HISTÓRIA DO ALAMAR NO ESPIRITISMO
As primeiras luzes do Espiritismo que Alamar viu aconteceu ainda quando ele estava na faixa dos 15 e 16 anos, na cidade de Vitória da Conquista, Bahia, no período era músico da Filarmônica Maestro Vasconcelos, mesma época que começou a tocar na orquestra com outros colegas também da banda. Aos finais de ano, nas épocas natalinas, o Centro Espírita Fé Esperança e Caridade, dirigida pelo velho Aurelino, conhecidíssimo na cidade, promovia uma festa muito bonita no Centro, quando distribuíam gêneros e presentes para os mais necessitados, eles convidavam um grupo da banda para tocar nesse Centro Espírita. E Alamar era um dos músicos convidados. O velho Julito Melo, o primeiro espírita que ele conheceu na sua vida atual, era o presidente da banda e era quem articulava isso. E lá estava Alamar, até gostando dos trabalhos que eram realizados, totalmente diferentes do que ele vivia na igreja católica, religião imposta pela sua avó. Daí ele já começou a gostar da coisa.
Agostinho Alencar, Silva Caceta e Adalberto, na FAB
Mas o convite que Alamar recebeu, já na fase quando saía da adolescência para a adulta, aos 20 anos de idade, então sargento da Aeronáutica, aconteceu no momento em que ele vivia muito revoltado com as incompetências e atitudes desinteligentes que presenciava no meio militar, em Belém do Pará, o que o irritava muito. Ele pirraçava demais as "mesmices" e a absoluta falta de criatividade que via ali dentro, no quartel da Aeronáutica. Quando ele tirava serviço de sargento de dia, fazia questão de fazer tudo o que era possível ao contrário do que todo mundo fazia, como, por exemplo: Todos os outros sargentos usavam o revólver, ou pistola, na cintura, do lado direito, com o cabo voltado para trás. Ele, só para pirraçar, usava do lado esquerdo, com o cabo para frente, como usam alguns "cow boys" do cinema. Isto irritava também muita gente.
Até que um belo dia, os colegas também sargentos, porém mais antigos e mais experientes que ele, como era o caso do Agostinho do Espírito Santo Freire de Alencar e do José Bonifácio de Andrada e Silva, o "Silva Caceta", com muita calma e uma paciência de Jó, convidaram-lhe para bater um longo papo e presentearam-lhe com "O Evangelho, segundo o Espiritismo", falando-lhe sobre esta doutrina. Ele estava sem religião e sem qualquer ligação filosófica, já que, depois de ter sido colocado para fora da igreja católica como criança adolescente ainda e ter também experimentado ser crente, vivendo também com a Bíblia embaixo do braço, havia se decepcionado com tudo. Aqueles dois colegas lhe deram, portanto, a primeira luz. O exemplo deles, como homens dignos, mexia muito com a sua cabeça.
Mas houve um outro sargento espírita, também na vida militar, que o tocou muito. Chamava-se Adalberto e era muito calmo e calado. Alamar nunca mais soube notícias dele. Certa ocasião Alamar estava preso, incomunicável, na PA (Polícia da Aeronáutica) do QG do 1º COMAR, em Belém, violentamente perseguido e torturado pela insensatez e o desequilíbrio de um Coronel, chamado Santarém, quando, numa situação de desequilíbrio ele chegou a colocar uma bala numa pistola 45mm e virava a pistola em direção à sua própria cabeça...
Vou contar o porquê desse desespero dele:
Na madrugada anterior, ele foi acordado no alojamento por quatro soldados da Aeronáutica, para "bater papo". Ressalte-se que Alamar era um sargento muito querido pelos soldados porque ele nunca foi de admitir certas frescuras no meio militar, como aquela que estabelece superioridades entre os seus homens. Para ele todo mundo era igual e agindo assim ele se portava. Pois bem. Nessa noite os quatro o convidaram para bater papo. Ele vestiu-se (estava com insônia) e sairam, ele e os soldados, conversando sobre televisão. Já estava próximo dele sair da FAB, porque isso aconteceu, mais ou menos em maio de 74 e ele sairia em julho. Comentavam sobre a TV Guajará, haja vista que Alamar falou pra muita gente sobre o convite que havia recebido para trabalhar naquela emissora, o que a maioria dos seus colegas, no meio militar, duvidou, por razões óbvias. E nessa conversa os quatro iam conduzindo ele, sem que ele percebesse a malícia, até o lado próximo ao muro do quartel, onde poderia dar a impressão, no dia seguinte, que ele havia planejado fugir da prisão. De repente percebeu que o soldado mais forte, por trás dele, levantou o braço bruscamente para lhe dar um forte soco na cabeça, o que consequentemente o faria desmaiar, para que depois eles fizessem o que alguém havia lhes mandado fazer.
