NA INFORMÁTICA. NO MUNDO DOS COMPUTADORES

     Na área profissional, mesmo quando Alamar era militar da Aeronáutica, ele havia criado o seu cursinho preparatório para as Escolas Militares. Este seu cursinho era o mais famoso de Belém, porque aprovava mesmo e significava sucesso. A sua experiência era apenas nesta área, como professor de Matemática e Física, coisa que ele adorava. As suas salas de aulas eram muito bem equipadas, e as instalações se localizavam em um ponto muito bom de Belém.

     Um belo dia de junho de 1978, ele recebeu a visita de um cidadão, de nome Gaspar, com a proposta de implantar nas suas instalações um tal "Curso de Programação de Computadores", que era a profissão do futuro, sugerindo-lhe uma sociedade na base de cinquenta por cento, garantindo-lhe que providenciaria professores para o curso, apostilas e tudo o que fosse necessário, uma vez que Alamar lhe deixei bem claro que nada sabia sobre aquilo. De fato, ele não tinha a menor idéia do que era programar um computador.

    Como sempre arrojado, Alamar uma grande propaganda na imprensa e o curso lotou em menos de um mês. Setecentas pessoas matriculadas. Não teve mais alunos, por falta de espaço, já que as salas eram ocupadas também com os cursos preparatórios às escolas militares.

    E o cidadão ia todo dia, à noite, ao seu escritório, apenas para buscar os cinquenta por cento que lhe eram de direito, ou melhor, que havíam combinado, pelas inúmeras matrículas realizadas no dia, mas nada de apresentar apostila nenhuma muito menos professor.

    Faltando uma semana para começar o curso Alamar entrou em desespero. Nada de professor, nem de apostila. Faltando três dias, nada do cidadão apresentar coisa alguma.

     Procurou, desesperadamente, pelo amigo Reginaldo Dias de Lima, o Redili, funcionário do Banco do Estado do Pará, que também foi professor de Física e Matemática do seu cursinho, que ele sabia ser programador de computadores no Banco. Pediu socorro ao Reginaldo que, por sua vez, providenciou outros colegas, da mesma área, para suprir o grande buraco deixado por um irresponsável. Era o nome da sua empresa que estava em jogo.

   Aí apareceram o Jerônimo Santana, Analista de Sistemas da Companhia de Energia Elétrica do Estado, o Weimar, o Henrique, o Fernando Careca e outros.    

   Começaram o curso e formaram os primeiros profissionais de Processamento de Dados do Pará, com um bom índice de emprego e salários excelentes. Era chique estudar na sua escola, o Centro Educacional de Processamento de Dados.
   
Depois ele se empolgou também com a computação e começou a estudar.

    Quando percebeu que a computação era a aplicação da LÓGICA, aí ele se apaixonou. Dedicou-se totalmente a aprender a programar um computador. Aprendeu fácil, porque lógica sempre foi o seu forte. Quem ama Matemática e Física sempre está perto da lógica e da razão.

    Seguindo as instruções do Redili, um grande mestre na sua vida, exemplo de decência, integridade e honestidade, começou a fazer os seus primeiros programas. Rapidamente percebeu que seria capaz de fazer sistemas.

        Começou a ter curiosidade por tudo o que dissesse respeito à informática. Onde existia um programa de computador ele ia ver para sentir como funcionava. Para ele os Analistas de Sistemas eram o máximo! representavam verdadeiros ídolos! até que teve condições, técnicas, de penetrar profundamente nos sistemas "desenvolvidos" por eles e poder analisá-los melhor.   
       Foi uma decepção. A grande aplicação da informática era somente na área da Contabilidade, da Folha de Pagamento, do Controle de Estoques e dos Contas a Pagar e Contas a Receber. Mais de noventa por cento dos Analistas e profissionais de informática só trabalham nisso, praticamente, e raro era o caso de algum sistema desenvolvido em outra área da necessidade humana. Existiam os sistemas de controle bancário e muito pouca variedade de aplicativos.


