PROFESSOR DE MATEMÁTICA, FÍSICA E INFORMÁTICA
O interesse do Alamar pelos estudos,
sobretudo pela Matemática e pela Física, se deu a partir do momento em que foi
colocado a estudar em um curso preparatório para a Escola de Especialistas de
Aeronáutica, na cidade de Guaratinguetá, São Paulo, por iniciativa do seu tio
Viriato, como última tentativa para tê-lo morando em sua casa.
Foi para o curso contrariado, porque não queria nada mesmo
com os estudos. A sua visão era apenas o piston, a orquestra, a música.
Mas um fato interessante chamou-lhe bastante atenção, o que
representou o despertamento para interessar-se pelos estudos, um fato que
parecia impossível:
O dono do cursinho, um suboficial da Aeronáutica, era
também o professor de Matemática e de Física. Chamava-se Célio e adotava um
método muito especial de ensinar: Falava exatamente a linguagem que os
jovens poderiam entender, adotando até uma denominação sua para fazer com
que todos entendessem a Matemática, que era o método da "Matematicanagem",
mistura de Matemática com "sacanagem".
E não deu outra coisa. Todos os alunos, talvez influenciados
pelo instinto jovem bagunceiro, esforçavam-se em resolver os problemas de
Aritmética, Álgebra e Geometria com enunciados que envolviam
"sacanagens" (não existe a menor possibilidade de exemplificar um
desses enunciados aqui neste relato, por causa do excesso de críticas que
certamente Alamar receberia, por mais que citasse sem maldade).
No embalo, a rapaziada se interessava pela aplicação
das fórmulas corretas, dos produtos notáveis, do teorema de pitágoras, das
funções etc...
Depois que pegou o ritmo, aí a coisa disparou.
Com base sólida em Matemática, não houve a menor
dificuldade em aprender Física. Claro, ninguém consegue aprender Física se
não souber Matemática.
A partir dessa arrancada, Alamar passou a ver a Matemática e
a Física como sua principal razão. O cursinho começava às 19 horas, de
segunda à sexta-feira, mas ele já estava presente às 18:30, todos os dias,
empolgadíssimo, sem registrar uma falta, sequer, em todo o período
preparatório.
No primeiro concurso foi aprovado e conseguiu entrar na
Escola de Especialistas de Aeronáutica.
Prometia para si mesmo:
"Quando eu me formar Sargento, vou fazer de tudo para ensinar a outros jovens que, como eu, não querem nada com estudo, do mesmo jeito que o Sub Célio me ensinou. Vou provar que não existem alunos burros, o que existem são professores e comunicadores incompetentes".
Quando se formou, aos 19 anos de idade,
deslocado a servir na cidade de Belém do Pará, a primeira coisa que fez ao
chegar à capital paraense foi procurar um cursinho preparatório às Escolas
Militares, onde poderia dar aulas. Não tinha experiência alguma em ensinar,
não estava nem interessado em salário como professor, o que queria mesmo era
ter o prazer de ensinar conforme havia aprendido. O seu salário na FAB era bom
demais (naquele tempo os militares ganhavam muito bem) e chegou até a
comprar o seu primeiro carro, um fusca azul.
Conheceu o Curso Aviação Militar, de propriedade de um
mercenário chamado João Milício Fidélis. No primeiro dia que se apresentou
no curso, foi logo colocado em sala de aula (mais de 60 alunos), para
substituir um professor que havia faltado. Foi um sucesso. A partir daí os
alunos não quiseram mais o professor titular da turma e até ameaçaram quebrar
o curso se o novo professor não continuasse. O sargento Régis era o novo
ídolo da rapaziada!
Não teve jeito, Alamar assumiu de vez não apenas aquela,
mas outras turmas também.
De repente o curso fechou, por problemas do seu dono com o
proprietário do prédio que era alugado e Alamar resolveu, então, fundar o seu
próprio cursinho no prédio da União Beneficente dos Chauffeurs do Pará, numa
sala que lhe fora cedido por Hermínio Calvinho.
Todos os alunos foram atrás.