Nesta parte aqui, existe outro detalhezinho que precisa ser explicado, antes de continuar a história:
Um ano antes, ele havia entrado numa academia de Judô, que funcionava no prédio do Corpo de Bombeiros, em Belém, dirigido pelo mais eficiente judoca do Pará, que é o professor Alfredo Coimbra, um "negão" maravilhoso, exemplo digno de caráter. E o professor Alfredo exigia muito dele, chegando a lhe dar muita porrada nos treinamentos, com objetivo de lhe fazer cada vez melhor. Não se tratavam de porradas ofensivas não, era treinamento duro mesmo, prá valer. E ele se via intimado a ficar bom naquilo, de qualquer jeito. Ou ficava bom ou teria que suportar as dores das porradas do seu amigo Alfredão. Depois, achando que jamais iria usar aquilo, abandonou a academia e disse para o professor, que é seu amigo até hoje, que não ia continuar mais não. O professor até chorou, porque gostava muito do Alamar. Veja bem, gente, o que a espiritualidade apronta para todos nós, planejando tudo bonitinho e no tempo certo.
Alamar conta que não sabe por quem foi guiado, mas de repente aplicou um golpe no forte soldado, jogando-o no chão e conseguiu dominar todos os quatro, não sabe explicar como. Só relata que quando conseguiu ver as coisas, só viu os dois caídos abatidos no chão e se despertou a sair correndo para o alojamento, colocando uma porção da armários de aço escorando a porta e ficando acordado o resto da noite.
Cinco anos, mais tarde, quando ele já estava na vida civil, longe do quartel, recebeu a visita de um cidadão que dizia na secretaria da sua escola, que queria falar com ele de qualquer maneira. Quando ele atendeu, o homem identificou-se, chorando, como sendo um dos soldados contratados para acabar com ele e, sob muitas lágrimas mesmo, o implorava o perdão. Contou-lhe toda a história, que ele prefere não entrar em detalhes, uma vez que não guarda mágoas de ninguém. O ex-soldado havia ficado crente, da Igreja Batistas, e dizia-se convidado pelo Senhor para procurar pelo Alamar e pedir perdão.
Alamar relata que, talvez, pelo desequilíbrio provocado por aquela tentativa de homicídio que recebeu, que achou que não havia mais jeito para ele, a ponto de pegar uma pistola e levar em direção ao seu ouvido. O Sargento Adalberto, que era especializado em armamentos, entrando no alojamento naquele momento, lhe tomou a pistola, lhe acalmou, pegou o seu "Evangelho, segundo o Espiritismo" e leu para ele, o que lhe deu uma tranquilidade muito grande.
Estes foram, portanto, os seus primeiros contatos com o Espiritismo, já na fase mais adulta.
Milton Pinto de Mendonça
Mas ele ainda tinha a idéia de que Espiritismo e Umbanda eram a mesma coisa. Ora ia num centro ora ia num terreiro, e não via lógica na coisa, por causa da mistura que ele fazia.
Quando ele assumiu a direção da TV Guajará, aos 23 anos, apareceu na sua vida o senhor Milton Pinto de Mendonça, já na faixa dos sessenta e poucos anos, que era o cinegrafista da televisão. O senhor Milton era um verdadeiro filósofo que conversava muito com ele e que lhe deu atenção para ouvir a sua história que acabamos de contar aqui.