Reginaldo Dias de Lima, o Redili

       Com tudo isso, ele imaginava que aqueles sistemas de Contabilidades, Folhas de Pagamentos etc... eram desenvolvidos, integralmente, pelos Analistas e Programadores que os carregavam nas mãos para onde iam. Era comum nas mãos desses profissionais e nos porta-luvas dos seus carros, caixas de disquetes com os sistemas "desenvolvidos" por eles.

     Até que percebeu que eram todos copiados de alguém, com leves variações nos cabeçalhos dos relatórios e das telas do computador. Existia um tal sistema de Contabilidade da Prológica (um antigo fabricante de micro computador no Brasil, que foi tão arrogante para com os seus clientes que hoje ninguém ouve mais falar da sua existência, se é que ainda existe), que todo mundo copiava e aplicava em várias empresas.

    Foi uma tristeza, para ele, comprovar esta realidade! Foi uma decepção, porque a classe que ele praticamente idolatrava, nada mais era que um monte de copiadores.

    Não resta dúvida que também existiam algumas excessões no Pará, onde ele vivia, como a genialidade de um Artur Pojo, Arturzinho da Celpa, Edilson Carvalho, Redili e mais uns três ou quatro. Na Universidade Federal do Pará, aprendeu a admirar a genialidade de um caboclinho fantástico chamado Adagenor Lobato, um Mestre em Informática, de direito e de fato.

    Começou a planejar viagens para São Paulo e Rio de Janeiro, na expectativa de encontrar por lá as genialidades que esperava ver no campo da Informática. Ele não poderia se conformar com tamanha desilusão.

    Foi à São Paulo e visitou vários fabricantes e alguns birôs de softwares, nos edifícios mais sofisticados da Avenida Paulista, da Brigadeiro Faria Lima, da Bela Cintra etc... Ao adentrar nos edifícios, entusiasmava-se pelas construções em granito e muito vidro fumê e também pelos uniformes dos seguranças nas portarias, pedindo carteira de identidade, mandando-o esperar e oferecendo a ele os crachás para subir, a fim de ver aqueles os quais esperava ser verdadeiros deuses da profissão que   abraçara.

    Ao chegar diante deles sentia-se pequenino, diante daquelas gravatas, das belas secretárias, dos eficientes sistemas de interfones e da suntuosidade dos ambientes de trabalho.

    Está chegando a hora, pensava Alamar. "Vou agora ver sistemas de computação maravilhosos", era o que imaginava.

    E fazia contagem regressiva de tempo, para estar diante de um computador, com um daqueles engravatados lhe fazendo uma demonstração do que faziam os seus sistemas. Quando lhe perguntavam qual era a sua qualificação profissional, ele desconversava, com vergonha, porque não se sentia em condições de se dizer também Analista de Sistemas, nem ao menos programador de computadores. Preferia dizer que era professor de Matemática e Física e que dirigia um cursinho de computação em Belém.

    Quando chegou o momento esperado ele não acreditava no que estava vendo. No primeiro dia, pensou que estava tendo um pesadelo.

    Os sistemas demonstrados pelos grandes profissionais de São Paulo e do Rio de Janeiro, eram exatamente os mesmos que ele havia visto em Belém. Os motivos, também os mesmos: Contabilidade, Folha de Pagamento, Controle de Estoque, Contas a Pagar e a Receber. Nada de novo, nada de genialidade, nada de especial. Puxa vida, que decepção!!!.

    Quando ele conseguia entrar na estrutura dos arquivos de dados, se decepcionava ainda mais ao perceber que as "inteligências" de certos Analistas eram tão "grandes" que eles armazenavam até os pontos, barras e hifens que separam os algarismos das datas, dos CPFs, dos CGCs e dos telefones, por incrível que pudesse parecer. Isto em uma época em que os discos Winchesters eram caríssimos e os espaços precisavam ser melhor otimizados. Que tristeza!!!

    "Meu Deus do Céu, será que essa gente não cria nada?"

    E ninguém criava nada mesmo não. Era tudo igual, infelizmente. Ele tomou conhecimento também das existências raras de outros que atuavam em outras áreas, mas era tão raro, eram tão poucos, que não deu nem para conhecê-los. Por isso, Alamar diz que não se achs no direito de generalizar, dizendo que todos os analistas eram incompetentes, apesar de ter visitado inúmeros, responsáveis pela informatização de empresas gigantescas neste País.

