EXPERIÊNCIA NO SERVIÇO PÚBLICO

    Disposto a criar alguma coisa diferente na sua profissão, como Analista de Sistemas, Alamar fez um desafio a si mesmo:

    "Vou, então, desenvolver um sistema que informatize a polícia do Pará."

    Dedicou-se a estudar e a pesquisar antes, tudo sobre polícia, e verificou que nenhuma outra polícia do País dispunha de sistema de informatização eficiente.

    Chegou a comunicar a idéia para alguns amigos, que lhe diziam:

- "Rapaz, se ninguém te contratou, como tú vais desenvolver sistemas para a SEGUP? Pretendes ganhar o quê? Quem vai te pagar por esse serviço?"

    Alamar ficava impressionado pelo fato das pessoas não conseguirem fazer nada sem ver o dinheiro na frente, sem vincular prioritariamente a ganhar alguma coisa ou a alguém lhes dar alguma garantia material. Idealismo e amor pelo que faz é coisa muito rara. Não imaginava porque a maioria das pessoas vêem o "ganhar dinheiro" como objetivo, quando poderiam ver como consequência da realização de um grande trabalho.

E dizia: "Vou fazer assim mesmo. Quando ficar pronto, mostrarei para eles. Se gostarem, bem; se não gostarem, bem também".

    E começou a estudar polícia, lendo tudo o que encontrava pela frente. Bater papo com delegados, passou a ser o seu vício. Conversava muito com o Raimundo Marçal Guimarães, que fora homem de polícia por muito e muito tempo, sem que ele percebesse que a sua intenção era saber o maior número de informações sobre as rotinas policiais.

    Depois de maceteado no assunto, partiu para o desenvolvimento dos sistemas em meados de 1987.      Convidou aquele que foi um dos seus melhores alunos, em toda a história da sua Escola, o Douglas José de Pinho (O Miserável), honestíssimo e de um caráter admirável e o Zilzo Botelho, ambos seus ex-alunos, para desenvolverem programas que montassem os sistemas idealizados por ele.

    E já entrou prá valer e prá arrasar com a mesmice (ele detesto mesmices) da informática. Fizeram logo sistemas que atendessem a vários segmentos da polícia:

    Os jornais do Pará fizeram inúmeras reportagens sobre o sistema, que teve repercussão também em nível nacional, com matérias em jornais como "O Globo", "Folha de São Paulo", "O Estado de São Paulo", "Jornal da Globo" (Rede Globo), "Jornal de Brasília" etc...

O Liberal, de Belém, foi o jornal que mais reportagem fez sobre o projeto

    Aqui relatamos os principais sistemas que Alamar desenvolveu, juntamente com o "Mizerável". Apenas um sistema teve alguns programas feitos pelo Zilzo, com toda a Análise feita por Alamar.

  • Sistema de Controle das Viaturas da Polícia - Havia muito roubo de combustíveis dos carros da polícia, pelos próprios funcionários públicos, que retiravam gasolina dos tanques policiais para colocar nos seus carros particulares e até para vender para motoristas de taxis. Isto sempre existiu, existe ainda e vai continuar a existir por muito tempo em todo o serviço público brasileiro, porque ninguém se interessa em controlar nada neste país. Se controlar demais, fica difícil a prática da malandragem. Desenvolveu um sistema que controlasse isso. Se alguém desviasse um litro de gasolina de uma viatura pública, se retirasse um pneu ou rodasse além do necessário, o sistema detectava. Era uma beleza.

  • Controle de Portes de Armas - Não existia a menor condiçã da polícia controlar quem tinha porte de armas no Pará, assim como quais os portes eram legais ou falsificados. Tudo era feito por fichas em cartolina. Agora, imagine você, controlar mais de cem mil portes de armas em fichas de cartolina. Não dava mesmo e não funcionava. O seu sistema, com programas feitos pelo Miserável, fazia tudo isso. Controlava pelo número da carteira de identidade do portador, pelo seu CPF, pela marca da arma, tipo da arma, calibre etc... Tinha tudo para promover um desarmamento da população, mas nunca houve interesse político para isso. Não existia a menor condiçã da polícia controlar quem tinha porte de armas no Pará, assim como quais os portes eram legais ou falsificados. Tudo era feito por fichas em cartolina. Agora, imagine você, controlar mais de cem mil portes de armas em fichas de cartolina. Não dava mesmo e não funcionava. O seu sistema, com programas feitos pelo Miserável, fazia tudo isso. Controlava pelo número da carteira de identidade do portador, pelo seu CPF, pela marca da arma, tipo da arma, calibre etc... Tinha tudo para promover um desarmamento da população, mas nunca houve interesse político para isso.