Certo dia o Milton o convidou para ver uma obra verdadeiramente espírita. Era a Escola Fonte Viva, construída por ele, não apenas pelo seu dinheiro, mas com ele pegando no barro, no tijolo e dando duro mesmo para fazer o prédio. Essa escola ficava no Bairro da Terra Firme, um dos mais pobres de Belém, e fazia parte da Sociedade Espírita Emmanuel. Foi o homem que mais conversou com Alamar sobre o Espiritismo, mostrando-lhe a sua racionalidade. A partir daí, Alamar passou a frequentar o Centro Espírita Emmanuel por algum tempo, onde pode conhecer o Jacinto Brito, outro participante da casa, muito amigo do Milton, que foi outro brilhante orientador que ele teve em Belém.
Mas o Espiritismo praticado por Alamar, então, era aquele de somente frequentar centro, quase por obrigação, do mesmo jeito como faz o católico ao ir à missa e o protestante ao ir ao culto. Ele não tinha maiores participações e nem ao menos lia nada do Espiritismo, a não ser a recomendada leitura do Evangelho, com "abertura ao acaso" sempre recomendada por muitos espíritas.
O grande convite
![]() |
Só veio acontecer, mesmo, naturalmente, depois do suicídio da sua esposa, Zeny. Foi aí que ele resolveu estudar o Espiritismo para entender aquela experiência. Depois do estudo da Doutrina, vem a explicação e o entendimento indispensável para a pessoa poder ter certeza então da excelência que é o Espiritismo. Aí ele passou a se interessar por conhecer cada vez mais a Doutrina. O Milton já havia desencarnado. Na época ele tinha o Jacinto Brito e o Josino, que era um jornalista espírita, sempre ao seu lado, lhe dando maiores esclarecimentos e explicando detalhes da excelência espírita. |
|
Jacinto Brito. Um grande incentivador |
|
A sua tarefa na área social
Após a desencanação da Zeny, encontrou no Jacinto Brito um esteio para sustentar-se no desafio de compreender o que havia acontecido. Jacinto o convidou a realizar uma tarefa que o ajudaria muito a esquecer o trauma ao mesmo tempo que o valorizava muito, fazendo-o sentir-se útil a pessoas necessitadas: A tarefa da sacolinha, que consistia numa reunião de amigos, todos os sábados, num velho barraco situado no terreno onde estava sendo construído o novo prédio da União Espírita Paraense, juntamente com os amigos Guimarães, filho do Véio Zinho Gato, e sua esposa Glória; Crispim, Antonio Carlos Narigudo, Ivete, Seu Ivo, Kemal e outros, que, depois de estudos no Evangelho, sobre a Caridade, saíam com os seus carros em direção a casas de pessoas extremamente pobres, levando sacolas com mantimentos.
![]() |
![]() |
![]() |
|
Imagens da tarefa da sacola, realizada todos os sábados, em Belém. |
||
A tarefa era muito gratificante para todo o grupo que não levava apenas alimento material para os mais pobres, mas levava também aquele bate papo gostoso, orientação dentro do Evangelho, sem procupação em tentar converter ninguém da família, registrando que famílias protestantes eram também atendidas, embora recebessem orientações nas suas igrejas para não aceitarem os alimentos que lhes eram dados, sob a alegação de que era comida envenenada pelo Satanás. Parece engraçado, mas queriam que as famílias morresem de fome, mesmo.
E a vida foi sendo levada. Quando Alamar sentiu-se firme e percebeu que não estava na Doutrina por empolgação nem por entusiasmo passageiro por causa de um processo de morte de um ente querido, conta que apresentou-se a ele, uma certa noite, um espírito, dizendo que ele seria um grande divulgador do Espiritismo. Ele não poderia acreditar numa possibilidade daquela porque não tinha mediunidade e não se julgava capaz, mas terminou aceitando o desafio. Conta que não sabe se foi sonho ou o que foi, mas um dia ele assumiu esse compromisso com alguém que não era encarnado.
Esse alguém lhe disse que ele iria enfrentar muitas dificuldades e que as maiores seriam proporcionadas pelos próprios adeptos do Espiritismo. Recomendou-lhe que ficasse preparado.