SEUS DESAFIOS NA INFORMÁTICA

    Em 1985, foi procurado pela direção da TV Liberal, para desenvolver um sistema para processar os dados da eleição de prefeito de Belém. Assumiu o desafio e fez o trabalho com muito sucesso. Mas os detalhes você vai saber no tópico A TV Liberal e o processamento de dados das eleições.

    Alamar ficou a procurar por uma idéia que merecesse informatização. Só não podia ser contabilidade, folha de pagamento, controle de estoque e aquelas outras rotinas que todo mundo faz.

    "Eu não suporto ser apenas mais um a fazer a mesma coisa" dizia Alamar.

    Teria que ser um grande desafio. Começou a perguntar a si mesmo: "Que tal desenvolver um sistema que atendesse as necessidades da Secretaria de Educação do Estado? Que tal atender à área da Saúde? Que tal a área da Segurança Pública?"

    Pronto! estava decidido. Ele teria que desenvolver um sistema que atendesse a um dos segmentos públicos mais discriminados, menos apoiados pelas autoridades, mais abandonados pelo poder público mas que era o que mais aparecia nas manchetes dos jornais, do rádio e da televisão: A POLÍCIA.

    Veja o resultado deste trabalho na página "Sua experiência no serviço público".

Foi notícia em nível nacional por três vezes

    Para um profissional, de qualquer área, ser notícia na imprensa nacional por uma vez só já representa uma importância muito grande. Alamar foi notícia nacional por três vezes, em relação a três grandes sistemas que criou, noticiado na Rede Globo pelo "Jornal da Globo" e "Jornal Hoje", nos jornais "O Globo", "Jornal do Brasil", "Folha de São Paulo", "O Estado de São Paulo", "Correio Brasiliense", "Jornal de Brasília" e outros.
    Os sistemas que o fizeram notícia foram:

Sistema de automação Policial
Sistema TELECONOMIA
Sistema Namoro por Computador

    Sobre o sistema de automação policial, será falado na página que falamos sobre "Alamar, no serviço Público". Falaremos agora sobre os outros dois sistemas.

Sistema TELECONOMIA

    Na época do governo do Presidente José Sarney, o Brasil chegou a ter inflação mensal de 80%, o que era um absurdo.
    Alamar ficava revoltado com aqueles números e escandalizado quando encontrava, em uma loja, um produto custando o dobro, o triplo e até 1.000% (isto mesmo, mil por cento!!!) em relação a outra loja.
    Aí veio a idéia: Será que eu posso criar algum sistema para mostrar esses absurdos para a população?

    Desenvolveu então um sistema de computador, que passou a ser chamado TELECONOMIA, nome dado por ele mesmo.

    Como funcionava esse sistema?

    Alamar montou uma equipe, constituída apenas por meninas, para pesquisar diariamente os preços de mais de 5.000 itens no mercado de Belém, em vários segmentos comerciais: Supermercados, Materiais de Construção, Eletrodomésticos, Materiais elétricos, bebidas, materiais hospitalares, materiais rurais, gasolina, motéis e vários outros.
    Mas, ao contrário da operacionalização das pesquisas que você conhece, o TELECONOMIA não pesquisava apenas alguns produtos, para fazer uma amostragem geral não, ele pesquisa inúmeros produtos em muitas lojas, como por exemplo: Pesquisava 36 supermercados de Belém, mais de mil itens em cada um (parece loucura, mas foi isso mesmo).
    Para você ter uma idéia, o sistema TELECONOMIA não informava apenas a variação do preço da carne não, ele mostrava diariamente quanto custava o filé, o contra filé, a alcatra, a chã de dentro, a chã de fora, o fígado, o mocotó, o miolo, o bofe, o toucinho etc... Na pesquisa sobre o leite, por exemplo, ele mostrava o preço do leite ninho lata de 454 gramas, do leite Ninho lata de 2 kg, do leite Itambé, leite Mococa, leite Glória, Parmalat, Alimba e várias outras marcas e embalagens. Era assim mesmo! não era pesquisazinha de cesta básica não. Era prá valer mesmo!
    Na área de material de construção era pesquisado o preço do cimento, tijolo, barro, areia, prego, parafuso, dobradiças, telhas diversas, tintas diversas, massas diversas, madeiras, vasos sanitários, pias, torneiras, tubos e conexões etc...
    Na área de eletrodoméstico ele pesquisa o fogão continental 2001, de 6 bocas (e o de 4 bocas também) modelo tal, pesquisa a geladeira Consul 340 litros, duplex etc... e uma série de outros.
    Na área de materiais hospitalares, sabia preço da gaze, do merthiolate, esparadrapo, soros, agulhas, eter e todos os principais itens utilizados num hospital ou clínica.
    Na área rural, pesquisa preços de rações, vacinas e tudo o que o homem do campo utiliza.

