A PERSONALIDADE MARCANTE E COISAS ENGRAÇADAS DECORRENTES DISTO

    Alamar costuma dizer o seguinte: "Podem me chamar de tudo, menos de hipócrita, de maria-vai-com as outras, falso, fingido e mascarado, porque quem chamar estará num processo terrível de inversão de valores, haja visto que eu mostro, a todo instante, pelas minhas atitudes, pelo meu comportamento, pelas coisas até consideradas malucas que faço, que sou absolutamente o oposto dessas coisas".
    Vejamos aqui, se essa sua afirmativa tem sentido.
    Na afirmação dessa sua personalidade, ou seja, na sua luta para ser sempre o que é e nunca admitir ser conforme o que querem que ele seja, ou necessariamente ser como os outros são, Alamar tem sofrido muito, mas tem conseguido manter essa sua filosofia de vida.

   "Eu acho extremamente ridículo uma pessoa vestir uma roupa, só porque essa roupa está na moda. Um jovem adolescente ter que tomar bebida alcoólica e fumar, só porque dizem que prá ser homem tem que fazer isso. Você ter que ouvir músicas, conforme as conveniências das rádios FMs. Você cantar somente "parabéns prá você" para homenagear o aniversariante, sem competência para criar nenhum outro tipo de homenagem. Você tirar conclusões sobre uma pessoa, apenas com base no que os outros dizem. São coisas que me irritam, pela burrice das pessoas"

    Conforme você pode observar aqui no histórico da vida dele, Alamar desde criança vem dando demonstração disso, que ele é ele e não fantoche de ninguém.
    Na adolescência, vivendo numa cidade de interior onde, por falta de opções, o comum é os homens se encontrarem nos botecos e aprenderem a beber cachaça, convivendo desde os 13 anos em um ambiente de banda de música e orquestra, onde cem por cento dos seus colegas fumavam e tomavam bebida alcoólica, conseguiu se manter sem nunca ter colocado um gole de álcool ou um cigarro na boca, não é fácil para um jovem, ainda mais convivendo com aquela pressão terrível por que muitos passam, que diz  que homem que não bebe e não fuma, é viado. Não é mole um adolescente agüentar uma pressão dessa.
    E por aí vai. Assim que entrou na Aeronáutica, aos 17 anos, enfrentou a mesma barra pesada para manter essa sua decisão de não beber e não fumar, num universo onde os próprios sargenteantes da Escola de Aeronáutica, quem deveria dar o exemplo para os seus alunos, eram alcoólatras e fumantes.
    Aos 20 anos, quando fundou a sua própria escola preparatória, resolveu adotar o seu próprio método de ensinar Matemática e Física, não querendo seguir o mesmismo dos demais professores. Conseguir se dar bem no seu objetivo, por causa da sua criatividade. Enfrentava críticas, mas não abriu mão.
    Mas vamos ver aqui, algumas coisas interessantes, que até dá prá rir, das coisas sui gêneris que o Alamar faz.

Servir jantar no pinico, para as suas visitas

   Oferece um jantar para alguns amigos, em sua casa, em Belém, e quando as pessoas são convidadas à mesa, observam que a feijoada está servida em um pinico (urinó ou bacio, na linguagem de algumas regiões), e o arroz em outro pinico..
    Alguns amigos, mais conservadores, questionam: "Alamar, em sua casa não tem um recipiente mais apropriado para servir alimento às visitas?"
    Questionemos: Se os pinicos são novos, limpos, usados só para aquela finalidade, por que não podem ser utilizados à mesa? Só porque convencionou-se que eles devem ficar embaixo das camas (no tempo em que se usava pinicos embaixo das camas), para colher urina?
    Mas tem muitos amigos que gostam dessas particularidades.

Não dava nomes aos filhos, nos primeiros meses depois de nascidos

   Isso mesmo. A primeira filha do Alamar, a Elizângela Cristine, ficou seis meses sem ter nome nenhum.
    Ele sofreu muito, na língua dos outros, por causa disso. Uma sua cunhada chegou a ameaçá-lo com a polícia, porque não havia dado nome para a filha, exigindo que ele a registrasse, de qualquer maneira.
    E ele dizia: "Não vou colocar nome agora, em minha filha. A filha é minha e eu coloco nome quando eu quiser. Não vou colocar".
    Era a coisa mais engraçada do mundo, quando ele levava a criança ao consultório do Pediatra, após a consulta, quando o médico ia escrever a receita, para o problema da diarréia ou da gripe da criança:

    - Por favor, qual o nome da criança?
    - Sinto muito, doutor, ela não tem nome.
    - Como não tem nome? Onde já se viu uma criança não ter nome?
    - Mas essa aqui não tem nome não, doutor.
    - Vamos rapaz, eu tenho outros pacientes para atender. Diga logo o nome da criança!
    - Não tem nome não, doutor. É verdade. Só vou botar nome nela, quando fizer 5 anos.
    - E como eu coloco aqui na receita?
    - Coloque xxxx, doutor.