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As aprovações nos concursos eram excelentes! |
| Jovens que se realizaram na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, preparados pelo seu cursinho | |
Os comunicadores de rádio de Belém gostavam do
"sargento Régis", que sempre visitava os seus programas, facilitando
a propaganda do seu cursinho: Eloy Santos, José Travassos, Ivo Silva, Ronald
Pastor etc...
Mas o importante para Alamar era aprovar jovens para os
concursos e não as mensalidades dos alunos, haja vista que ele nunca foi ligado
em dinheiro. Muito pelo contrário, foi tão desligado e até relaxado, que
chegou a enfrentar problemas seríssimos na área financeira, porque deixava com
que todos manipulassem à vontade o seu dinheiro, o que proporcionava muitos
desvios, ficando em dificuldades na hora de pagar os compromissos assumidos pela
sua escola. Aliás, há se registar que a respeito de dinheiro, Alamar sempre se
considerou aquilo que ele chama de "uma vaca", porque nunca ligou para
dinheiro, sempre deixando as suas coisas nas mãos dos outros, sem nunca se
preocupar em prestações de contas, motivos esses que sempre levaram muitos a
se aproveitarem dele.
Devido a esse seu desinteresse pelo dinheiro, acabou cedendo
ao bote de um colega, também da Aeronáutica, Sargento Emílio Almeida, (altamente
mercenário), que lhe propusera uma sociedade, com objetivo de tomar conta
do dinheiro.
Tratava-se de um cidadão que era, além de sargento,
corretor da CAPEMI, em Belém, que conseguia empréstimos daquela instituição
financeira para todo mundo no quartel, até mesmo para os oficiais. Por essa
razão, era paparicado e bajulado por todos.
De uma hora para outra, esse cidadão, altamente experto, deu
um golpe gigantesco em Alamar, terminando por tomar-lhe o seu curso e
conseguindo, no quartel, pelas influências que tinha, punições
violentíssimas e até torturas para ele, caso este contato na sua experiência
como militar, aqui neste relato.
Ao sair do seu curso, sem dinheiro e em dificílima
situação financeira, recebeu a solidariedade de quase todos os alunos e demais
colegas professores em sua casa e até mesmo quando estava preso no quartel da
Aeronáutica.
Incentivado e estimulado pelo carinho, resolveu fundar um
novo curso, começando tudo do zero, sem um centavo no bolso, nem para pagar o
primeiro mês de aluguel.
Contou apenas com a ajuda da Rádio
Marajoara, de Belém, através dos locutores José Travassos, Eloy Santos e Ivo
Silva, que gostavam muito dele.
Todos os antigos alunos, assim como os professores, sabendo
do novo curso, abandonaram o antigo e foram trabalhar com ele. Emílio teve que
fechar a sua escola, por falta de alunos e professores.
Alamar foi preso porque aprovou muita gente!
A dedicação ao ensino era muito grande e a vontade de aprovar, aprovar e aprovar sempre era a sua ganância.
Em 1976, fez um pacto consigo mesmo:
"Vou montar uma turma e aprovar TODOS os alunos. Isto mesmo, vou aprovar 100 por cento dos meus alunos, o que será um fato inédito em todo o Brasil!".
E não deu outra coisa. Além
de aprovar todos os 36 alunos de uma turma que resolveu dar um tratamento
especial, conseguiu a aprovação de um primeiro colocado em todo o País, fato
até então inédito no Norte e Nordeste do Brasil. Esse primeiro colocado
chamava-se Juarez Mathias de Souza.
Nessas alturas Alamar não estava mais na Aeronáutica. Já
havia saído dois anos antes.
Qual foi a surpresa?
Numa tarde, três dias após a divulgação do resultado do
concurso, parou na porta do seu cursinho um camburão da Polícia da
Aeronáutica, numa atitude extremamente arbitrária e ridícula, com vários
soldados comandados por um seu ex-colega (também sargento) que o
convidou a acompanhá-los até a Divisão de Segurança do Quartel General do
Primeiro Comar.
Qual seria o crime?
Alamar teria que explicar onde "conseguiu" as
provas do concurso, para dar conhecimento antecipado para os seus alunos, que
culminaram com aquele sucesso todo. É aquela história de todo safado achar que
todo mundo é desonesto. O achismo dos incompetentes em ação!