    O TELECONOMIA era um sistema impressionante. Alguns colegas, da área, quando viam, diziam "Régis! Você só pode ser doido, prá fazer um negócio desse".

    Qual era o objetivo do sistema?

    Proporcionar a população de Belém ter acesso àqueles preços, através do telefone, ligando para uma tecnologia nova que estava surgindo no Brasil chamada 0900... (este sistema acabou existindo depois, abusaram demais e o governo decidiu acabar com ele. Infelizmente, as pessoas ainda não estão preparadas para determinadas tecnologias)... 

    Seria assim:
    Se uma dona de casa, resolve, por exemplo, comprar um fogão novo: Ela vai saber onde tem aquele fogão e aquele modelo que ela deseja, em qual loja, qual o preço daquela loja, qual o preço da segunda loja mais barata, da terceira e até da loja mais próxima da sua casa, sabendo, inclusive, o percentual de diferença de preço de uma loja para outra. 
    Seria feito um convênio com a TELEPARÁ (antiga companhia telefônica do Pará, hoje privatizada pela TELEMAR), que montaria toda a infraestrutura telefônica, lingando aos computadores do Alamar, que funcionariam 24 horas por dia, de segunda a domingo.
    Quando o Alamar levou o sistema ao conhecimento da diretoria da TELEPARÁ, os diretores ficaram encantados com a idéia e chegaram a chamá-lo de gênio. Chegaram a dizer que aquilo seria altamente viável para a Companhia, tanto do ponto de vista institucional como comercial.
    A imprensa do Pará fazia a maior divulgação do sistema. Até um programa diário, na TV Cultura, Canal 2, do Pará, foi criado, baseado nas informações do TELECONOMIA, com muito sucesso.         

    O IDESP, órgão oficial de controle de preços do Governo do Estado do Pará, chegou a fazer convênio com o sistema, pela sua importância, pela quantidade e itens e lojas pequisados.

     Mesmo sem ter ainda o convênio com a TELEPARÁ definido, o sistema funcionava e as pesquisas eram feitas. Alamar, que era empresário, estava investindo no sistema, arcando com toda a sua despesa operacional, já que não havia receita ainda.
     Alamar não tinha a menor dúvida de que esse convênio aconteceria, porque seria uma questão de coerência, bom senso e até inteligência por parte da diretoria da TELEPARÁ.

Primeira manifestação da incompetência

    Vejam bem que coisa impressionante:
    O órgão DIEESE, local, que também informava preços à população, divulgava índices de inflação e essas coisas, através de um dos seus dirigentes, em Belém, foi entrevistado em uma emissora de rádio local, Rádio Marajoara, AM, e disse para a população que o sistema TELECONOMIA não poderia ser levado a sério, que era uma brincadeira e que os seus dados que eram os corretos e que deveriam ser levados em consideração.
    Aquela opinião do órgão chegou a ser publicada em jornal de Belém, na época.

   Acontece que o DIEESE local (na época) era um órgão, claramente político, com demonstrações evidentes de que era sempre contra o Governo. Portanto, o seu interesse era difundir que havia uma inflação enorme, enquanto o Governo, por sua vez, sempre quis dizer ao povo que a inflação era baixa.