Vamos ver o que ele fez, nestes tempos de 1983 para cá:
REVISTA AÇÃO ESPÍRITA
Alamar criou a revista "Ação Espírita" em 16 de julho de 1983, bancando todas as suas despesas gráficas (a sua empresa tinha condições financeiras para tal). Na parte de redação e seleção do material editorial contou com a ajuda do Josino Alves dos Santos na redação e na revisão, para não haver deslizes doutrinários.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Sempre audacioso, já começou enovando. A capa era feita em policromia, diferente de todas as publicações espíritas que existiam até então. A revista ficou linda. O conteúdo, uma beleza. Além do Josino, teve ajuda de outras pessoas que a revisaram. A tiragem foi de 5.000 exemplares, um verdadeiro exagero na época, considerando o que aconteceu depois.
Resultado: A revista foi totalmente boicotada pelo Movimento Espírita organizado do Pará. Uns alegavam que a sua capa em policromia representava uma afronta à humildade ensinada pelo Espiritismo. Outros condenaram o seu conteúdo sem ao menos se preocuparem em ler antes. É bom lembrar que, embora Alamar fosse novo, de fato, no conhecimento da doutrina, a revista era feita e revisada pelo jornalista titular da União Espírita Paraense, Josino Alves dos Santos, um dos mais competentes jornalistas espíritas que o Brasil já teve conhecimento. Era ele quem escrevia em nome da UEP para os jornais de Belém e para o jornal "A Revelação", feito em papel da pior qualidade, da UEP. Nenhum centro espírita adeso à União Espírita Paraense aceitou vender a revista, que se perdeu toda, destruída pelo cupim no depósito da empresa CEPD de sua propriedade. Alamar recebeu inúmeros elogios de todos os Estados brasileiros, mas não tinha estrutura para distribuição nacional da revista.
Chegou a fazer outros números, com a ajuda do Hélio Pinto e do Demóstenes Pontes, mas o boicote aconteceu sempre e nunca ninguém acreditou que ele estivesse, de fato, bem intencionado em divulgar a doutrina. É sempre assim.
GRAVAÇÕES DE EVENTOS ESPÍRITAS
Alamar sempre se preocupou muito com arquivos, sempre achou que o patrimônio histórico vale muito. Então começou a gravar as grandes palestras espíritas que aconteciam em Belém, com Divaldo Franco e Raul Teixeira, os únicos oradores de outros Estados que visitavam o Pará.
Tem coisa para relatar aqui também:
Em maio de 1986 estaria inaugurando o novo prédio da União Espírita Paraense, recém construído. Na época Alamar tinha uma fábrica de móveis que era também fábrica de caixas de som, em Belém. Ele resolveu fabricar umas caixas de som para presentear a União Espírita Paraense, num total de doze. Colocou em cada uma das caixas um alto falante para graves e um "tweter" para agudos, atendendo a uma orientação da BRAVOX (um dos maiores fabricantes de alto falantes do país) sobre a fabricação de caixas de sons para voz, que seria o caso do uso da União Espírita Paraense.
Ao levar as caixas de som para a União, como presente, colocou-se a disposição também para instalá-las. Era um dos assuntos que ele mais entendia na época, porque ele tinha uma fábrica e procurou estudar muito e entender o máximo para poder trabalhar bem na qualidade.
A diretoria da União Espírita recebeu as caixas de som e recusou a sua oferta para a instalação, sob a alegação de que já tinha outro cidadão "expert" que iria instalar. O cidadão chamava-se "Carlaime" (se não é assim o nome dele, era coisa parecida). Alamar não se aborreceu não, pois, não teria porque. Para início de conversa, o tal cidadão "expert" indicou um dos amplificadores mais vagabundos que existem no mercado. Só não vamos falar a marca, porque estariamos fazendo uma propaganda negativa do produto publicamente. Mas era uma das piores coisas, em termos de som, que existe no mundo.
O cidadão, então, destruiu todo o circuito que Alamar havia feito com muito amor para presentear a União Espírita. Desligou os tweters, dizendo que aquilo não tinha necessidade nenhuma. Quem entende de som sabe que os tweters destaca os agudos, o que é muito bom para a voz. Até hoje, doze anos depois, estes tweters estão desligados no prédio da União Espírita.
Mas Alamar gravava todas as palestras, em princípio apenas em áudio e depois, em vídeo. Ele foi um dos primeiros no Brasil a gravar palestras espíritas em vídeo cassetes.
Essas palestras eram copiadas gratuitamente para qualquer pessoa que lhe pedisse, desde que lhe desse a fita virgem para fazer a cópia. A sua preocupação era somente a de divulgar ao máximo a doutrina Espírita.