    E os médicos assim faziam, nas receitas da criança.
    Só depois de seis meses, a menina recebeu um nome, depois de muita gente, que adora se envolver com a vida dos outros, ficar irritada e tentar de várias formas agredi-lo, por ele optar por não ser escravo do mesmismo.
    A segunda filha, Janine Rosely, também só veio ter nome, aos oito meses de idade.
    O filho, passou mais tempo sem ter nome. Apenas com 2 anos e 4 meses, Alamar resolveu colocar o nome Albert Allan, em seu filhinho.
   "É impressionante como as pessoas se incomodam, quando você foge das rotinas e do mesmismo".

Calçar uma meia de uma cor em um pé e de outra cor no outro pé

    Essa foi outra moda que o Alamar inventou, para seguir, atendendo a sugestão de um amigo muito especial, para que ele fizesse esse teste.
    Em dezembro de 1987, ao pegar rapidamente um par de meias na gaveta para calçar e sair, percebeu que um pé havia desfiado, ou seja, havia puxado um fio, daqueles que inutilizam a meia. Você imagina. O para de meias era novinho.
    Aí ele se viu "obrigado"... não se sabe obrigado, por quem... a ter que procurar outro par de meia e, naturalmente ter que jogar no lixo ou outro pé de meia que está em perfeito estado.
    Já tendo recebido a sugestão desse amigo, há um tempo atrás, para que usasse meias de cores diferentes nos pés, começou a questionar-se:
    "Quem é que me obriga a ter que calçar os dois pés de meia da mesma cor?"
    "Por que eu tenho que calçar as duas meias, necessariamente, da mesma cor?"
    Foi aí que percebeu que isso é uma convenção que as pessoas inventaram, não se sabe porque.
    Então decidiu que a partir daquele momento só calçaria meias com cores diferentes.
    E passou então a usar uma meia azul em um pé e uma amarela em outro. Uma verde em um pé e uma vermelha em outro. E passou a fazer as mais diversas variações de cores.
    O que teve de gente para chamá-lo de maluco, foi alguma coisa impressionante.
    Certa vez um senhor de idade, extremamente nervoso, foi lhe avisar, dentro da Mesbla (loja famosa que existia no Brasil), quase tendo um infarte, que ele estava calçado com meias de cores trocadas, pedindo que olhasse "com muito cuidado" para baixo, e que desse um jeito para sair de fininho e retirar aquelas meias, como se ele tivesse todo defecado ou em estado lastimável:
    - "Você se enganou, meu amigo! Você se enganou! Olhe para os seus pés, com cuidado, discretamente. Por favor, com cuidado, prá ninguém perceber" - dizia o cidadão.
    Quando Alamar disse para ele que não houve engano não e que ele calçava as meias daquele jeito mesmo, o homem partiu para esmurrá-lo, com muito ódio. Foi preciso a sua esposa e o vendedor da Mesbla segurá-lo e acalmá-lo.
    Por que as pessoas são tão escravas do mesmismo?

    Outro caso.
    Certa ocasião, o Alamar foi convidado por um Deputado, amigo seu, para fazer uma explanação na Assembléia Legislativa do Estado do Pará, a respeito do sistema de informática que ele havia desenvolvido para a Secretaria de Segurança Pública daquele Estado, sistema esse que estava tendo uma boa e intensa divulgação na imprensa local, estava em nível nacional, estava atraindo a atenção de polícias de outros estados, e representaria alguma coisa para o nome do Pará.
    Tudo bem. Alamar aquiesceu ao convite, vestiu um terno, calçou uma meia vermelha em um pé e uma verde em outro, colocou uma pasta embaixo do braço e foi para a Assembléia, fazer a sua palestra.
    Ao chegar lá, teve que esperar por algum tempo, enquanto os senhores deputados concluíam outros assuntos da pauta, para ser chamado, falar o que tinha a dizer sobre o projeto e responder a algumas perguntas.
    E ele conta o que aconteceu:

    "Um dos deputados começou a olhar para os meus pés e a cochichar com outro que estava ao seu lado, me olhando com uma cara de quem não estava nem um pouco satisfeito pelo fato de eu estar ali, sentado logo na frente, em local de destaque.
    De repente pediu a palavra, ao dirigente dos trabalhos, e manifestou o seu protesto, pelo fato de eu estar ali calçado com meias de cores diferentes nos pés, e que eu não poderia falar na tribuna daquela nobre assembléia, daquela maneira, porque aquilo representaria uma falta de decoro parlamentar"

    E continua com o seu relato. 