  • Controle de Veículos Roubados e Furtados - Esse era um grande problema no Brasil, como ainda é. Você sabe como as polícias, de todos os Estados controlavam isso? Com fichinhas de cartolina também. Quando um carro era roubado em São Paulo, por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública de lá mandava um telex para todos os Estados que, por sua vez, fazia uma fichinha com os dados daquele carro. Só isso e nada mais. O seu sistema colocou mais de cem mil veículos em um computador XT, com um disco Winchester de apenas 40 megabytes. Ninguém conseguia entender como fizeram aquilo, mas funcionava que era uma beleza. Informa o Gilmar, (responsável pela Informática da SEGUP do Pará desde quando Alamar, juntamente com o Coronel Antonio Carlos Gomes e a Camélia criaram o Departamento em início de 1988), que até hoje as polícias de todos os Estados consultam esse arquivo nos computadores do Pará. Esse era um grande problema no Brasil, como ainda é. Você sabe como as polícias, de todos os Estados controlavam isso? Com fichinhas de cartolina também. Quando um carro era roubado em São Paulo, por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública de lá mandava um telex para todos os Estados que, por sua vez, fazia uma fichinha com os dados daquele carro. Só isso e nada mais. O seu sistema colocou mais de cem mil veículos em um computador XT, com um disco Winchester de apenas 40 megabytes. Ninguém conseguia entender como fizeram aquilo, mas funcionava que era uma beleza. Informa o Gilmar, (responsável pela Informática da SEGUP do Pará desde quando Alamar, juntamente com o Coronel Antonio Carlos Gomes e a Camélia criaram o Departamento em início de 1988), que até hoje as polícias de todos os Estados consultam esse arquivo nos computadores do Pará.

  • Sistema Marginal - Aconteceu um crime agora? O sistema desenvolvido era capaz de mostrar quem eram os responsáveis suspeitos, baseado nas informações das testemunhas. Apontava que o bandido "Rasga Burra" tinha 92 por cento de probabilidade de ser o autor, que o bandido "Curuba" era o segundo provável suspeito, com 86,4 por cento e apontava o terceiro, o quarto, o quinto e até o vigésimo suspeito. - Aconteceu um crime agora? O sistema desenvolvido era capaz de mostrar quem eram os responsáveis suspeitos, baseado nas informações das testemunhas. Apontava que o bandido "Rasga Burra" tinha 92 por cento de probabilidade de ser o autor, que o bandido "Curuba" era o segundo provável suspeito, com 86,4 por cento e apontava o terceiro, o quarto, o quinto e até o vigésimo suspeito.

  • Controle do FUNRESPOL - Toda polícia tem direito a arrecadar uma taxa pelo funcionamento dos motéis, cabarés, casas de shows, lojas que vendem explosivos, postos de gasolina, etc... E essa taxa se chama FUNRESPOL (Fundo de reequipamento policial), mas ninguém consegue arrecadar com eficiência, porque nunca houve controle. Somente os policiais safados conseguem ganhar dinheiro com isso, porque chegam nos motéis e, além de usarem as suas intalações de graça a hora que querem, ainda exigem dinheiro, muito dinheiro, dos seus gerentes, sob argumentação do FUNRESPOL. Na verdade não vai um centavo dessa arrecadação, ilícita, para os cofres das polícias. O seu sistema controlava tudo. Até os donos de motéis, quando souberam da existência do mesmo, passaram a dar graças à Deus, porque chegaram à conclusão de que se pagassem legalmente, destinando o dinheiro para onde deveria ser destinado legalmente, gastariam muito mais do que gastavam cedendo às chantagens de inúmeros delegados e investigadores que "mamavam" às suas custas. Toda polícia tem direito a arrecadar uma taxa pelo funcionamento dos motéis, cabarés, casas de shows, lojas que vendem explosivos, postos de gasolina, etc... E essa taxa se chama FUNRESPOL (Fundo de reequipamento policial), mas ninguém consegue arrecadar com eficiência, porque nunca houve controle. Somente os policiais safados conseguem ganhar dinheiro com isso, porque chegam nos motéis e, além de usarem as suas intalações de graça a hora que querem, ainda exigem dinheiro, muito dinheiro, dos seus gerentes, sob argumentação do FUNRESPOL. Na verdade não vai um centavo dessa arrecadação, ilícita, para os cofres das polícias. O seu sistema controlava tudo. Até os donos de motéis, quando souberam da existência do mesmo, passaram a dar graças à Deus, porque chegaram à conclusão de que se pagassem legalmente, destinando o dinheiro para onde deveria ser destinado legalmente, gastariam muito mais do que gastavam cedendo às chantagens de inúmeros delegados e investigadores que "mamavam" às suas custas.