Os Eventos Espíritas
Notando que o Pará praticamente só conhecia os oradores Divaldo Franco e Raul Teixeira, de fora das suas fronteiras, resolveu levar gente nova para o povo de lá conhecer, promovendo grandes eventos, com tudo pago às suas custas, sem ajuda financeira de ninguém. Ele bancava, sozinho, as passagens aéreas, hotéis, lanches, almoço, jantar, deslocamento e tudo. Ninguém podia dar ajuda nenhuma, alegava todo mundo estar "sem dinheiro. Alamar levou ao Pará os seguintes oradores:
José Alberto Medrado, Djalma Motta Argollo, Eduardo Guimarães, Ariston Santana Teles, Jorge Andréa, Clóvis Nunes, o Padre François Brune (da França) e outros. O livro "Os Mortos nos Falam", lançamento histórico no mundo, de autoria do padre francês François Brune, foi traduzido para o Português e lançado no Brasil, a partir de Belém, em evento realizado por Alamar, levando àquela cidade o Clóvis Nunes, que trouxe o padre ao Brasil e o próprio padre Brune.
Quando ele realizava esses eventos, recebia a condecoração que está sempre presente na vida dos grandes idealizadores: "Estás querendo aparecer".
Colunas em Jornais
Como todos os jornais, os de Belém mantinham um espaço para "Cartas do Leitor" e Alamar escrevia muito para esses espaços, principalmente para defender o Espiritismo, quando a doutrina era atacada por protestantes fanáticos.
O Jornalista Carlos Mendes, um nome consagrado no jornalismo do Pará, o convidou para escrever uma coluna no jornal "Folha do Norte", usando aquele estilo que ele usava quando mandava cartas para os jornais, estilo esse que, segundo ele, era muito bom para jornal. Mas a coluna teria que ser diária e se chamaria "Coisas do Além". Ele topou o desafio e começou a escrever. Ficou um ano escrevendo no jornal, que era diário, e só parou quando o jornal deixou de circular. O jornal pertencia ao Grupo Liberal, o maior grupo de comunicações da Amazônia, que preferiu ficar com um jornal apenas, que era o próprio "O Liberal", o maior do Norte do Brasil. Mas foi um sucesso muito grande. Ele fez inúmeras amizades, por causa dessa coluna. Por causa disso recebia a mesma condecoração do movimento espírita organizado: "Está querendo aparecer". Era só isso que o pessoal conseguia ver.
Ao fechar o jornal "Folha do Norte", o jornalista Carlos Mendes foi para O Liberal e o convidou a continuar escrevendo naquele jornal de maior circulação, mas somente uma vez por semana, todas as segundas-feiras. Foi um sucesso total. O público adorava a sua coluna, porque ele sempre procurou escrever de uma forma como todos entendem e não admitia a manifestação de exibicionismo cultural, como muitos fazem (diz que não foi só por opção não, foi porque ele não tem lá essas culturas não).
Essa coluna de "O LIBERAL" fez pessoas evitarem suicídios, abortos e violências diversas. Causou muito bem a muita gente, segundo manifestações das pessoas nas ruas de Belém quando o viam. Mas o movimento espírita organizado do Pará não gostava desse seu trabalho. Diziam que ele estava vulgarizando o Espiritismo e o julgamento era sempre o mesmo: "Está querendo aparecer".
As matérias de Alamar, escritas nesse jornal, estão publicadas no seu livro "Sob a Ótica Espírita", cujos pedidos podem ser feitos pelo E-Mail alamar@redevisao.net. Nele, Alamar conta cada caso impressionante.
Um fato lamentável, porém interessante.
Certa ocasião, Alamar planajou um evento em Belém, no qual levaria, pela segunda vez à cidade, o orador baiano Djalma Motta Argollo, com passagens aéreas e todas as despesas pagas às suas custas, sem usar um centavo de ninguém.
Acontece que na semana anterior ele havia escrito uma matéria no jornal "O LIBERAL", na sua coluna, com o título "Suicidar! Prá quê?", matéria essa escrita numa linguagem bem coloquial, bem povo, para ser entendida por todo mundo. A matéria conseguiu fazer com que um advogado conhecido na cidade desistisse do suicídio, no dia em que foi publicada, por causa de uma separação conjugal. Já havia feito o efeito desejado e cumprido o seu papel. A história está contada também no seu livro.