   Tomando conhecimento daquelas declarações, o Alamar que nunca foi de levar desaforo para casa, aproveitou-se de todas as portas da imprensa abertas para ele, foi a várias emissoras de rádio e televisão e deu a seguinte declaração à imprensa local: 


"O TELECONOMIA é um projeto técnico, produto da criatividade descompromissada. Graças a Deus, modéstia a parte, eu não sou político, não tenho qualquer compromisso com situação ou com oposição, porque é tudo farinha do mesmo saco. Por uma questão de respeito a população, não tenho interesse nenhum em difundir percentuais de inflação diferentes daquilo que o povo, que não é tão burro assim, pode comprovar ao visitar lojas, supermercados e o comércio em geral. Peço um pouco de respeito, porque pesquiso milhares de ítens, em inúmeros estabelecimentos comerciais desta cidade e não faço, como certos institutos que se dizem confiáveis, que pesquisam apenas uma meia dúzia de itens, numa meia dúzia de supermercados apenas, para dizer que tem os números corretos. Mato a cobra e mostro a cobra morta"

    Felizmente o Alamar foi procurado por outro elemento do DIEESE, que lhe fez uma visita muito cordial e lhe disse que a opinião do elemento que havia dado as infelizes declarações na imprensa não refletia o pensamento do instituto que respeitava e admirava a grandeza do projeto TELECONOMIA. Resultado: o DIEESE também firmou um convênio com o sistema. 

    E daí, a TELEPARÁ operacionalizou o sistema?
    Vejam só:
    Para a surpresa do Alamar, chega uma correspondência protolocada da diretoria da TELEPARÁ dizendo, mais ou menos o seguinte:

    "... Através deste documento, vimos informar que a TELEPARÁ não tem interesse em operacionalizar o projeto TELECONOMIA..."

    Mas a diretoria da própria TELEPARÁ havia manifestado tanta empolgação pelo sistema antes! chegaram até a chamar o Alamar de gênio, afirmaram que a idéia era altamente viável para a empresa do ponto de vista institucional e comercial, como pode chegar o documento dizendo isso?

    É questão de buscarmos aquele ditado antigo: "a razão tem razões que a própria razão desconhece".

    Acontecem coisas impressionantes no Brasil que não dá prá entender.

    Procurando informar-se sobre o que poderia ter acontecido para aquela mudança tão radical e aquela decisão considerada, por ele, tão estúpida, o Alamar foi atrás de pessoas que ele tinha como confiáveis e até suas amigas (inúmeras) naquela companhia telefônica e recebeu a seguinte informação:

    "Há um diretor aqui que é muito amigo do XYZ(*), dono das lojas ABC, que não tem o menor interesse em que esse sistema vá prá frente porque a cadeia de lojas dele aparece como a mais cara de Belém, na linha de eletrodomésticos, segundo o TELECONOMIA que está sendo muito divulgado pela imprensa. Além de tudo, Régis, esse diretor não gosta de você também não"

   (*) XYZ de fato era um grande, enorme, comerciante em Belém, na época dirigente do Clube de Diretores Lojistas local e de fato a sua loja aparecia como a que vendia mais caro, apesar de dizer nas suas propagandas que tinha os melhores preços de Belém.
   Não se sabe se a informação era verdadeira ou não, se esse comerciante interferiu ou não, mas a verdade é que de fato existiu um diretor da TELEPARÁ que mesmo sem conhecer pessoalmente o Alamar, mantinha o maior ódio dele.

    Conclusão: O sistema não funcionou para a população, como deveria, porque não deixaram.
   
Teve que viver imprimindo boletins, diários, em uns livretos feitos através de um conjunto enorme de máquinas xerox, para atender a diversos assinantes, entre eles, as construtoras de Belém, que precisavam estar informadas sobre os preços dos materiais de construção, alguns hospitais, hotéis, órgãos públicos, como a Secretaria de Saúde, Tribunal de Contas etc...

    Mas não deu para sobreviver por muito tempo não, porque a sua idéia inicial era atender a toda a população pelo sistema 0900 que, mais tarde, foi implantado no Brasil e só serviu para coisas inúteis, bobagens, exploração do povo e ganância de muitos espertalhões que tiveram apoio das companhias telefônicas, em detrimento daqueles que tiveram idéias mais úteis, de interesse da população, que não tiveram apoio nenhum. Infelizmente, no Brasil é sempre assim. A despesa operacional era alta e não deu prá manter.