  • Controle Administrativo - Havia muito desvio de material dos almoxarifados da polícia. Só para vocês terem uma idéia, a quantidade de pedidos de copinhos descartáveis, por exemplo, por parte das delegacias e setores administrativos da capital e do interior do Estado, era 5.000 (cinco mil) vezes maior que o necessário. Tinha gente que vendia copinhos descartáveis da polícia, assim como rolos de papel higiênico, materiais de limpeza, de expediente, etc... O sistema de informatização desenvolvido acabou com isso tudo. Ou melhor, acabou durante algum tempo, na administração do Coronel Antonio Carlos Gomes. Não se tem notícias de como funciona agora. Havia muito desvio de material dos almoxarifados da polícia. Só para vocês terem uma idéia, a quantidade de pedidos de copinhos descartáveis, por exemplo, por parte das delegacias e setores administrativos da capital e do interior do Estado, era 5.000 (cinco mil) vezes maior que o necessário. Tinha gente que vendia copinhos descartáveis da polícia, assim como rolos de papel higiênico, materiais de limpeza, de expediente, etc... O sistema de informatização desenvolvido acabou com isso tudo. Ou melhor, acabou durante algum tempo, na administração do Coronel Antonio Carlos Gomes. Não se tem notícias de como funciona agora.

    Enfim. Além desses sistemas, com apoio do "Mizerável", o hoje grande Analista Douglas José de Pinho, desenvolveu vários outros.

    Em dezembro de 1987, Alamar colocou todos aqueles sistemas em um seu computador, um XT da ITAUTEC, botou na mala do seu carro, um opala diplomata, e foi ao gabinete do então Secretário de Segurança Pública do Pará, Coronel Antonio Carlos Gomes, um dos homens mais honestos e íntegros que já conheceu, propondo uma demonstração da idéia já realizada.

    Em princípio o homem, juntamente com seus delegados, duvidou que aquillo pudesse existir. Ele desafiou então a assistirem a uma demonstração que faria naquele momento, desde que lhe cedessem uma tomada elétrica e uma mesinha para colocar o seu computador, o que foi aceito.

    Os homens ficaram encantados com o que estavam vendo. Imediatamente o Coronel ligou para o então Governador do Estado, Hélio da Mota Gueiros, comunicando o fato, o que, por sua vez, foi difícil também de acreditar. Mas, ciente de que não se tratava de sonho nem alucinação e sim de uma comprovada realidade, o Governador autorizou a SEGUP a implantar imediatamente um departamento de informática, embora contra a vontade do PRODEPA, (Processamento de Dados do Estado do Pará) que era e continua sendo o órgão responsável pela informatização do Estado, embora pouca coisa realizava, em relação às reais necessidades.

    E surgiu o Departamento de Informática. Alamar foi convidado a ser contratado como funcionário da Polícia, a fim de dirigir o departamento, mas não aceitou. O Gilmar ficou responsável, auxiliado pelo Amylson, o papiloscopista.

    Empolgado, o Secretário de Segurança Pública, Coronel Antonio Carlos Gomes, convidou toda a imprensa do Pará para mostrar os sistemas. Era a sua "menina dos olhos". A cobertura foi total e todas as emissoras de televisão e rádios, além dos jornais, mostraram tudo para o grande público.

A postura ridícula do PRODEPA

    Todos os Estados tem os seus serviços de processamento de Dados oficiais, a quem cabe todos os processo de informatização do governo em geral, de todas as suas secretarias, assessorias etc. O do Pará, chama-se PRODEPA.