Alamar foi chamado pelo "movimento espírita organizado" para uma reunião para lhe comunicarem que ele não poderia fazer-se presente na mesa da União Espírita Paraense, nos três dias que o Djalma Argollo iria falar, por ter escrito palavras vulgares na sua coluna no jornal "O LIBERAL", exatamente na matéria "Suicidar! Prá quê", a mesma matéria que serviu para evitar um suicídio declarado, fora outros que ele tomei conhecimento depois. Ele tem guardada a página do jornal que também está arquivada no mesmo jornal em Belém, a disposição de quem desejar ler.
O "Espiritismo via Satélite"
Alamar nunca foi de dar o braço a torcer a ninguém, principalmente quando alguém tenta lhe proibir, obrigar ou teleguiar. Ele não admite ser fantoche, marionete nem maria-vai-com-as-outras.
Por ser Analista de Sistemas e homem de televisão, sempre teve uma boa ligação com a EMBRATEL, interessando-se em ler tudo o que é publicado sobre a nossa maior empresa de telecomunicações e sempre teve muitos amigos na empresa em Belém.
Tomou conhecimento de um serviço oferecido por ela, chamado TV Executiva, que consistia em fazer reuniões de empresas, de âmbito nacional, via satélite, em sinal fechado. O que seria isso: A Volkswagen, por exemplo, resolve lançar um carro a partir da sua matriz em São Paulo e, em vez de chamar os diretores das cocessionários regionais a viajarem até a capital paulista, reúne todos os auditórios da EMBRATEL nas suas respectivas cidades. Alguém dá uma aula, em frente a uma câmera, mostrando como é o carro e todos assistem pela TV, podendo fazer perguntas por telex, telefone ou microfone. Ninguém, além do pessoal da concessionárias, consegue ver essa programação, por ser em sinal codificado. Só os presentes nos auditórios da EMBRATEL.
Já que qualquer empresa pode contratar um serviço desse, e optar pelo sinal aberto ou fechado, Alamar resolveu contratar para divulgar o Espiritismo, optando por abrir o sinal, para poder ser visto em todo o País.
Fez o programa piloto no dia 16 de dezembro de 1990, a partir de Belém, com a presença do médium baiano José Alberto Medrado, ao vivo, oportunidade esse que brindou o público com uma mensagem psicografada do Espírito Vianna de Carvalho. O programa era uma proposta ao movimento espírita brasileiro, mas não teve eco não. No Pará, a avaliação foi a seguinte: "Está querendo aparecer".
O filme "Ghost, do outro lado da Vida" na TV
Trabalhando no processo de informatização da TV Liberal, emissora afiliada da Rede Globo em Belém, Alamar tomou conhecimento, em dezembro de 1993, que a Rede Globo iria passar, no dia 27 daquele mês, o filme "Ghost, do outro lado da Vida", pela primeira vez na televisão, depois do extraordinário sucesso no cinema. Resolveu, então, colocar a sua criatividade para funcionar.
Foi à livraria da União Espírita Paraense, comprou os livros que compõem as obras básicas do Espiritismo, dirigiu-se à produtora de televisão 3D (a mais eficiente e criativa do Pará), produziu, sob a direção do extraordinário José Paulo, quatros comerciais diferentes, especificamente comentando partes do filme, falando que aquilo que o público estava vendo no filme era a realidade da vida que todos iremos passar, e que maiores detalhes podem ser conhecidos lendo "O Livro dos Espíritos", "O Livro dos Médiuns" e todos os outros das obras básicas. E nos comerciais eram mostrados os livros.
Combinou com a TV Liberal que aqueles comerciais deveriam ser exibidos logo após o "Plim Plim" da Globo, como primeiros do intervalo. Foi um sucesso extraordinário.
No dia seguinte, todos os livros das obras básicas foram vendidos em todos as livrarias espíritas de Belém.
Pela primeira vez Alamar não recebeu o julgamento de "Está querendo aparecer". Foi parabenizado, por telefone, por um membro da diretoria da União Espírita Paraense.