Notem bem: As provas eram elaboradas na Escola de
Especialistas de Aeronáutica, na cidade de Guaratinguetá, São Paulo, as
comunicações interestaduais eram dificílimas, pois não havia tanta
facilidade de DDD como hoje. Tudo feito em ambiente militar, rigorosamente
fechado, sem a menor possibilidade de vazamento de informações.
O pior de tudo é que o elemento perseguidor, do quartel, em
Belém, sabia muito bem disso. Mas o objetivo era perseguir o entusiasmadíssimo
professor, o qual ele já o havia torturado muito quando estava na ativa.
Só se convenceram da eficiência do curso, quando submeteram
alguns dos alunos aprovados a um teste elaborado em Belém mesmo. Ridículo, mas
aconteceu.
O sucesso do curso era tão grande, que Alamar, na sua
audácia, resolveu fundar filiais por várias cidades do Norte do Brasil,
desbravando fronteiras além Pará:
Montou filiais nas cidades de Macapá(AP), Santarém(PA),
Castanhal(PA), São Luiz(MA), Caxias(MA), Teresina(PI) e Sobral(CE), com
objetivo de levar aos jovens daquelas cidades a sua metodologia de ensino de
linguagem fácil.
Os cursos eram todos lotados e ele tinha tudo para ser rico,
hoje.
Mas como nunca deixou de ser besta, com respeito à questão
do controle do dinheiro, preocupando-se apenas em ensinar e aprovar, foi mais
uma vez passado para trás, por uma quadrilha que se instalou na empresa.
Chegou a ter mais de 10.000 alunos!
Perdeu tudo novamente.
A sua escola de Informática
Será tratada no tópico que trata "Alamar, profissional de Informática".
A SUA ESCOLA DE SEGUNDO GRAU
Em 1986 resolveu fundar uma Escola de Segundo Grau que representava uma verdadeira audácia no ensino brasileiro.
Veja as propostas revolucionárias de Alamar:
- As provas das turmas, quaisquer que fossem as matérias, não poderiam ser elaboradas pelos seus próprios professores. As questões teriam que ser propostas por outros professores, de preferência de outros colégios e até de outros Estados.
- Todos os alunos, ao terminarem o curso, teriam que sair sabendo operar e programar um computador em pelo menos três linguagens de programação.
- Se tivesse que ensinar Inglês, todos teriam que terminar o curso sabendo falar Inglês, o que não acontece com estudantes brasileiros que estudam a matéria, obrigatoriamente, durante anos mas não são capazes de conversar em inglês com ninguém.
- As provas mensais não conteriam apenas os tópicos das matérias ministradas naquele mês e sim com assuntos de toda a matéria daquele nível para baixo.
Essas eram as principais características que Alamar desejava imprimir na Educação, mas haviam outras.
O Conselho Estadual de Educação do
Pará, na sua postura burocrática, sem criatividade alguma, praticando sempre o
"mesmismo" sem espaço para a competência, reprovou o projeto e não
permitiu que Alamar fizesse um colégio assim.
O prejuízo foi enorme, porque acreditando que as pessoas que
comandam a Educação neste País fossem mais inteligentes, Alamar resolveu
investir antes da legalização do Colégio.
É como se dissessem: "Se o Brasil é um país de
quinto mundo, por que razão teria que ter alguma coisa de primeiro mundo?"
ou "se todo mundo faz colégio com objetivo, além de ganhar muito
dinheiro, somente fazer o aluno passar de ano, como é que podemos autorizar
alguém fazer um colégio com objetivo de fazer com que os alunos aprendam de
verdade?".
A partir dessa decisão, Alamar Régis se desgostou e nunca
mais quis saber de ser professor de matérias convencionais neste País.
Conformou-se apenas em ensinar Informática, uma matéria de
uma profissão livre, ("graças à Deus o profissional de Informática
não era reconhecido oficialmente no Brasil") que não depende da
incompetência, da visão estreita, do mesmismo, do excesso de burocracia, do
convencionalismo ridículo, da burrice e do excesso de imbecilidade de certos
órgãos que dirigem a educação brasileira.