O namoro por computador

    Não tem a nada a ver com coisa erótica, com apelações e nada disso. O projeto do Alamar, nessa área, foi algo também muito especial.
    Ele, utilizando dos argumentos abaixo...

    "As pessoas não sabem namorar. Elas são de uma desinteligência tão grande (inclusive eu fui) na eleição de uma outra pessoa para ser sua parceira, companheira, namorado, namorada, noivo, marido, mulher etc... que chegam a ser ridículas para com elas mesmas. 
    Em princípio, quando procuram alguém para namorar levam em consideração, somente, os seguintes aspectos: beleza física, pernas bonitas, cabelos, olhos, seios, bunda, altura, idade, situação econômica e só. É o tal negócio da menina que quer aquele célebre rapaz louro, alto, de olhos azuis, bunda durinha, pernas grossas e que tenha dinheiro.
    Mas ninguém procura analisar o mais importante, fundamental e indispensável fator de uma pessoa para ser sua companhia que é A SUA CABEÇA.
   
O que ela pensa? qual o seu estilo de vida? os seus princípios humanos, religiosos e culturais como são? o que essa pessoa tem que vem ao encontro dos meus anseios? ... Afinal de contas, que tipo de cabeça tem essa pessoa?
    Impressionante, mas as pessoas não olham para isso! 
    Eu tenho que criar alguma coisa que atenda a esse chamado das pessoas inteligentes.
    Afinal de contas, a pessoa que você quer existe; aquele que pensa exatamente como você quer, existe; aquele que dará certinho com você, existe. O problema é procurar saber onde essa pessoa está."

    E a partir daí criou um sistema de computador que permitia as pessoas se cadastrarem num grande banco de dados, respondendo a 96 questões importantes, com perguntas que avaliam a sua visão política, religiosa, os seus intintos violentos ou pacíficos, os seus vícios, a sua condição de pessoa ciumenta ou não, machismo, homossexualismo e uma série de fatores. Naturalmente, procurou também saber sobre dados físicos das pessoas, como tipo de pernas, cabelos, seios e até tamanho do pênis (no caso dos homens) porque, apesar de ter afirmado que esses fatores não são os mais importantes, não quer dizer também que eles não devem ser obervados.

    Cadastrou mais de 5.000 pessoas em Belém do Pará, colocando todas os computadores de uma sua escola de informática que funcionava no mais novo Shopping Center da cidade, para que as pessoas se cadastrassem, tudo isso gratuitamente, dispondo a elas também a condição de pesquisar para procurar o seu par ideal.
    O resultado foi excelente!

       Os jornais de Belém deram o maior destaque para a idéia. O jornal O LIBERAL e a TV Liberal, (afiliada Globo) apresentaram diversas matérias inclusive entrevistando pessoas que se conheceram pelo sistema. O Jornal Liberal chegou a estampar chamada de capa, com destaque.
      Houve casos de moças que não conseguiam parar com um namorado por mais de três meses que conseguiram finalmente encontrar aquele que deu certo e até casamento.

      Nessa brincadeira o Alamar foi convidado para ser padrinho de casamento de vários casais e até um convite, muito estranho e engraçado ele recebeu de uma noiva, entusiasmadíssima com ele: participar da sua despedida de solteira, com ela, em um motel de Belém. Detalhe: com o de acordo do seu noivo, que também estaria em despedida de solteiro na mesma noite, em outro local.
    O namoro por computador foi também amplamente divulgado pela imprensa do Pará e teve também divulgação nacional,  principalmente no Jornal Hoje e Jornal da Globo (REDE GLOBO), além de vários jornais do  Sul do País.

    Hoje já existe algo, mais ou menos parecido, na INTERNET, como o "Par Perfeito", o "Alma Gêmea" que, com todas as facilidades que a INTERNET oferece, muito mais eficientes que o que o Alamar dispunha na época, não chegam próximo a eificiência do dele, apesar de serem também eficientes.


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