A volta definitiva do programa
Já que ele não teve apoio nenhum, tanto do movimento espírita local quanto de ninguém, uma vez que a sua empresa estava bem, resolveu bancar o programa, prá valer, todos os meses, a ser apresentado do auditório da EMBRATEL em Belém. Ele iria para o ar todos os primeiros domingos de cada mês.
E assim fez. Apresentou o primeiro programa no dia 3 de março de 1996, com uma entrevista com o médico homeopata Alberto Ribeiro de Almeida, a maior expressão do movimento espírita do Pará, no Brasil. Foi um sucesso. Avaliação do pessoal: "Está querendo aparecer".
Existem algumas pessoas que, de fato, esforçaram-se ao máximo, embora contrariando o desejo do "movimento espírita organizado" do Pará, para que o programa "Espiritismo via Satélite" fosse mantido no ar, a partir de Belém. O grande companheiro de luta do Alamar, José Iranides Gouveia, que ajudava a carregar os equipamentos e estava sempre presente na EMBRATEL, o Hélio Rocha da Silveira Pinto, o Pedro Cardoso e, principalmente, toda a equipe da MELB (Morada Espírita Legião do Bem), dirigido pela Lúcia Pinto, o único Centro Espírita em Belém que ajudava, em peso, as realizações da SEDA, disponibilizando um grande número de frequentadores e participantes do seu trabalho. Hélio Pinto, chegou a pagar a despesa com a EMBRATEL referente a realização de um programa, quando a empresa do Alamar foi destruída por um incêndio, o que fez com que ele ficasse totalmente desprovido de qualquer recurso financeiro.
A Semana Espírita de New York
Já que Alamar estava disposto a entrar, prá valer, na divulgação do Espiritismo, a partir de 1996, idealizou, em novembro de 1995 a Primeira Semana Espírita de New York, nos Estados Unidos, já prevista para acontecer de 12 a 19 de maio de 1996, com apoio do Allan Kardec Spiritist Center. Ele chegou a New York no dia 8 e, juntamente com Norma Hoppe e sua equipe, fizeram um trabalho maravilhoso. Foi uma beleza, um evento inesquecível, que se encerrou no dia 19, um domingo, com chave de outro. Lá estiveram os oradores, (maioria brasileiros): Eduardo Guimarães, Estêvão Camolesi, Benjaminm Teixeira, José Medrado, Alamar Régis e o Colombiano, que também é Presidente da Federação Espírita da Flórida, Benjamin Gonzalez Barreira.
A partir daí, o programa ficou definitivamente no ar, apesar das dificuldades terríveis que lhe surgiram. Em 19 de maio de 1996, exatamente no dia 19, quando encerrava a semana espírita de New York, Alamar soube, nos Estados Unidos, que houve um incêndio na sua empresa, em Belém, que liquidou com ela, fechando as suas portas definitivamente.
Os nomes mais conceituados do Movimento Espírita do Pará, foram aconselhados a não participarem do programa e todos recusavam os convites. Alamar estava sendo sufocado ao extremo, para não realizar a sua grande tarefa de divulgar o Espiritismo.
A primeira Teleconferência Espírita, via Satélite, do mundo
Alamar realizou, também a partir de Belém do Pará, a primeira teleconferência espírita via satélite do mundo, ligando, com imagem e som, as cidades de Belém, Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, em junho de 1996, fazendo um reunião cibernética, onde todos poderiam se ver e falar à vontade, à distância, como se estivessem reunidos numa sala. Participaram do histórico evento, o então Presidente da ABRADE (Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo), Wilson Longobucco, diretamente do Rio de Janeiro, e o secretário executivo da mesma instituição, Marcus Vinícius Ferraz Pacheco, falando do Recife, com a presença de várias lideranças espíritas no auditório da EMBRATEL da capital pernambucana.
A proposta de Alamar era para que o movimento espírita utilizasse aquele meio, proporcionado pela moderna tecnologia, para realizar reuniões em nível nacional. Mas o movimento espírita não deu a menor importância ao fato.
Mas nada o que fazia em Belém, merecia a menor importância. Tudo o que ele fazia, por mais importante que fosse para a divulgação do Espiritismo, só recebia uma qualificação: "Está querendo aparecer".