    Quando tomaram conhecimento, através da imprensa, de que Alamar havia feito um sistema com essa proposta para a Secretaria de Segurança Pública, tomaram a absurda iniciativa de emitirem opiniões sobre algo que nem sequer quiseram conhecer. Ressalte-se que todo aquele que emite opinião sobre o que não conhece, expõe-se ao ridículo, por estar agindo leviana e irresponsavelmente.

    Baseados no "achismo", acharam que Alamar estava se aventurando a alguma coisa, sem a menor responsabilidade. Ao saberem que a SEGUP não dispunha de computadores de grande porte, acharam impossível alguém fazer tantos sistemas, com tanta potencialidade e tanta eficiência para rodar em computadores tão pequenos. E passaram a dar declarações idiotas para a imprensa, afirmando que nada daquilo funcionaria, que Alamar não teria qualificação para desenvolver tais sistemas, que ele era um sonhador, um maluco, um inconsequente.

    Muito engraçado, mas a informatização feita por aquela instituição para o Estado era o mais "feijão com arroz" possível, o mínimo que se podia oferecer. Criatividade nenhuma, com todo respeito aos que trabalharam e ainda trabalham por lá. Poucos são os competentes que existem lá, sempre desprestigiados, coitados. Existe muita gente colocada pela janela, no PRODEPA, assim como existem em todos os Centros de Processamento de Dados de qualquer Estado, indicados por conveniências políticas de deputados, vereadores e políticos em geral.

    Chegaram ao cúmulo de irem à TV Cultura, num programa de entrevistas, com proposta de ridicularizarem o grande idealista da Informática no Pará. Tomando conhecimento do quanto fora ridicularizado em um programa de TV, Alamar, que não é de levar desaforo para casa, também foi ao mesmo programa, dois dias depois, para desafiar todos a comprovarem a realidade dos seus sistemas. A população caiu de gozação em cima daquels "profissionais", porque, de fato, o seu sistema funcionou, comprovado por toda a impresa do Pará.

Sucesso em Brasília

    Em junho de 1988, Alamar foi convidado pela SEGUP para participar de um encontro que haveria em Brasília, no Ministério da Justiça, com todos os Secretários de Segurança Pública e Comandantes de Polícias Militares de todos os Estados, convocado pelo então Ministro da Justiça, Dr. Paulo Brossard. Fez sua palestra lá e, segundo eles, foi um sucesso. Teve oportunidade de conhecer um dos homens mais dignos e decentes deste País, o então diretor da Polícia Federal, Dr. Romeu Tuma, hoje Senador da República.

    Todos foram unânimes em dizer que não existia nada igual em nenhuma polícia do Brasil

    Alamar ficou amigo de todo mundo e só não ganhou muito dinheiro com o sistema, porque este não era o seu objetivo maior e porque não teve estrutura organizacional para tal. A administração da sua empresa sempre foi muita fraca, em razão dessa sua indiferença para com dinheiro. Era o seu fraco.

   Foi convidado a falar sobre os sistemas nas Polícias de São Paulo (secretário Fleury), Rio de Janeiro (Secretário Hélio Saboya), Bahia (Secretário Mendes), Pernambuco (Alamar não se lembra o nome do Secretário, era um general ou coronel do Exército) e Ceará (Moroni). Até helicóptero a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro colocou à sua disposição para conhecer, do alto, os problemas do Rio, a fim de bolar alguma coisa para ser aplicada lá.

   Além da imprensa do Pará, Alamar foi notícia na "Folha de São Paulo", "O Estado de São Paulo", "O Globo", "Jornal do Brasil", "Jornal do Commércio", "Jornal de Brasília", "Correio Brasiliense", "O Povo" e também no "Jornal da Globo" da Rede Globo. Foi informado que fora notícia também na Bandeirantes e em outras emissoras, mas não teve oportunidade de ver, para poder comprovar.

