e o deixou em baixo do travesseiro.
A sua avó quase morreu de desgosto ao descobrir o revólver guardado e o quebrou todo em um pilão, além de lhe dar muitas surras. Ela não contou o fato desgostoso para ninguém, somente a tia Nazinha
e Zula tiveram conhecimento do desgostoso fato.
E o sucesso, como músico, aumentava a cada dia. Quando a orquestra saia para tocar nas cidades vizinhas, o cachê era maior quando contava com a sua presença.
Certa vez, numa tocata na pequena cidade de Itambé, numa festa que tinha também a presença de uma famosa cantora loira da época da juventude, foi cantado por essa cantora num intervalo de almoço que o convidou para ir com ela para o Rio de Janeiro. Terminou namorando escondido com ela, morrendo de medo que alguém o visse.
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A banda de música era a sua grande alegria: Os colegas Wilde
(Dinha), Luiz, Tim, Agrário, Marcílio, Roque, Zé Macaco, Manezinho, Edson, Zé Forte, Bocage, Asterino, Tõe Bracinho, Menerval, Guilherme, Faé e outros comandados pelos maestros Demétrio e Geraldo Macedo, eram os seus ídolos.
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Na época não queria nada com os estudos. Nada sabia de Matemática, Português e matéria nenhuma, já que a sua obsessão era pela música, apenas. Foi escoteiro. Escolhido pelo Chefe do Grupo, Padre Guilherme, para ser monitor da patrulha das Baleias e também para ser o cantor oficial do grupo nas festas solenes de igreja catedral de Nossa Senhora das Vitórias.
Foi colocado para fora da Igreja, por um Padre, porque perguntava demais qual ao destino do dinheiro arrecadado nas missas.
Virou crente, na cidade de Rio de Contas, a convite do Pastor Dário, e passou a andar de Bíblia embaixo do braço, como se fosse o seu desodorante. Herdou a chatice de alguns crentes e passou a ser também inconveniente tentando converter todo mundo ao protestantismo, até que se percebeu ridículo demais, além de não encontrar lógica em ter que acreditar na existência de Satanases, abandonando rapidamente a religião.
Não teve jeito, a música era a sua razão principal de vida. A única alternativa da família foi mandá-lo embora para São Paulo, a fim de residir com o tio Viriato, que era oficial da Aeronáutica
(1º Tenente) na cidade de Guaratinguetá, onde fica localizada a Escola de Sargentos Especialistas da Aeronáutica.
A sua família teria que fazê-lo esquecer a vida de músico.
Ao chegar em São Paulo, também não quis nada com estudo e foi um fracasso no colégio, para a insatisfação do seu tio, que era muito rigoroso para com os estudos e já estava disposto a mandá-lo novamente de volta para Vitória da Conquista.
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Em Guaratinguetá, no colégio onde estudava, era um músico destaque da fanfarra do Instituto de Educação Conselheiro Rodrigues Alves, comandada pelo velho Muriano, e conseguiu ser campeão brasileiro de fanfarras em São Paulo, capital, num grande concurso nacional dessa
categoria, juntamente com os colegas Marcelo, também pistonista, Mingo,
Luiz Carlos, Wagner, Carlinhos. |
Mas não queria nada com o colégio. Depois entrou num cursinho preparatório porque queria entrar na Escola de Aeronáutica, e por aí continuou a sua vida. Veja no tópico, da sua vida como professor de Matemática e Física e no tópico da vida militar.