Alamar decidiu, em agosto do mesmo ano de 1996, mudar residência para Salvador, na Bahia, onde, certamente teria apoio do Movimento Espírita, o que verdadeiramente aconteceu.
Conselho Federativo Nacional
A convite da Federação Espírita do Estado da Bahia, que sempre incentivou o seu projeto, participou em novembro de 1996 e novembro de 1997 da reunião anual do Conselho Federativo Nacional, na Federação Espírita Brasileira, em Brasília, falando sobre o projeto. Em 1997 recebeu apoio de quase todos os Presidentes de Federações dos Estados brasileiros..
Espiritismo via Satélite - Todos os domingos no ar
Tendo recebido uma ajuda da CAPEMI e apoio total do Movimento Espírita da Bahia, resolveu, a partir de março de 1997, colocar o programa "Espiritismo via Satélite" no ar, semanalmente, todos os domingos, proporcionando assim um verdadeiro banho de divulgação da doutrina no Brasil. Foi informado, extra-oficialmente, que o programa fala para mais de Cinco milhões de pessoas, o que lhe deu muita alegria.
A revista VISÃO ESPÍRITA
![]() |
Em 1997 declarou que lançaria uma
revista espírita com o mesmo padrão de qualidade gráfica da VEJA e das grandes revistas
vendidas nos bancas. Muita gente duvidou. Essa revista se chamaria "Ação
Espírita", que era o mesmo nome daquela que ele havia criado no Pará. Mas na
reunião do Conselho Federativo Nacional, em Brasília, tendo tido a oportunidade de falar
sobre o seu projeto para o então Presidente da Federação Espírita do Rio Grande do
Sul, Jason Camargo, e seu então vice, Nilton Stamm, expondo que a proposta principal da
revista era enfocar os assuntos que são notícias no Brasil e no mundo sob a ótica
espírita, o Jason sugeriu-lhe uma mudança de nome:"Por
que não chamar VISÃO ESPÍRITA então, tchê?". |
||
| Primeira Visão Espírita | |||
Foi lançada em Abril de 1998, surpreendentemente, o seu primeiro número, nas principais bancas de revistas do Brasil, com uma tiragem incicial de 50.000 exemplares.A revista é mensal.
Aí o sucesso foi bom demais. Já no segundo número, de maio, houve um salto para 60.000 exemplares.
Em dezembro de 1998, chegou nos 100.000 exemplares mensais. A previsão agora é chegar aos 300.000 exemplares mensais, em 1999.
Detalhe importante: É muito comum no meio de revistas e jornais as pessoas imprimirem um determinado número de exemplares e dizerem que tiram o dobro. A própria Editora Abril disse a Alamar que ele é a única pessoa que ela conhece que imprime um determinado número e diz que só imprime aquele número. Existe uma revista religiosa nas bancas, que diz no seu expediente que imprime 60.000 exemplares, também, mas, ele foi informado que ela só imprime 30.000, de fato. A SEDA libera para qualquer pessoa que duvidar, acompanhar a impressão da revista Visão Espírita, na gráfica da Editora Abril, a hora que desejar. A questão agora é conseguir a autorização deles (o pessoal da gráfica) para visitar o seu parque gráfico, o que não é difícil, com a garantia de que não vai jogar nenhuma bomba lá. Segundo a Abril, ninguém tem tido a coragem de fazer um desafio desse.
Alamar insiste em convidar quem duvidar da sua tiragem a contar, se for o caso, cada exemplar, ao sair da máquina, para conferir se é ou não é mesmo 100.000 exemplares. Faz o desafio porque sabe o quanto existe de gente que duvida da competência, da audácia e da criatividade dos outros.
Rede VISÃO de TV
Este é o grande desafio do Alamar. Ele diz que vai colocar no ar a primeira Rede Nacional de Televisão Espírita do mundo, falando 24 horas (no início apenas 12 horas) para todo o Brasil e logo a seguir para todas as Américas e parte da Europa. Tudo isso é realização da SEDA Produções.
Rede VISÃO de Rádio
Um ou dois meses depois de inaugurada a Rede VISÃO de TV, será lançada no ar a Rede Nacional de Rádio Digital Espírita, via satélite.
Esta é a história de Alamar Régis no Espiritismo