Correspondência do então Secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Hélio Saboya, encaminhando o Analista de Sistemas Alamar Régis Carvalho ao então Secretário de Segurança do estado de São Paulo, Dr. Luiz Antonio Fleury Filho, como idealizador do mais eficiente sistema de automação policial do Brasil, na época. (A digitalização da correspondência está ruim, mas o original está legível)

    O que a politicagem é capaz de fazer

    O sistema FUNRESPOL passou a dar muito dinheiro para a Polícia do Pará, proporcionando ao Coronel Antonio Carlos a montar o seu sistema de informática, sem pedir um centavo sequer ao caixa do Estado. Ele chegou até a construir várias delegacias, além de poder comprar armamentos e outras coisas de interesse policial.

    Sabe o que fizeram?

    Alguém, da Secretaria da Fazenda, juntamente com a Assembléia Legislativa do Estado do Pará, "inteligentemente" retirou todo o dinheiro que, de direito e de fato, deveria pertencer exclusivamente à Polícia, para o seu exclusivo uso, e destinou para o chamado "Caixa Único do Estado", deixando a SEGUP sem dinheiro nenhum. O Coronel Antonio Carlos brigou muito e tentou reverter aquela situação politiqueira, mas não adiantou nada. Ele terminou sendo demitido pelo Governador.

A Polícia e o Tribunal de Contas do Estado

    Além da informatização da Polícia do Pará, Alamar foi convidado pelo Dr. Raimundo Marçal Guimarães, ex-diretor Administrativo da SEGUP, filho do velho Zinho Gato, a desenvolver a informática do Tribunal de Contas do Estado, onde era Diretor. O TCE do Pará possuía uma sistema de folha de pagamentos tão incompetente que os operadores eram obrigados a informar 90% (noventa por cento) dos dados, para o computador e processar apenas 10% (dez por cento). Ou seja, o computador do Tribunal de Contas do Estado era um simples impressor de contra cheques. Era burro demais.

    Ele aceitou o desafio e o processo daquela informatização era realizado em paralelo com o da Polícia.

    Contava com o apoio do Ministro Presidente do Tribunal, Conselheiro Lauro de Belém Sabbá, homem de Mocajuba, conhecido do velho Zinho Gato, e contava com auxílio do genial funcionário Jorginho Batista e seus colegas Pedro Lúcio, Gonzaga e Dores.

    Fez uma folha de pagamento, por computador, que foi um grande sucesso, porque conseguiu  inverter a "eficiência". Informavam apenas 10% (dez por cento) e o computador processava 90% (noventa por cento) que é o mínimo que se pode esperar de uma informática inteligente e eficiente.

    Implantou outros sistemas lá, inclusive o controle das viaturas (aquele que não deixa ninguém roubar gasolina dos veículos públicos) que terminou sendo cassado mais tarde. Os motivos lhe foram falados, mas ele diz que não tem provas concretas suficientes para poder citá-los num depoimento público como é este, assim como tem provas de todas as outras citações que faz através deste relato.  Garante que não eram motivos nobres não.

    Recebeu convite, também, para trablhar como funcionário do Tribunal de Contas, presidindo o seu departamento de informática, com um salário não apenas excelente mas tentador, trabalhando apenas um expediente, mas preferiu também dizer não. Quando falamos aqui em salário excelente, não se trata apenas de um bom salário não, gente, e sim de um senhor salário! salário prá ninguém botar defeito!

    Depois o Lauro Sabbá saiu da presidência, o Raimundo Guimarães também saiu da diretoria administrativa da casa e ninguém o convidou mais para a informática de lá. O Jorginho Batista, na época um jovem recem saído da adolescência, hoje um Economista respeitado lá dentro, juntamente com o Pedro Lúcio e o Gonzaga, que continuaram sendo seus amigos, e admiradores da sua forma de trabalhar (segundo sempre lhe disseram), colocaram as razões: Os seus sistemas de controles incomodavam muitos interesses lá dentro. Politicamente não era viável controlar tanto no serviço público.

O contra senso que o desanimou

    Veja bem, gente! Parece mentira o que vai ser contado aqui.

    Vários delegados e a diretoria adminstrativa da Secretaria de Segurança Pública do Pará, empolgados com os sistemas desenvolvidos por Alamar Régis, desejosos de ver o Departamento de Informática da SEGUP incrementado, com mais computadores e mais recursos. Interessados em ver funcionando também o sistema de controle de processos, que também havia sido desenvolvido por ele junto com o Mizerável (Douglas José de Pinho), começaram a pressionar o novo Secretário de Segurança, para que ele desse mais atenção àquela iniciativa que fora notícia em toda a imprensa local e nacional.