     "Foi um sufoco danado, aquela tarde. Aí outros deputados, tomaram as dores e começaram a discutir, uns achando eu deveria falar, sim, e que aquilo não tinha nada demais, e outros contra. Só sei que virou uma briga danada, a discussão durou mais de duas horas e eu terminei não falando coisa alguma, sobre o projeto, porque não daria mais tempo e nem eles havia chegado a conclusão nenhuma se eu falaria ou não.".

    Há inúmeros casos, extremamente engraçados, acerca dessas meias coloridas do Alamar.
    Se fossem contados todos os casos aqui, você iria se rolar de rir e ocuparíamos muitas páginas aqui.
    Inclusive há centros espíritas que o vetaram de fazer uma palestra, pelo fato dele calçar meias de cores diferentes.
           
Alamar e o Futebol

    Ele sempre gostou de futebol. É torcedor do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro.
    Mas tem umas características diferentes. Torce para o Vasco, mas quando o Flamengo esteve em Tóquio, disputando o campeonanto mundial, em 1981, com Zico e companhia, vestiu uma camisa do Flamengo e torceu como se fosse um flamenguista.
    Por causa disso, sofre críticas também.
    Quando vivia no Pará, ele era torcedor do Paysandú, que, juntamente com o Clube do Remo faz a grande rivalidade do futebol naquele estado.
    Acontece que quando o Clube do Remo estava disputando alguma coisa, já que ele vivia no Pará, ele torcia pelo Pará, naturalmente pelo Clube do Remo.
    Certa ocasião, foi para a torcida do Clube do Remo, vestido com a camisa do Paysandú e portando uma bandeira do Clube do Remo, torcer por ele, numa disputa decisiva, daquele clube no campeonato brasileiro, onde o Paysandú já havia sido eliminado, e o Remo estava muito bem.

    " Isso incomoda. Geralmente o torcedor de futebol é o bicho mais animal e mais selvagem que existe no mundo. Vascaínos me criticaram pesadamente, quando eu empunhei a bandeira do Flamengo, no campeonato mundial de 1981. Para eles, o clube rival deve ser tratado como inimigo e não como simples adversário em campo. A selvageria do torcedor de futebol é alguma coisa que chega ao irracional e até ridículo. Imagine se eu fosse me rebaixar ao mais rasteiro da mediocridade em deixar de aplaudir o futebol do Zico, um dos maiores craques deste país, só porque ele jogava no Flamengo, clube considerado "arqui inimigo" (termo estúpido) do Vasco? Não sirvo prá isso não"

    Aí você vai observando as características da personalidade do Alamar.

Em relação a mulher

    É outro motivo que leva algumas pessoas, homens, obviamente, (e mulheres neuróticas também, daquelas que têm prazer em ser objeto de macho) a ficar com raiva dele, o seu posicionamento com respeito a mulher.
    Alamar, na verdade, é mais feminista que as mais radicais feministas, porque ele defende tanto a mulher contra os preconceitos machistas, alimentados por elas mesmas, que chega a ser impressionante.
    Quando escrevia a sua coluna no jornal O LIBERAL, de Belém, ele colocava cada coisa em defesa racional da mulher, que alguns machistas chegavam a pedir ao pessoal da redação do jornal que não o deixasse mais escrever, que cortassem a sua coluna semanal, porque muitas esposas em casa estavam ficando mais senhoras de si e não estavam se deixando dominar tanto pela escravidão de determinados maridos. Se você quiser ler os artigos do Alamar, expostos no jornal O LIBERAL, tudo está em seu livro "Sob a Ótica Espírita", que é exatamente uma coletânea desses artigos. Há também um seu outro livro, "Esclarecendo Dúvidas", que já é mais recente, coletânea dos artigos escritos no jornal A TARDE, de Salvador, na mesma linha.
    Ele sempre disse o seguinte:

    "Se o homem, comprometido, se acha no direito de ter um mulher fora de casa, a sua mulher tem também o direito de ter outro homem. Esse negócio de homem é homem e as posições são diferentes, é conversa fiada, é palhaçada e é manutenção da ridícula cultura machista. Isso é coisa da Bíblia. O homem que exige fidelidade, da sua esposa, tem a obrigação de ser fiel a ela".

    Ele não admite, de forma alguma, a mulher, pelo fato de ser do sexo feminino, ser subordinada e viver submissa a homem nenhum. Fica danado quando vê religiosos irracionais afirmarem ser a Bíblia a "palavra" de Deus, se nessa mesma Bíblia diz que a mulher é uma coisa criada para servir ao homem, que mulher não tem direito nem de abrir a boca e que se tiver alguma dúvida que pergunte ao seu marido.

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