    E o novo Secretário de Segurança, Bacharel Mário Malato, que substituiu o Coronel Antonio Carlos, pediu a Alamar para que fizesse um documento para a polícia, relatando qual seria o valor necessário para implantar aqueles equipamentos, naquela fase.

    Alamar fez o relato: Seriam necessários apenas U$ 4,500.00 (quatro mil e quinhentos dólares). Naquele tempo os preços eram todos avaliados em dólares, por causa da inflação alta. As lojas de informática trabalhavam todas com preços em dólares. Um determinado cidadão, dono de loja de equipamentos de informática, lhe chamou atenção por ter ele feito um orçamento com valor baixo demais. Todo mundo gostava de ganhar dinheiro fácil às custas do serviço público.

    Já que a Secretaria da Fazenda, juntamente com os Deputados, haviam surrupiado o dinheiro do FUNRESPOL da polícia, ela não tinha recursos nenhum mais para comprar esses computadores. Teria, então que pedir ao Governador.

    A resposta foi a seguinte: O Governo do Estado não tem dinheiro. O projeto não pode ser executado. O projeto não pode ser executado.

    Acontece, gente... acreditem... que no mesmo mês, por incrível que pareça, o mesmo governo, destinou aproximadamente U$ 50,000.00 (cinquenta mil dólares) para o Tribunal de Contas do mesmo estado comprar um gigantesco computador novo, para um departamento de informática que havia sido implantado lá. Só o ambiente, (a sala) onde ficaria este computador, custou mais caro que o dobro do que seria necessário para informatizar a SEGUP. O porte do computador representava, hipoteticamente, você comprar um avião MD-11, (aquele grandão que tem a VASP e a VARIG)  quando a necessidade seria de um pequeno bi-motor de apenas 8 lugares. Explicando melhor: Seria a mesma coisa que você adquirir uma Ferrari ou uma BMW 350 para fazer um serviço que poderia ser feito com um Palio ou um Gol. para o Tribunal de Contas do mesmo estado comprar um gigantesco computador novo, para um departamento de informática que havia sido implantado lá. Só o ambiente, (a sala) onde ficaria este computador, custou mais caro que o dobro do que seria necessário para informatizar a SEGUP. O porte do computador representava, hipoteticamente, você comprar um avião MD-11, (aquele grandão que tem a VASP e a VARIG)  quando a necessidade seria de um pequeno bi-motor de apenas 8 lugares. Explicando melhor: Seria a mesma coisa que você adquirir uma Ferrari ou uma BMW 350 para fazer um serviço que poderia ser feito com um Palio ou um Gol.

    O pior de tudo foi priorizar a informatização de um Tribunal de Contas, em detrimento de uma Segurança Pública, que é muito mais prioritária para os interesses da população.

    Diante dessa "inteligência" Alamar se recusava a continuar exercendo qualquer serviço para órgãos públicos.

Informatização de Prefeituras

    Criou também sistemas para a automatização de Prefeituras. Controle de arrecadação de IPTU, ISS, folhas de pagamentos, controles administrativos, controles de processos, controles de viaturas, etc...

    Todas as Prefeituras do Estado não dispunham de arrecadações melhores porque não tinham como arrecadar. Não haviam meios de emitir nem os carnês de IPTU, muito menos controle de quem pagou e quem não pagou.

    Contando sempre com a ajuda do Miserável, desenvolveu sistemas para isto. Ofereceu para diversas prefeituras do interior do Estado do Pará.

   Mas as propostas dos prefeitos eram tão sem-vergonha, tão cínicas, que não deu para continuar.     Diz Alamar o seguinte: "Não é que não levaríamos vantagens, não. Muito pelo contrário. Ganharíamos muito dinheiro. Eu teria muitas e muitas terras no Pará hoje, se me submetesse às tentações da propostas "inteligentes" e descaradas que recebi.".

    Vale abrir um espaço aqui para deixar bem claro que Alamar não quer chamar de safados apenas prefeitos do Pará, não, o que poderia dar uma conotação de que ele poderia estar agredindo à gente daquele Estado   que o acolheu por tantos anos. Em absoluto, não é nada disso. Essa mesma cachorrada que se verifica em prefeituras do Pará, é encontrada em todos os Estados brasileiros, indistintamente. Tem safado em tudo quanto é canto.

    Assim como existem muitas terras nas mãos de uma porção de privilegiados neste país e outros sem terra por aí, em busca de um pedaço de chão para plantar alguma coisa, Alamar seria um desses sugadores da nação, se aceitasse entrar no jogo.

    Ele diz também o seguinte: "É uma pena que os movimentos chamados sem terra não são um pouco mais inteligentes, para trabalhar melhor esta questão. Que bom seria se os motivos deles não fossem tão explorados por políticos inescrupulosos, que não vêem outro objetivo senão o interesse partidário". Mas vamos deixar isso prá, que aí já é outra conversa.

    Alamar teve sorte porque o companheiro que trabalhava com ele, o Douglas, aquele que foi citado aqui como o "Miserável", era e continua sendo um cidadão muito honesto e íntegro que também ficava indignado com as sujeiras das propostas.

    Tiveram uma excessão: O prefeito da cidade de Santa Izabel, (pouco mais de 40 quilômetros de Belém) Dr. Edilson Abreu, médico conceituado e um verdadeiro líder, representou um autêntico exemplo de dignidade à frente de uma prefeitura e nunca lhes fez qualquer proposta descarada como quase todos os outros, de todos os partidos, fizeram.

    Por isso, ele se desiludiu de vez com qualquer vinculação com o serviço público.

As licitações sem vergonha

    Embora a sua empresa enfrentasse dificuldades, Alamar sempre foi muito roubado, porque era também muito besta, como ele mesmo diz, enquanto administrador. Sempre deixou tudo nas mãos de todo mundo, com a mania de confiar em todos. E a turma metia a mão, prá valer. Ele necessitava de entrar nos processos de licitações para mostrar os seus serviços, porque a sua empresa, o CEPD, era uma empresa comercial como outra qualquer.

    Ele teria motivos de sobra para participar. Enquanto escola, a sua era de fato a mais séria e de maior credibilidade, pelo tempo e a honradez no decorrer de anos e anos no Estado. Era responsável pela formação de 80% (oitenta por cento) dos profissionais de informática do Estado. Quanto a softwares, ele era o mais criativo, porque era praticamente o único que fazia coisas diferentes do chamado "feijão com arroz" que todo mundo faz.

    Mas os exemplos que via eram tão deploráveis (deve continuar sendo, ainda) que ele sentia vergonha de participar.

    Cartas marcadas são práticas comuns.
    Como a coisa funciona?

    Alamar conta:

   "Um determinado órgão público tem um safado, pilantra, responsável pelas licitações na área da informática, por exemplo.
    Aí esse cara faz um conluiu com 4 empresas de informática, tão sem vergonha quanto ele, acertando o seguinte: Vamos fazer quatro grandes compras este ano. Vocês quatro vão entrar na jogada. Na primeira licitação vai vencer a empresa A, na segunda a empresa B, na terceira a C e na quarta a B.
    É claro, que todas elas teriam que dá a "comissão" descarada do pilantra.
    Ficaria acertado o seguinte: Vamos unir as forças para desclassificar da licitação qualquer empresa que vier para cá com propostas extremamente honestas. Vamos verificar bem os documentos dela, com todo rigor. A gente desclassifica se ela apresentar um documento que seja, que não esteja com firma desconhecida. Se pedirmos envelope branco e ela vier com envelope pardo, a gente desclassifica. E assim faziam: Empresas honestas eram desclassificadas quando chegavam com um minuto de atraso, quando a assinatura não era com caneta preta, ou azul, caso a distância do topo do papel para o começo da exposição da proposta não obedecesse a um determinado número de centímetros estabelecidos, enfim, uma porção de cachorradas das mais lamentáveis possíveis. Uma verdadeira máfia, uma verdadeira manifestação de mal caratismo que só não é percebido por quem não tem o menor coeficiente de inteligência.".

    A partir daí ele recusava, sempre por escrito, a participar de qualquer licitação, embora soubesse a quantidade de dinheiro que poderia ganhar se participasse de todas as tramas ilícitas.

    Por essas safadezas, abandonou totalmente as idéias de realizar qualquer serviço para a área pública.


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